A importância da pesquisa qualitativa nas análises eleitorais.
POR Alex Nicolas – Cientista Social pela UFPE e Assistente de Pesquisa no Instituto Maurício de Nassau – alexnicolassm@gmail.com
O período que antecede as urnas leva muita gente a acompanhar um fenômeno que se tornou companheiro de políticos e eleitores há muito em nosso país: a corrida nas pesquisas de intenção de voto e suas variações. Há registros desta modalidade de pesquisa no Brasil em 1945, momentos antes da conturbada deposição de Getúlio Vargas. Naquela ocasião, pesquisadores foram a campo na cidade de São Paulo a fim de perceber as possibilidades de voto do eleitorado paulistano para a sucessão presidencial que despontava.
É verdade que as críticas são constantes em relação a estas pesquisas de caráter quantitativo, alcunhada assim pelo seu trato com os números.
Mas, se bem me recordo, são poucas as vezes que o quadro posto por pesquisas feitas no Brasil por instituições sérias se inverteu ou modificou-se substancialmente, tomando por base para esta afirmação eleições de grande escala, como as realizadas nos estados e capitais. Para mais de sessenta anos convenhamos que o método se não nos satisfaz, atende aos anseios.
Porém, a estagnação metodológica é inimiga ferrenha desta seriedade cobrada aos centros de pesquisa (porque é isto que eles são). Por vezes presenciei discussões sobre este ou aquele método adotado nesta ou naquela pesquisa eleitoral. O candidato não concorda com o resultado; a imprensa sugere equívocos; são expostos números e fórmulas, desvios padrões, margens de erro, e o resultado: mais dois anos de espera para o próximo processo eleitoral e tudo se repete.
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