Instituto Maurício de Nassau

25 de Outubro de 2011
Autor admin - Postado em Artigos |

A morte de um tirano e a reconstrução de um país

Janguiê Diniz – Doutor em Direito, Fundador e Acionista Controlador do Grupo Ser Educacional – janguie@sereducacional.com

Não deixa de ser irônico o fim de Muammar Gaddafi, achado em um buraco, assim como Saddam Hussein – ambos ditadores sanguinários, que, por muitas vezes, decidiam quem deveria viver ou morrer.

Gaddafi foi um tirano selvagem e corrupto. Acusado de crimes contra a humanidade pelo Tribunal Penal Internacional, em sua lista de malfeitos constam assassinato, estupro, terrorismo e roubo de bilhões de dólares em detrimento do povo líbio. Dinheiro pulverizado em paraísos fiscais, empresas amigas, países-sócios e nos cofres da família.

Sua derrota e morte provocaram comentários diversos de líderes mundiais. Ao contrário de Barack Obama que declarou - ‘’ A sinistra sombra da tirania foi dissipada’’-, a presidente Dilma se manifestou dizendo que não se pode comemorar a morte de qualquer líder. Acerta a presidente, ao não apoiar o revanchismo e assassinato – que talvez tenha ocorrido em circunstâncias ainda não esclarecidas - e, indiretamente, ao não aprovar a atuação da OTAN e dos insurgentes líbios que parece ter desconsiderado um princípio basilar do direito – levar a julgamento e respeitar o exercício do contraditório. Afinal, o desrespeito às leis é o que separa as tiranias das democracias. Não se pode fazer justiça por mão própria.

Excetuando as condições de sua morte, é inegável o efeito de pôr fim à guerra Líbia entre os opositores e os fiéis ao ditador e introduzir no mundo árabe, onde sempre predominou o radicalismo islâmico na forma de governo, os valores democráticos pós-Revolução Francesa – liberdade, igualdade e fraternidade –. Espera-se, também, que os líbios se inspirem no modelo de transição da vizinha Tunísia – que elege neste domingo parlamentares constituintes na melhor forma democrática.

A Líbia é um país rico que precisa ser reconstruído, criar um Parlamento, definir uma  Constituição e eleger democraticamente um presidente que lidere a reconstrução e a retomada da produção de petróleo e gás – sua maior fonte de recursos-, algo estimado em US$ 70 bilhões antes da guerra. Recursos cobiçados por países ricos e emergentes, que calaram diante dos crimes e barbaridades do tirano, para disputar os dólares líbios. Estes países, no qual se inclui o Brasil, tem o dever e responsabilidade de apoiar e ajudar na reconstrução e no futuro da Líbia.

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