Instituto Maurício de Nassau

17 de Março de 2010 às 14:30
Autor Isabel França - Postado em Artigos | 1 Comentário - Comente!

Adutora equaciona questão hídrica no Agreste

 
 

Por Isaltino Nascimento*

 

Pouca gente sabe, mas o Agreste pernambucano é a região do Nordeste que tem mais gente e menos água. Fator que impossibilita a atração de empresas e, em conseqüência, a geração de empregos.

A situação é tão grave que municípios como Pesqueira e Arcoverde estão com o desenvolvimento travado pela falta de água. E cidades como Toritama, Caruaru e Santa Cruz do Capibaribe já se questionavam como manter as atividades têxteis em função da atual estrutura de abastecimento de Pernambuco, que em cinco anos não terá mais capacidade de atender às demandas hídricas.  

Por isso a importância do anúncio da construção da Adutora do Agreste, feito na última terça-feira (16) pelo governador Eduardo Campos em Caruaru, um marco histórico do equacionamento da questão hídrica na região.

A obra da adutora, orçada em R$ 1,5 bilhão, será iniciada no próximo mês de junho e ao após sua conclusão terá capacidade de levar água para quase dois milhões de pernambucanos em 61 municípios do Agreste e do Sertão.

Isso porque funcionará integrada ao eixo Leste da Transposição do São Francisco e terá vazão de quatro mil litros por segundo, que serão distribuídos por 1.030 quilômetros de tubos.

Os passos para a primeira etapa da obra, cujo investimento será de R$ 16 milhões, já foram dados pelo governo, que abriu a licitação para contratar a empresa que ficará responsável pelo projeto básico.

E antes mesmo de ficar pronta a obra já trará benefícios para a região, com a geração de 5,4 mil empregos durante a construção. Esta estimativa está amparada num paralelo com a obra de Pirapama, cujo investimento é de R$ 500 milhões e está gerando 1,8 mil empregos. 

Pelo calendário da obra, que será executada em quatro etapas e deverá levar quatro anos para ser concluída, os primeiros municípios beneficiados serão Pesqueira, Arcoverde, Sanharó, Poção, Angelim, Venturosa, Pedra, Buíque, Tupanatinga, Itaíba, Manari e Águas Belas.

Como bem frisou o governador Eduardo Campos ao falar sobre o significado da Adutora do Agreste, água é vida, é saúde, é a possibilidade de atrair empresas que gerem emprego, que é o que a população daquela região precisa.

 

*Isaltino Nascimento (www.isaltinopt.com.br / twitter/isaltinopt), deputado estadual pelo PT, escreve para o Blog todas às terças-feiras.

15 de Março de 2010 às 09:55
Autor Isabel França - Postado em Artigos | Sem comentários - Comente!

Um novo Brasil

Por Janguiê Diniz – Presidente do Conselho do Grupo Ser Educacional – janguie@sereducacional.com

 

Novos costumes. Novas crenças. Novos valores. Novas ideias. Temos um novo Brasil. Este novo Brasil é especialmente representado por uma nova classe média brasileira, a qual é retratada por Amaury Souza e Bolívar Lamounier no livro “A classe média brasileira – ambição, valores e projetos de sociedade”. É representada, também,   pela pesquisa Tendências da Maioria realizada pelos Institutos Datafolha e Data Popular. Segundo esses trabalhos, a classe C representa a nova classe média brasileira.

Nos últimos anos, lentamente, em razão do crescimento do consumo e da expansão do ensino superior, indivíduos emergiram da classe D para a classe C. Com isto, mais consumidores adentraram no mercado. Mais pessoas - com maior nível de instrução e, por consequência, com maior capacidade para aproveitar as oportunidades do mercado - estão presentes na sociedade.

De acordo com a obra de Amaury Souza e Bolívar Lamounier, a classe C considera a educação como variável que possibilita a mobilidade social – assim como as classes A e B. Isto significa que investir em educação é adquirir crescimento profissional. Este, por sua vez, cria potenciais consumidores. Mais renda, mais consumidores. Menor desigualdade social. Se a nova classe média reconhece a força da educação, assim como as classes A e B já reconheceram, posso apostar no crescimento da economia brasileira.

