Instituto Maurício de Nassau

5 de Março de 2010 às 20:46
Autor Adriano Oliveira - Postado em Educação | 2 Comentários - Comente!

Cotas raciais para quê?

Continua a discussão desnecessária sobre cotas raciais. O Sisu demonstrou que sobram vagas nas universidades públicas. E recente estudo evidenciou que o Brasil está longe de colocar 30% dos jovens no ensino superior. Por que sobraram vagas nas universidades públicas? Hipótese 1: em algumas universidades e cursos sobram vagas. Hipótese 2: muitos alunos optaram pelo ensino superior privado. A primeira hipótese é factível. Desconfio que exista concentração de alunos por universidades e cursos.  Tenho dúvidas quanto à segunda, mas é possível. Se sobram vagas e o Brasil não atingiu a meta estipulada pelo Plano Nacional de Educação, isto significa que o estado deve incentivar a iniciativa privada a conquistar mais alunos. De que modo: ampliando o Prouni.  Caso a hipótese 1 seja verdadeira, é necessário que o ensino privado auxilie o ensino público. Neste caso, a discussão não deve ser mais localizada, isto é, sobre cor ou sobre a origem social do estudante. O debate deve ser no âmbito de como o estado, por meio do ensino público e privado, pode capacitar mais indivíduos. Nesta discussão, as cotas sociais e raciais não importam. Pois, o que é necessário é o financiamento, por parte do estado, da qualificação dos indivíduos.

2 de Março de 2010 às 11:57
Autor Isabel França - Postado em Educação | Sem comentários - Comente!

Apagão profissional no País

Por Janguiê Diniz – Presidente do Conselho do Grupo Ser Educacional – janguie@sereducacional.com

 

Temos presenciado e participado, desde os anos 90, das transformações estruturais que configuram a globalização econômica. Tanto as mudanças como as crises que enfrentamos nesses últimos anos têm gerado rupturas nas formas tradicionais. Da explosão tecnológica à crise financeira dos últimos anos, não faltaram motivos que nos tirassem de nossa zona de conforto. Muita água rolou debaixo de nossa ponte, e as mudanças foram significativas. Mudamos nossa visão, nossas ofertas, nossos modelos de trabalho, nossas exigências e expectativas. Espelham este novo cenário a crescente integração, a multiplicidade e multiplicação de produtos e de serviços, a tendência à conglomeração e alianças estratégicas entre empresas que buscam avidamente competitividade através do uso das tecnologias informacionais e de novas formas de gestão do trabalho.

Mas, já há algum tempo, os especialistas vêm alertando para um “apagão” profissional no País. Após um longo período de inanição, deitado em berço esplendido, o Brasil voltou a crescer e a enfrentar a carência de mão de obra qualificada em quase todos os setores produtivos. O motivo é o descompasso entre o crescimento da economia, as exigências de maior qualificação devido aos avanços tecnológicos e o descaso histórico com a educação.

Apesar do estrago causado pela crise global na geração de empregos formais em 2009, a oferta de vagas foi a maior da década. No mercado de trabalho para profissionais com nível superior, a falta de candidatos com especialização foi mais crítica ainda. A sobra de vagas nos principais setores produtivos está diretamente relacionada à retomada da economia. Como exemplo, podemos citar o setor da construção civil que, pelo fraco desempenho até 2003, desencorajou a formação profissional. Estudos realizados pela indústria apontam para um aumento do desequilíbrio entre oferta e procura por mão de obra qualificada até 2014, exigindo a formação profissional de cerca de três milhões de trabalhadores por ano para atender a demanda do setor.

O mercado de trabalho chega a 2010 precisando vencer um dos maiores entraves ao seu desenvolvimento: falta de pessoal qualificado. E com um agravante, o gargalo de mão de obra agora se espalha por profissões que atendem a diferentes setores, de engenheiros a educadores e médicos. Não que faltem candidatos interessados em oportunidades abertas pela retomada de investimentos e a chegada de novos players internacionais. Mas, em um mercado que se expande e se transforma simultaneamente, o desafio tem sido encontrar perfis adequados para dar conta das novas necessidades.

