Instituto Maurício de Nassau

11 de Março de 2010
Autor Isabel França - Postado em Política |

Arruda, uma incógnita e uma perspectiva

Por Roberto Santos - Cientista social, mestrando em Ciência Política, pesquisador do Núcleo de Estudos de Instituições Coercitivas e da Criminalidade e do Núcleo de Estratégias e Política Eleitoral (UFPE) e do Instituto Maurício de Nassau. 
robertosantos@mail.com

 

Hoje faz uma semana que, por 9 votos a 1, o Supremo Tribunal Federal (STF) manteve preso o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), por tentar subornar uma testemunha do esquema de corrupção desarticulado pela Polícia Federal (PF) na Operação Caixa de Pandora. Após analisar o mérito do pedido de habeas corpus em favor de Arruda, apenas o ministro Dias Toffoli votou contra a prisão de Arruda, no caso, a continuidade dela.

A prisão preventiva do governador foi decretada há quatro semanas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), referendando decisão do ministro Fernando Gonçalves tomada a pedido da Procuradoria-Geral da República. Arruda é acusado de montar um esquema para corromper o jornalista Edson dos Santos, conhecido como Sombra, testemunha do esquema de arrecadação e distribuição de propina envolvendo o governo do Distrito Federal, Câmara Legislativa e empresários.

Duas questões se sobressaem nesse episódio. A primeira reside no fato de Toffoli votar a favor de Arruda. Já discutimos antes aqui a estreita relação de Toffoli com o PT. Não consigo compreender quais razões levaram ele a tomar essa posição. A única razão que me vem na mente seria evitar a abertura de um precedente. Um pensamento maquiavélico (no sentido estrategista que cabe ao termo), é verdade, mas não inverossímil.

E daí me vem a segunda questão: o precedente foi aberto. Nunca um governador passou por tal exposição.  Tantos foram os descrentes que a prisão de Arruda fosse durar tanto tempo. Nos jornais e na blogosfera eclodiam os palpites de que Arruda seria solto antes do carnaval. Hoje o clima é outro. Não sei como essa história ira acabar ou quando ele será solto, mas percebo que outra perspectiva ganha espaço na visão das pessoas. Esse caso será uma nova forma de fazer política, mesmo que pelo medo de ser pego? Evidente que não posso responder a isso. Mas certamente esse caso dará à população razões para questionar, pressionar, e acreditar que algo pode ser feito quando futuros gestores públicos quiserem rechear suas meias e cuecas outra vez.

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