Amaury Souza e Bolívar Lamounier afirmam, contudo, que os indivíduos, em particular a classe C, reconhecem a importância do diploma universitário. Contudo, eles sabem também que o diploma não é tudo. Neste caso, compreendo que os brasileiros reconhecem as mutações constantes do mercado de trabalho. Deste modo, eles sabem que precisam continuar estudando.

A pesquisa de Souza e Lamounier revela que 55% dos entrevistados da classe C desejam ter o seu próprio negócio. E 45% almejam um emprego estável, com carteira assinada. Estes resultados mostram que uma parte dos indivíduos deseja ser empreendedor. E uma parte menor, mas significativa, deseja a estabilidade. Constato, portanto, que a atitude empreendedora está presente na classe C. Mas também, observo que muitos indivíduos ainda estão à procura da estabilidade, que poderá vir através do emprego público conquistado  através de concurso público.

Pesquisas dos institutos Datafolha e Data Popular mostram que 55% da classe C possuem caderneta de poupança. E 60%, cartão de crédito. Afirmo, com base nestes resultados, que os indivíduos da classe C adentraram no sistema financeiro, buscam crédito e também poupam. Saliento que o ato de poupar contribui para que o estado adquira condições de investir em infraestrutura. 

É importante destacar que a maioria dos jovens brasileiros está nas classes C e D. Sendo assim, é fácil prever que se continuar a expansão da economia brasileira, a classe C aumentará, assim como o mercado consumidor. E, por consequência, a desigualdade social diminuirá.

De acordo com a pesquisa dos institutos Datafolha e Data Popular, 95 milhões de brasileiros fazem parte da classe C. Neste sentido, constato que um novo e promissor Brasil existe. No entanto, o Brasil tem dois desafios: contribuir para que a mobilidade social continui fortemente presente em nossa realidade social e que a classe C não seja a única a receber mais novos indivíduos. As classes A e B também precisam crescer, e a consequência disto será  maior  desenvolvimento e menor desigualdade social.

12 de Março de 2010 às 13:41
Autor Adriano Oliveira - Postado em Artigos | Sem comentários - Comente!

Como vota o eleitor na disputa proporcional?

Existe uma lacuna na Ciência Política brasileira quanto aos estudos sobre a dinâmica das eleições proporcionais. O problema é simples, qual seja: de que modo vota o eleitor na eleição proporcional? Outra pergunta pode ser feita: as variáveis que influenciam o eleitor a escolher o seu candidato na disputa majoritária, são semelhantes as que lhe influenciam na disputa proporcional?

Estes questionamentos são importantes, pois é freqüente no ambiente político o raciocínio de que prefeitos importam para garantir a vitória de deputados estaduais e federais. É claro que importa! Pois prefeitos representam apoio político. E este pode representar votos. No entanto, de que modo os deputados – federais e estaduais – conquistam e mantém os prefeitos?

Li, recentemente, num blog político, que certo candidato tem o apoio de quatro prefeitos para a disputa de deputado estadual em Pernambuco. Diante da notícia, indaguei: de que modo este futuro candidato conquistou estes prefeitos? Quais as ferramentas utilizadas por este postulante para manter os prefeitos sob o seu controle? A Ciência Política ainda não respondeu a estes questionamentos.

É claro que suspeito das ferramentas utilizadas para a conquista e a manutenção de prefeitos. Mas não tenho neste momento condições de explicar sofisticadamente como elas surgem e de que forma são utilizadas. No entanto, diante do aparente desespero de alguns deputados da oposição pernambucana , constato que benefícios advindos da máquina pública interferem na disputa proporcional.

No entanto, mesmo diante da explicação acima, o questionamento persiste: quais os determinantes do voto na eleição proporcional? Estudos mostram que na eleição majoritária a ideologia, a identificação partidária, o bem-estar econômico e administração bem avaliada são variáveis que orientam/determinam a escolha do eleitor. Estas mesmas variáveis explicam a escolha na disputa proporcional?

