Instituto Maurício de Nassau

31 de Agosto de 2010
Autor Isabel França - Postado em Artigos |

A agenda do século XXI

 
Por Janguiê Diniz - Fundador do Grupo Ser Educacional.

A propaganda política obrigatória na TV e rádio deveria ser um espaço para a discussão de ideias, mas ao invés disso somos persuadidos por guias que recorrem à emoção para conquistar nosso voto. A população é seduzida por música, retórica e belas imagens. As propostas de governo, que deveriam ser os principais determinantes para a escolha do candidato, ficam em segundo plano.

 

Com tantos elementos afetivos, as campanhas políticas e seus marqueteiros poderiam concorrer ao Leão de Ouro de Cannes. Mas não precisamos de mais espetáculos midiáticos. Precisamos de uma agenda pública que atenda à demanda deste novo século. Desenvolvimento econômico atrelado à preservação do meio ambiente, reformas institucionais e mobilidade socioeconômica devem ser as prioridades dos novos governantes.

 

Para atender a estas demandas, o Estado brasileiro precisa sofrer choque de gestão, recorrendo a estratégias tão bem aplicadas pelas grandes corporações privadas, com projetos de desenvolvimento sustentável, valorização de pessoas, indicadores de desempenho e gestão de resultados.

 

É necessário que os servidores públicos sejam incentivos para prover e atender de modo eficiente à demanda social, principalmente nas áreas de educação, saúde e segurança. Não cabe mais o discurso simplista de que mais investimento resolve a oferta de serviços públicos.

 

Novos arranjos institucionais precisam ser criados para incentivar o desempenho da máquina estatal. Entre as reformas institucionais, a reforma previdenciária é a que se faz mais urgente. A queda na taxa de fecundidade e o envelhecimento da população revelam que estamos nos trilhos do desenvolvimento, mas estes avanços sociais trazem consigo desafios para o gerenciamento do sistema previdenciário. Cresce o número de aposentados e o número de pessoas ativas contribuindo com o INSS não avança na mesma velocidade.

 

Antes que o desequilíbrio dos gastos fuja ao controle, é preciso reformar sistema. É impossível pensar o Brasil do futuro sem considerar os temas abordados. Na decisão do voto, vamos dar lugar à razão ao invés de deixarmos ser levados pela emoção das propagandas. O País que desejamos se construí com propostas reais. O resto é cinema.

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