O novo mercado exige, cada vez mais, o desempenho do trabalho em equipe, fundamentado em planejamento, pensamento estratégico, visão de negócio e, sobretudo, capacidade de articulação de múltiplas disciplinas. Neste novo contexto, não se trata apenas de integrar disciplinas e conhecimento – são os profissionais que, em última instância, precisam aprender a trabalhar integrados. Em decorrência, as competências comportamentais, como abertura ao aprendizado, resiliência e capacidade relacional, passam a valer tanto, ou até mais, do que as qualificações técnicas e tornam-se um ativo e um diferencial competitivo valioso.

É por isso que atrair, desenvolver e reter talentos é um fator crítico de sucesso para as empresas modernas, onde a gestão profissional de pessoas tem priorizado profissionais que somam competências técnicas e comportamentais, com alinhamento ao projeto da empresa e compromisso com meta. Tanto é que, diante das dificuldades em conseguir profissionais qualificados no mercado, algumas empresas estão buscando talentos dentro das faculdades e universidades. São empresas que acreditam que as mudanças e transformações irão se acelerar. São empresas que lideraram essa década, e que em comum têm a capacidade de transformação e adaptação às novas exigências de mercado.

O mundo mudou. O Brasil mudou para melhor. Enterramos o espectro inflacionário, nossa economia resistiu à crise que abalou a maioria dos países desenvolvidos e a taxa de escolaridade média avançou bastante. Ainda não é a ideal, mas duplicamos o número de pessoas com mais de oito anos de escolaridade e diminuiu pela metade o número de analfabetos. Esse “apagão” profissional no País não será resolvido da noite para o dia, mas o povo brasileiro, mais uma vez, com sua incrível capacidade de adaptação irá, aos poucos, capacitar-se para as novas exigências da mundialização dos mercados.

18 de Fevereiro de 2010 às 13:47
Autor Isabel França - Postado em Educação | Sem comentários - Comente!

Jornalismo quebra barreiras

 

Por Janguie Diniz – Presidente do Conselho do Grupo Ser Educacional – janguie@sereducacional.com

 

O resultado da aprovação do Vestibular da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) abre margens para questionamentos. Não pelo fato de ser este o primeiro ano após a mudança promovida pelo Ministério da Educação (MEC), com a realização do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) como critério para o ingresso em universidades de todo o País. Mas, pela quebra de um estigma, que nos faz perceber a alteração nas decisões dos estudantes em relação aos seus sonhos, suas escolhas.

Há muitos anos o curso de Medicina vinha  apresentando a maior concorrência na UFPE e demais universidades que oferecem o curso no País. Em Pernambuco, essa concorrência chegou, no ano passado, ao seu recorde dos últimos nove anos. A relação foi de 33,1 candidatos por vaga, contra 27,5 registrados em 2002, o pico da concorrência do curso desde o ano 2000. Mas essa realidade mudou, ao menos este ano.

A escolha da melhor candidata da universidade, Bárbara Buril Lins, aluna da Escola do Recife, pelo curso de Jornalismo mostra a quebra desse paradigma. Os estudantes talvez estejam deixando de seguir o sonho de seus pais. Deixando de escolher o curso almejado por aqueles que o educaram e gostariam de ver seus filhos em melhores posições no árduo mercado de trabalho brasileiro. 

Mais que isso, a decisão da estudante melhor colocada na UFPE não apenas revela a vontade dos jovens de seguirem com seus próprios passos como vem em uma hora de polêmica em relação à validade do diploma de jornalismo. O curso ganha força com a colocação no topo do Vestibular no Estado, puxando para cima a auto-estima da categoria, depois da derrubada da obrigatoriedade do diploma, numa decisão do Supremo Tribunal Federal, em meados do ano passado, o que foi posteriormente repensado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal. 