Explica em parte, pois fortes candidatos ao governo contribuem para a eleição de deputados – outra hipótese. Outro ponto: eleitores votam na legenda. Além disto, candidatos a reeleição na disputa majoritária têm condições de atrair votos para os postulantes da disputa proporcional. Esta afirmação é construída com base na hipótese de que candidatos competitivos na disputa majoritária contribuem para a eleição de parlamentares.

Considero, contudo, que estas variáveis explicam parcialmente a dinâmica numa eleição proporcional. Pois, como já dito, prefeitos importam, já que representam apoios políticos. Deste modo, é necessário verificar de que modo os prefeitos conquistam votos para determinado candidato ao Legislativo. Prefeitos têm o controle da máquina publica. O poder estatal oferta bens públicos. Estes, por sua vez, podem ser distribuídos de modo seletivo. Isto é: nem todos os indivíduos recebem os benefícios públicos advindos do estado.

Esse raciocínio é factível para explicar as razões do poder dos prefeitos numa disputa eleitoral. Outro motivo: com o advento da reeleição, prefeitos bem avaliados podem ser reeleitos. Sendo assim, eles precisam do apoio dos deputados na próxima eleição. Então, o prefeito escolhe um candidato a deputado considerando que ele ao ser vitorioso o ajudará na reeleição. Explicação factível!

Última indagação: existe voto de opinião numa eleição proporcional? Não consigo definir o que seja voto de opinião. Mas, certamente, deve existir, já que existem legisladores que vencem a eleição sem o apoio de nenhum prefeito.

10 de Março de 2010 às 18:27
Autor Isabel França - Postado em Artigos | Sem comentários - Comente!

O sucesso do nosso Carnaval

 

Por Janguiê Diniz - Presidente do Instituto Maurício de Nassau

 

Pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau (IPMN), o qual presido, revela que o Carnaval de Pernambuco é um produto comercial e turístico que precisa ser explorado cada vez mais pelo poder público e a iniciativa privada. O estado deve atuar como gestor do Carnaval. E também deve incentivar a iniciativa privada a explorá-lo comercialmente. Ambos os atores, poder público e iniciativa privada, devem ser parceiros.

A pesquisa do IPMN revelou que o folião gostou do carnaval 2010 em vários aspectos – 93,1% afirmaram que o Carnaval deste ano foi Ótimo/Bom. Destacamos que 84,6% dos foliões aprovaram positivamente o trabalho da Polícia. Aproveito para parabenizar o governador Eduardo Campos pela gestão eficiente da segurança pública no Carnaval.

É importante destacar também que 48% dos entrevistados declararam ter brincado pelo menos uma vez o Carnaval deste ano. Friso que 8,7% declararam que não brincaram o Carnaval em razão da violência. No caso, o possível folião tinha ou tem a expectativa de que, ao brincar Carnaval, ele poderá ser vítima de algum ato violento. Neste sentido, é importante o aprimoramento frequente das ações de segurança.

O transporte público foi muito usado pelo folião – 66,4% afirmaram que usaram transporte público neste carnaval. Neste universo, 88,7% utilizaram o ônibus. Saliento que 80,5% aprovaram os serviços de transporte público. Em contrapartida, 70,5% dos foliões não usaram os serviços de táxi. Dentre aqueles que utilizaram os serviços de táxi, 76,8% aprovaram os serviços.

A pesquisa revela que o Carnaval do Recife Antigo atrai foliões – 53,6% declararam ter brincado carnaval no Recife Antigo. 94,3% desses foliões consideraram o Carnaval do Recife Antigo como Ótimo/bom. A pesquisa mostra que os pólos de folia organizados pela prefeitura do Recife atraem público. O pólo mais frequentado é o do Bairro do Recife. Portanto, a iniciativa do ex-prefeito João Paulo de descentralizar o Carnaval do Recife é louvável. Assim como as ações do prefeito João da Costa no Carnaval deste ano.

