Os adolescentes são minoria no mar de sangue brasileiro

Por José Maria Nóbrega – cientista político
A Unicef, a ONG Observatório de Favelas e a Secretaria Nacional de Direitos Humanos lançaram um estudo onde estimam que, entre 2006 e 2013, teremos mais de 30 mil adolescentes (jovens entre 12 e 19 anos de idade) assassinados neste período. Com grande impacto na imprensa nacional. Afirmo que estes jovens correspondem a 10% dos assassinatos que serão praticados no mesmo período, ou seja, uma minoria. Entre 2000 e 2006 a média nacional de assassinatos, ou como o Sistema de Informação de Mortalidade do SUS define: mortes por agressão, correspondeu a mais de 48 mil pessoas vitimadas por este tipo de morte por causa externa. Mais que violência no trânsito, mais que suicídios e mais que mortes naturais. Se entre 2006 e 2013 o ritmo continuar o mesmo dos últimos três anos da série histórica do SIM/DATASUS, isto é, entre 2003 e 2006 (período que vem demonstrando redução contínua), teremos um quantitativo próximo de 330 mil pessoas assassinadas entre 2006 e 2013 (período do estudo do Unicef). 330 mil pessoas assassinadas (incluindo todas as faixas etárias, gênero, raça/etnia etc.) no Brasil, onde aproximadamente 10% são adolescentes entre 12 e 19 anos. Afirmo que os mais atingidos pela criminalidade violenta homicida são jovens entre 15 e 24 anos de idade, sobretudo por arma de fogo (gráfico abaixo). Correspondente a quase 50% dos assassinatos em Pernambuco. Menores de quatorze anos são bem menos vitimados. O estudo do Unicef é importante, mas os resultados não são inéditos como a imprensa vem colocando. Outro ponto, se a previsão é de 33 mil assassinatos de adolescentes entre 2006 e 2013, nós temos um universo de 330 mil pessoas assassinadas no total para a série histórica estimada pelo estudo citado. Uma carnificina onde os jovens são maioria, mas os adolescentes uma minoria.
Gráfico:
Mortes por agressão - arma de fogo - faixa etária Pernambuco 1996 a 2006

Fonte: SIM/MS. Modelo Nóbrega Jr. (2009)