A garota que optou pelo curso de Jornalismo revelou, aos seus 18 anos de idade, que poderia ter escolhido outro qualquer, como Medicina ou Direito, mas a escolha por Comunicação Social se deu porque, segundo palavras dela própria, para ser jornalista é necessário o diploma. Para ser jornalista é preciso ter ética, estudar e preparar-se. Com o resultado no Vestibular, fica a mensagem da estudante de que a profissão requer reconhecimento. E se depender dos jovens que estão se mostrando hoje em dia, esse reconhecimento está próximo, e não apenas do curso de Jornalismo, mas de todos aqueles que possam representar a vontade de vencer. E quando se trata de um estudante que conquistou a primeira colocação na universidade mais concorrida do Estado, essa vontade fica mais evidente e torna-se um grito para quem quiser ouvir.

11 de Fevereiro de 2010 às 18:12
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UPE desclassifica feras matriculados, por telegrama


Por Inácio Feitosa - advogado, coordenador da Confraria da Educação e mestre em educação pela UFPE.

 

O vestibular 2010 da UPE está dando o que falar. Conversei a pouco com uma aluna (prefiro não identificá-la para evitar exposição desnecessária), a qual foi aprovada e matriculada em medicina na Universidade de Pernambuco – UPE, mas desclassificada por telegrama.

A aluna X, após verificar sua aprovação, comemorar com a família e amigos - inclusive seguindo o rito de passagem de raspar a sobrancelha -, foi desclassificada pela UPE, mesmo tendo em mãos a prova de sua efetiva matrícula em medicina.

O motivo da desclassificação teria sido o edital da UPE. Este asseverava que em caso de não-comprovação da condição de cotista, este fera passaria a concorrer com os alunos do sistema universal. Ou seja, o aluno que se candidata à condição de cotista da UPE (20% das vagas), mesmo não comprovando esta condição, passa a ter um privilégio de continuar concorrendo às vagas pelo sistema universal.

Creio que este aluno deveria ser punido e não premiado, posto que, no mínimo, prestou informações não condizentes com a condição de cotista que pleiteava. Causando prejuízos à instituição universitária e aos alunos do sistema universal, classificados e matriculados.

Outros casos passam a surgir e a serem denunciados nos jornais da cidade. E o que é pior: sem nenhuma retratação ou ato que venha compensar os constrangimentos a que estes alunos estão sendo submetidos. Simplesmente a UPE repassa a responsabilidade para o edital, este elaborado pela própria Universidade, querendo livrar-se de quaisquer responsabilidades sobre a questão.

Os alunos do sistema universal matriculados pela UPE não tem quaisquer responsabilidades e não podem ser prejudicados por um erro da Universidade. A matrícula dos alunos é um ato jurídico perfeito, não podendo ser distratado por um simples telegrama, ou por decisão administrativa da reitoria da UPE.

Os alunos do sistema universal matriculados pela universidade tem direito adquirido ao curso, devem ser mantidos nas vagas pela instituição. Cabe ainda, o arbitramento pelo poder judiciário de um valor indenizatório pelos danos morais sofrido pelos alunos vitimados, caso estes queiram promover ações judiciais indenizatórias.

Por se tratar da administração pública e ainda por envolver menores de idade (em alguns casos), o Ministério Público deve promover procedimento investigatório para fazer cessar os constrangimentos absurdos e desnecessários aos quais estão sendo submetidos estes alunos, do sistema universal, do vestibular 2010 da Universidade de Pernambuco.

11 de Janeiro de 2010 às 18:08
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Joaquim Nabuco e a liberdade pela educação

 

Por Janguiê Diniz – fundador do Grupo Ser Educacional.

 

Há 100 anos o Brasil dava adeus a um dos seus ilustres filhos: Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo. Morria o menino do Engenho Massangana, eternizava-se a personalidade que deixou como principal legado o fim do vergonhoso capítulo da história brasileira: a escravidão.

Doze anos antes, na sacada do Paço Imperial, no Rio de Janeiro, o prócere orador faria o mais ansiado discurso de sua vida: “Está abolida a escravidão. Não há mais escravos no Brasil”. Nabuco sabia que os mais de 300 anos de exploração e violência contra milhares de vidas deixariam sua herança, reconhecendo que a escravidão permaneceria por muito tempo como a característica nacional do Brasil.