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10 de Março de 2010 às 18:19
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Recife e Olinda, irmãs revolucionárias

 

Por Isaltino Nascimento*

 

Cenários de embates históricos desde o período colonial, Recife e Olinda – que na próxima sexta-feira (12) completam 475 e 473 anos, respectivamente – destacam-se por abrigar um povo acostumado com a luta pela liberdade, pela democracia, pelo desenvolvimento sem exclusão e por ser uma gente rica em cultura e tradições.

O que faz com que as duas cidades sejam referência – tanto pela contribuição no passado com a propagação de seus ideais libertárias quanto na atualidade em função participação efetiva de muitos de seus filhos na vida econômica, social, cultural e política do país.
 
As duas cidades também tem vivenciado nos últimos nove anos experiências administrativas diferenciadas. Isso pelo fato de buscarem o diálogo com a sociedade e serem empreendidas por gestões de esquerda preocupadas em democratizar o orçamento de acordo com as necessidades da população.

Desta forma, a parcela formada pelos cidadãos das áreas periféricas tem ampliado sua participação na formatação da política pública dos dois municípios. O que só tem gerado ganhos para as duas cidades pelo conseqüente aumento no investimento em infra-estrutura urbana e atenção social em áreas antes esquecidas.

Isso tem gerado um fator ainda mais positivo: a potencialização do já tradicional poder de organização, de reivindicação e de negociação dos moradores de Recife e Olinda.

Onde há grande número de organizações e movimentos populares que se fazem presentes nas várias instâncias de poder, procurando influenciar na concepção, formulação, implementação, monitoração e controle das políticas públicas.

Esse espírito revolucionário presente em cada recifense e olindense orgulha, pois reflete compromisso da população com as causas coletivas, dando lastro ao controle social.

Por isso, no aniversário de Recife e Olinda os parabéns vão para todos cidadãos e cidadãs que diariamente trabalham, lutam, reivindicam e contribuem para o crescimento e melhoria de vida nas duas cidades.

 

*Isaltino Nascimento (www.isaltinopt.com.br /twitter:isaltinopt), deputado estadual pelo PT e líder do governo na Assembléia Legislativa, escreve para o Blog todas às quartas-feiras.

4 de Março de 2010 às 18:13
Autor Isabel França - Postado em Artigos | Sem comentários - Comente!

Joaquim Nabuco: farol na luta pela igualdade racial

*Por Isaltino Nascimento

 

Voltemos um pouco no tempo, ao final do ano de 1881. Joaquim Nabuco, aos 32 anos, cheio de entusiasmo político, inteligente, idealista, perde a reeleição para a Câmara dos Deputados.

 

Tudo porque fizera de seu assento parlamentar o centro nervoso de uma campanha contra a escravidão, que prometia incendiar o país, mas que acabou atraindo a ira dos escravistas, criando para ele um ambiente desfavorável e desgostoso.   

 

Assim, Joaquim Nabuco optou pelo auto-exílio e estabeleceu-se em Londres, onde escreveu o livro “O abolicionismo”, um clássico brasileiro sobre a escravidão, no qual traçou um retrato impiedoso da sociedade brasileira daquela época.

 

Os olhares enviezados para Nabuco eram ainda maiores porque seus opositores não compreendiam como um homem de berço, nascido em uma família que dava senadores ao país, criado em um engenho da zona canavieira pernambucana, se colocava contra o que os aristocratas consideravam “o motor do país”, ou seja, o uso da força de trabalho dos escravos.

 

Mas foi justamente por ter vivenciado na infância a dura realidade dos negros escravos que brotou sua veia abolicionista. Tanto que ainda estudante, Nabuco defendera um negro, acusado de matar o homem que o açoitara.

 

A causa dos escravos desde então se impôs como um norte, para uma carreira política e intelectual pautada pela denúncia de um país que não podia ser, país impossível, sem futuro e sem presente, que era o país da escravidão.

