” (…) sabemos que não houve ampliação no atendimento das referências de alta e média complexidade”.

Diante da crise histórica da saúde pública em Pernambuco, o BLOG tem procurado entrevistar pessoas da área de saúde. Já entrevistamos João Veiga. Hoje, publicamos excelente entrevista da senhora Célia Arribas, presidente do Conselho de Enfermagem de Pernambuco. A entrevista foi realizada pelo nosso articulista Inácio Feitosa, o qual agradeço.
POR Célia Arribas – Presidente do Conselho de Enfermagem de Pernambuco
1) Como está a saúde pública em Pernambuco?
Apesar de entendermos que ocorreram vários avanços na rede básica do SUS, especialmente no município do Recife, como exemplo, estruturação nas unidades de PSF, implantação das Policlínicas, Academias da Cidade, CAPS, Centros de Atendimentos Psicossociais e Álcool e Drogas, Residências Terapêuticas, entre outros, sabemos que não houve ampliação no atendimento das referências de alta e média complexidade. O problema torna-se de maior dimensão quando falamos das grandes emergências: HR, HGV e HOF, onde há superlotação bem como falta de estruturação dos serviços.
2) Quais as maiores dificuldades dos profissionais de enfermagem?
A enfermagem tem como atividade fim o CUIDAR. É reconhecido, no entanto, o contra-senso pela maneira como é tratada a saúde em Pernambuco. O Capítulo I do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem refere o respeito à vida e a dignidade e aos direitos da pessoa humana em todo seu ciclo vital, sem discriminação de qualquer natureza. Entretanto, nos deparamos com problemas estruturais na rede pública. A Secretaria de Administração, atualmente, adota duas políticas para a mesma categoria profissional, servidores da SES trabalham em regime de 12h por 60h de descanso, conforme a Lei Complementar de nº 084/2006, enquanto profissionais contratados, temporariamente, têm plantão de 12h trabalhadas por 36h de descanso (sistema de rodízio de plantão praticado pelos hospitais privados). Os baixos salários obrigam os profissionais da enfermagem a atuar em várias redes. A falta de uma política sensibilizada para as reivindicações quanto à redução da carga horária para 30h semanais, entre outros.
3) Qual a visão do profissional de enfermagem frente ao sistema CONFEN/CORENS?
Infelizmente, a missão dos Conselhos Profissionais nem sempre tem sido esclarecida com objetividade para a sociedade, inclusive, por muitos segmentos das próprias categorias. A ação dos Conselhos Profissionais se desenvolve no sentido da valorização do diploma, moralização profissional, proteção dos interesses sociais, da legalidade e, principalmente, no resguardo dos princípios éticos. É importante entender que os Conselhos Profissionais se diferenciam de Associações de Classe e Sindicatos, não tem caráter cultural ou recreativo. São entidades de direito público, com objetivo de zelar pelo bem social, fiscalizando o exercício profissional. São Autarquias Federais do serviço público descentralizado da União, dos Estados, dos Municípios ou do Distrito Federal.
4) Como se encontra o COREN/PE após 15 anos de uma única gestão?
Ao assumir no dia 31/10/2008 o COREN-PE foram encontradas algumas incoerências administrativas, culminando num grande desequilíbrio orçamentário. No entanto, com o grande empenho das assessorias e dos colaboradores desta instituição, este quadro esta sendo revertido. Esperamos no início do próximo ano, poder atender as expectativas dos Profissionais de Enfermagem que depositaram em nós sua confiança.
5) O que a senhora pretende desenvolver durante a sua gestão?
Inicialmente, estamos desenvolvendo trabalhos internos, capacitando os funcionários desta autarquia para melhor atender o profissional de enfermagem. No início do próximo ano, estaremos voltados à implantação do estágio curricular para o aluno de graduação de enfermagem em nossa sede, dando a oportunidade destes conhecerem a estrutura funcional do órgão. Aprimorar o Projeto Enfermagem em Cena, reforçando entre a enfermagem o conhecimento referente à LEGISLAÇÃO da profissão. Intencionamos estreitar os laços entre as entidades da enfermagem. Aproximar o COREN-PE através da FISCALIZAÇÃO de todos os hospitais do estado de Pernambuco, iniciando nas grandes emergências. Pois adotaremos a implementação de normas básicas e coordenação das atividades, numa ação conjunta entre a fiscalização e assessoria jurídica deste conselho, obedecendo critérios estabelecidos pela lei que regula o Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, com objetivo de proteger os direitos da sociedade.









