Instituto Maurício de Nassau

19 de Fevereiro de 2009
Autor Inácio Feitosa - Postado em Educação |

A força do conhecimento

Falo do conhecimento científico, da pesquisa propriamente dita. Mentes preparadas desenvolvem não só a academia, mas a sociedade e o próprio país. Pelo menos deveria ser assim. Mas no Brasil as coisas são diferentes. O certo é duvidoso. E a dúvida se transformar em realidade.Vejamos o caso dos cursos de Pós-graduação Strictu sensu, os mestrados e doutorados autorizados pela Capes. A disparidade dos programas e dos cursos pelas regiões brasileiras reflete o grau de desenvolvimento delas. A região Sudeste é a primeira em números de cursos de mestrados e doutorados, respectivamente: 1.350 mestrados (sendo 137 profissionais) e 833 doutorados; seguida pela região Sul com 544 mestrados (sendo 52 profissionais) e 52 doutorados; o Nordeste com 486 mestrados (sendo 40 profissionais) e 195 doutorados; seguida do Centro Oeste com 195 mestrados (destes 17 profissionais) e 77 doutorados; além da região Norte com 119 mestrados (7 profissionais) e 38 doutorados. Quando cruzamos esses dados do MEC/Capes com os do IBGE para a população do Brasil verificamos que a região Nordeste proporcionalmente aos seus habitantes ocupa o último lugar. Mas existe uma clara intenção dessas entidades em concentrar no “Sul maravilha” o desenvolvimento intelectual do país. Sem democratizar o acesso dos mestrados e doutorados das regiões Norte/Nordeste. Registre-se que estados como Pernambuco e Bahia foram pródigos no surgimento do ensino superior brasileiro. Um mestrado em Direito em uma capital nordestina levou alguns anos para ser autorizado devido às constantes exigências da Capes. Em contrapartida, na região Sudeste, vários cursos foram autorizados no mesmo período sem tantas “atenções”, mesmo que ficassem a desejar em relação a sua proposta acadêmica.

2 comentário registrados to “A força do conhecimento”

  1. José Maria Nóbrega comentou:

    Os representantes do MEC sempre advém do sul e sudeste. Pelo menos, das reuniões de docentes que participei com aquele órgão a supremacia é sulista.

  2. Melquisedeque Lima comentou:

    É uma discriminação sem fim. Outrora, o nordeste brasileiro sustentou o país (e outros países, principalmente Portugal) com as riquezas naturais (cana-de-açúcar, pau-brasil, por exemplo). Era a região mais rica e desenvolvida do país e, de tão forte, até uma cidade foi eleita a capital da época colonial (Salvador). Não se dá o devido valor a uma região cheia de potencialidades. Em cada cidade do nordeste existem centros de excelência acadêmica que precisam de fomento para se desenvolverem. Isso é nítido e certo. Daí pergunto: o que impede os “cientistas/técnicos” da Capes de enxergarem isso? Por que restringir o conhecimento em larga escala apenas no sul/sudeste? Com o conhecimento democratizado e distribuído igualitariamente, o país se tornará mais próspero e deixará de ser o lanterninha em produção científica.

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