 

Nabuco percebia, e nisso era sobremodo lúcido, que a perversidade da escravidão não se exercia apenas sobre o escravo, nem sobre a relação senhor-escravo, nem mesmo sobre o atraso a que condenava a economia brasileira. Exercia-se sobre tudo.

 

Essa reflexão era tão profunda, ao avaliar os malefícios da escravidão, no livro O Abolicionista, acabou fazendo um prognóstico dos prejuízos que aquela situação causaria ao país no futuro. No livro, ele diz:

 

“A escravidão impediu o aparecimento regular da família nas camadas fundamentais do país”, entre outras coisas, e “reduziu a procriação humana a um interesse venal dos senhores”. Ela tomou conta de todo o corpo social. Com sua “profunda ação psicológica”, “criou uma atmosfera que nos envolve e abafa a todos”.

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3 de Março de 2010 às 10:56
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Responsabilidade Social Empresarial e o Greenwashing

 

Por Janguie Diniz – Presidente do Conselho do Grupo Ser Educacional  - janguie@sereducacional.com

 

 
A responsabilidade social empresarial virou uma prioridade inevitável para dirigentes empresariais brasileiros. Governos, ativistas e meios de comunicação hoje cobram de empresas a responsabilidade pelas consequências sociais de suas atividades.

Várias empresas estão repensando sua postura ética frente à sociedade. Um novo pensar e agir no âmbito empresarial, dando uma conotação cidadã aos negócios.

Como anda a Responsabilidade Social Empresarial (RSE) no Brasil? O que as empresas brasileiras têm feito de positivo nesta área?  Podemos encontrar esta resposta no relatório Práticas e Perspectivas da Responsabilidade Social Empresarial no Brasil -2008, lançado pelo Instituto Akatu e o Instituto Ethos no final do ano passado. O relatório traça o panorama da RSE no Brasil por meio de entrevistas em um universo de 1.333 empresas brasileiras de todos os portes.

Para nossa alegria, o levantamento revela o aumento significativo, entre 2004 e 2008, no número de ações em RSE praticado pelas empresas brasileiras, mas aponta que se trata de um processo ainda em construção, envolvendo um longo caminho de incorporação de ferramentas e práticas de maneira mais efetiva. A íntegra da pesquisa pode ser baixada neste link: tinyurl.com/rse2008akatu.

A pesquisa avalia um total de 56 práticas e os resultados mostram que, ao todo, 50% das empresas pesquisadas têm ao menos 22 práticas implementadas.  Comparando com estudo realizado pelo mesmo Instituto Akatu em 2004, quando o resultado apontava 11 práticas implementadas por 50% das empresas, notamos um aumento expressivo no envolvimento das empresas com a RSE entre o período de 2004 e 2008.

Os resultados desta pesquisa mostram uma expressiva evolução em algumas práticas em empresas de todos os portes, revelando que, independente do tamanho e importância da empresa, todas estão trabalhando para serem socialmente mais responsáveis.

Programas de RSE altamente visíveis costumam gerar publicidade favorável para a empresa. Por outro lado, há empresas que divulgam práticas em balanço social ou em ações de marketing e propaganda que não condizem com a realidade. A prática do “greenwashing”, ou seja, a criação de uma falsa imagem de que a empresa é “verde” e socialmente responsável, sem que isso corresponda às suas verdadeiras práticas, é lamentável e não logra o consumidor moderno e consciente que quer conhecer e confirmar o que as empresas estão realmente fazendo para a sociedade. Em um mundo de alta visibilidade, esta mensagem terá vida curta ao ser confrontada com o real comportamento da empresa. Embora possa trazer algum ganho no curto prazo, encontrará um consumidor muito pouco disposto a aceitar essa autoproclamação.

Felizmente estes casos são exceções e tendem a desaparecer. O que vale é que o relatório do Instituo Akatu nos premia com um panorama muito favorável às atividades de responsabilidade social das empresas brasileiras que estão se tornando agentes da evolução social e guardiões do meio ambiente.

26 de Fevereiro de 2010 às 10:35
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Qual Estado desejamos?

