
Por José Maria Nóbrega Jr – cientista político
Nóbrega.jr.ufpe@gmail.com
Em matéria publicada na revista Veja desta semana, o Nordeste aparece em sua real face. “O Paradoxo Nordestino”, que intitula a matéria, mostra que a dinâmica da violência se acentuou apesar das melhorias dos indicadores socioeconômicos. Isto foi analisado em trabalho recente publicado pela revista da SENASP (Nóbrega Jr., 2009), onde eu demonstro a relação inversa entre melhoria desses indicadores e o crescimento dos números de homicídios nos estados nordestinos.
O Nordeste melhorou indiscutivelmente os seus indicadores de Gini, renda domiciliar per capita, domicílios pobres e outros (Nóbrega Jr, 2009: 252-254). A região foi impulsionada por uma tendência nacional, desde 2001 a desigualdade de renda declinou substancialmente em todo o país (Prado, 2006). As políticas de redistribuição de renda do governo, como as pensões e as aposentadorias, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o Programa Bolsa Família (PBF), foram fundamentais para a queda da desigualdade e a melhoria na condição de vida das pessoas (Barros et ali, 2006).
Nos últimos dez anos a economia do Nordeste cresceu duas vezes mais rápido que a nacional, a renda local disparou, e o governo investiu mais em planos sociais nesta região que em qualquer outra (Coutinho, 2009: 73). Mesmo assim, a região Nordeste vem apresentando crescimento constante de mortes por agressão desde 1996. Daquele ano, com 8.119 mortes, a 2006, com 14.412 mortes, o incremento percentual foi de 77% nos números absolutos de homicídios na série histórica. Com três anos de queda na série, 1998, 1999 e 2004, todos os outros anos apresentaram crescimento. Com o arrefecimento da desigualdade de renda e social, muitos acreditavam numa diminuição da violência, o que não ocorreu.
A região Nordeste se mostra juntamente com a região Sudeste, a mais violenta. As taxas para o ano de 2006 foram de 28 homicídios por cem mil habitantes para o Nordeste e 26,7 para o Sudeste. O que difere de forma destacada uma da outra é que a região Sudeste vem apresentando decréscimo contínuo de mortes por agressão nos últimos anos da série histórica. Todas as regiões, com exceção da Sudeste, vêm apresentando tendência de crescimento na série analisada. Contudo, o Nordeste tem maior impacto percentual no crescimento agregado.
Mortes por Agressão taxas Nordeste e Sudeste – 1980 a 2006

Fonte: SIM/MS
Pernambuco, Alagoas e Bahia se destacam em relação aos outros estados nordestinos. Pernambuco vem mostrando uma estabilidade em torno de 4.205 mortes desse tipo desde 1998. Não obstante, os últimos anos apresentandos pela Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, 2007 e 2008, vêm mostrando uma leve tendência de queda com 4.592 e 4.525 respectivamente. Correspondendo a uma queda aproximada de 2% na taxa por cem mil, 53,5 em 2007 para 51,8 em 2008.
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