 

Por Janguiê Diniz – Presidente do Conselho do Grupo Ser Educacional – janguie@sereducacional.com

 

O discurso da candidata Dilma Rousseff no encontro do PT traz a sugestão, dentre outras, de que o Estado precisa ser fortalecido. Fortalecido de que forma? Fortalecer o Estado não significa torná-lo mais eficiente.  Mas torná-lo eficiente significa fazê-lo fortalecido. O Brasil precisa de um Estado eficiente no provimento de bens e serviços públicos.

Não se deve confundir Estado eficiente com Estado inchado. E estado eficiente com estatização ou reestatização.  O Estado inchado é aquele com um grande número de servidores públicos e de cargos comissionados. Mas que não é necessariamente eficiente. Quantidade de funcionários públicos não representa maior eficiência estatal. É importante salientar que mais funcionários públicos, maior a despesa corrente e permanente do Estado.

De 2003 até 2009, o governo Lula contratou cerca de 57 mil servidores públicos. Mais de 29 mil para a área de educação. Em alguns setores, certamente, existia a necessidade. Mas, indago: as contratações tornaram o Estado eficiente? O que deve ser ponderado consiste  se as contratações eram realmente necessárias para os setores contemplados. Outro ponto: como frisei, contratações de servidores públicos criam despesas permanentes. Portanto, é necessário discutir a eficiência do Estado em longo prazo. 

O Estado tem que ter despesas correntes com servidores. Estes precisam ser bem remunerados. Contudo, não se deve desprezar a necessidade do Estado brasileiro em adquirir maior capacidade de investimento, principalmente em áreas vitais, quais sejam: educação básica, segurança pública e infraestrutura. 

Em 2007, 1,7 milhão de vagas nas agências públicas de emprego não foram oferecidas (Folha de São Paulo, 14/02/2010). Diversos estudantes não têm acesso ao ensino superior em razão da deficiência no ensino básico. Portanto, o Brasil do futuro precisa investir com eficiência na educação básica e buscar a qualificação da mão de obra. Como um país pode crescer economicamente sem indivíduos qualificados?

Apagão logístico impede avanço do agronegócio no Nordeste (Folha de São Paulo, 07/02/2010). O agronegócio, em particular a produção de soja, contribui para o equilíbrio da balança comercial brasileira. Mas, em curto prazo, esta contribuição poderá deixar de existir, caso não ocorra forte investimento em áreas portuárias. A precária infraestrutura impossibilita o crescimento do país.

 
Neste sentido, o estado precisa dar a sua contribuição. Bancos públicos devem ser utilizados, em particular o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) e a Caixa Econômica Federal. Este último deve priorizar o financiamento habitacional. Isenções tributárias precisam ser concedidas a empresas que desejem investir em infraestrututa e também em educação – o PROUNI é um exemplo de programa educacional bem sucedido. Parceria público-privada deve ser incentivada.

O Brasil não deve retroceder. Empresas que foram privatizadas precisam continuar como tal. Observem a contribuição que as privatizações do sistema de telefonia e da Vale do Rio Doce trouxeram para a economia brasileira. A reestatização de empresas não é assunto que precisa ser tratado no Brasil. Quanto às novas privatizações, não vejo também  a necessidade delas. O que é necessário, contudo, é que as atuais empresas estatais não sejam usadas politicamente. Com efeito, a prioridade do novo presidente brasileiro é tornar o Estado eficiente. É fazê-lo com que ele seja reconhecido pela a população como imprescindível e não como estorvo.

25 de Fevereiro de 2010 às 08:30
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Valorização da cultura indígena e afro

Por Isaltino Nascimento*

 
O Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas da Universidade Católica de Pernambuco (Neabi) começou a funcionar oficialmente na última terça-feira (23), coroando o trabalho louvável que a instituição vem realizando nos últimos anos no incentivo à promoção da igualdade racial.

 
O Neabi, que funcionará sob a coordenação do padre Jorge Cabral e resulta de parceria da Unicap com o Comitê Estadual de Promoção da Igualdade Étnicorracial (Cepir), certamente servirá de exemplo para outras instituições de ensino superior, públicas e privadas do nosso Estado.

 
Pois nasce com a missão de ajudar na promoção de políticas públicas para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afrobrasileira”, o que está previsto na lei federal 10.639, de 9 de janeiro de 2003.

 
Esse trabalho soma-se a uma série de outros projetos que vêm sendo tocados pela instituição sob a coordenação padre Pedro Rubens, reitor da Unicap, no sentido de sanar uma “dívida de reparação” com os povos indígenas e negros. Como, por exemplo, manter um mestrado em Ciências da Religião, cursos para integrantes de religiões de matriz africana e abrir espaço de debates sobre a questão racial no país.

 
É importante ressaltar este trabalho da Unicap – da qual fui aluno do curso de Ciências Contábeis entre os anos de 85 a 90 –, pois nos tempos em que fui aluno não era possível vivenciar experiências desta natureza. E hoje o que se vê é todo um corpo de professores e alunos com uma visão ampliada sobre a temática, que deixou de ser tabu.

 
Prestigiaram a inauguração do Neabi o ministro da Igualdade Edson Santos e secretário executivo do Cepir, Jorge Arruda, além de representantes do movimento negro, religiões de matrizes africanas e um grande número de pessoas abertas ao diálogo sobre igualdade racial.

 
Com destaque para a presença de figuras emblemáticas das religiões afrobrasileiras no Recife, como é o caso de seu Valfrido, 96 anos, Ogã (uma espécie de sacerdote) do Sítio Paredão, uma das casas de candomblé mais antigas do Brasil, localizada no bairro de Água Fria, e a yalorixá Tia Zeza, 80 anos.

 
 
O padre Pedro Rubens foi muito feliz em sua palestra, na qual tratou sobre a importância do novo núcleo do ponto de vista do ensino, pesquisa e extensão na universidade. O que certamente será um grande diferencial. E não apenas na formação dos alunos da instituição, mas na contribuição para o fomento de um debate de qualidade sobre igualdade racial num Estado que demonstra – tanto por meio do poder público quanto da iniciativa privadas – preocupação com um tema de tamanha pertinência.

 

*Isaltino Nascimento (www.isaltinopt.com.br / twitter/isaltinopt), deputado estadual pelo PT e líder do governo na Assembléia Legislativa, escreve para o Blog todas às quartas-feiras.

22 de Fevereiro de 2010 às 12:05
Autor Isabel França - Postado em Artigos | Sem comentários - Comente!

Alcides e as prioridades do Estado

Por Janguiê Diniz - Presidente do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau - janguie@esbj.com.br

 

Refleti sobre o assassinato de Alcides. Após longa reflexão, cheguei à conclusão de que o Estado brasileiro como provedor de bens públicos está em estado de bancarrota. Talvez seja necessário, assim como sugere Francis Fukuyama, reconstruir o Estado brasileiro. Ele precisa ser dotado de eficiência. Os problemas sociais precisam ser enfrentados.

Sou favorável à educação básica de qualidade para todos. Sou favorável a que todas as mães tenham o direito, ao saírem para o trabalho, de deixarem os seus filhos em creches. Defendo que possamos andar tranquilamente pelas ruas das cidades brasileiras. Torço para que o Sistema Único de Saúde (SUS) seja eficiente, não apenas universal.

Mas como podemos tornar o Estado eficiente? Os meus sonhos podem se tornar realidade? O assassinato de Alcides me faz pôr em realce alguns dos sonhos meus. Assim como a minha mágoa com o Estado brasileiro. Vejam: caso Alcides tivesse tido direito a uma educação básica de qualidade, ele não seria uma notoriedade. Esta chegou até ele em razão da sua origem e da falência do Estado brasileiro como provedor da educação básica.

Quantos morrem assassinados? Quantos morrem por falta de atendimento na rede pública de saúde? Quantas crianças perambulam pelas ruas do Recife? E o acesso dos jovens à educação?

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