Mais de um século depois, a população continua presa às correntes da ignorância: 10% de brasileiros analfabetos, 60% das crianças fora do Ensino Fundamental, 77% dos jovens entre 18 e 24 anos excluídos do Ensino Superior. Conterrâneo de Nabuco, Paulo Freire muito bem ilustrou nossa triste realidade educacional, defendendo, com sua Pedagogia da Libertação, que a escolarização das classes oprimidas poderia libertá-las através da tomada de consciência política.

Mas a quem interessa ter uma população crítica, exercendo plenamente sua cidadania? Certamente não a boa parcela da classe de políticos, que dependem desta cegueira intelectual para manter o status quo, garantindo suas posições de senhores de engenho a explorar as senzalas, seus currais eleitorais.  

Apesar do irrefutável impacto da escravidão sobre a população negra e parda até os dias de hoje, em meus escritos venho sendo veementemente contra a adoção de cotas raciais nas universidades. Não é com um tratamento desigual e segregatório, ferindo a Constituição, que iremos quitar nossa divida histórica.

Temos que possibilitar condição de igualdade, oferecendo uma aparentemente utópica educação básica de qualidade. Mas é da utopia que nasce o sonho, motivador de ações. Joaquim Nabuco certamente foi um utópico que desafiou com suas idéias a elite conservadora da época. Precisamos de novos Nabucos para libertar nossa nação da ignorância e promover o pleno desenvolvimento de todos os setores.

28 de Dezembro de 2009 às 15:42
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Estudantes querem punição para os praticantes de bullying, revela pesquisa

 

Nesta segunda-feira (28), o jornal Diario de Pernambuco divulgou pesquisa do Instituto Maurício de Nassau, em parceria com a Confraria da Educação, sobre a prática do bulliyng, termo inglês usado para caracterizar agressões físicas e psicológicas entre alunos. Intitulada “Bullying: prática disseminada e conhecida”, a pesquisa foi realizada com 1.198 estudantes que realizaram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Os dados mostram que 50% informaram saber o que é bullying. Desses, 45,1% conhecem alguém que já foi vítima do abuso. Daqueles que conheciam vítimas de bullying, a maioria apontou a agressão psicológica como a mais comum, ocorrendo em 63,6% dos casos. Já a agressão física, foi lembrada em 27,1% do total e ficou em segundo lugar seguida por furto, com 6,7% dos casos citados. 89,2% dos entrevistados afirmaram que o agressor deve sofrer alguma pena. Clique aqui para ter acesso a pesquisa completa.

23 de Dezembro de 2009 às 09:43
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Pela inclusão na formação superior

 

Por Janguiê Diniz – Presidente do Conselho do Grupo Ser Educacional – janguie@sereducacional.com

 

Imagine um bacharel em comércio exterior, recém saído da faculdade, sem experiência prática, assumir um importante posto de trabalho. Imagine um economista recém formado, também sem experiência, assumir um cargo em um grande banco de investimentos. É quase impossível que isso aconteça. Porque o estágio profissionalizante faz parte do currículo da maior parte dos cursos de graduação e possibilita ao formando colocar em prática a teoria que aprendeu em sala de aula. A formação acadêmica moderna está centrada mais na constituição de competências, habilidades e disposições de condutas do que pela quantidade de informação. Isso representa que o aluno aprende a aprender, a pensar, a relacionar o conhecimento com dados da experiência cotidiana, a dar significado ao aprendido, a fazer a ponte entre a teoria e a prática, além de fundamentar a crítica e argumentar com base em fatos.

 

Agora imagine o contrário. Um profissional da área de informática, com vários anos de experiência, com habilidades e competência para assumir um cargo de gerência, mas sem formação superior.

 

Sim, concordo que há empresas que retêm esses talentos independente de sua formação acadêmica, mas são exceções. Para fazer carreira, é necessário - além de muita competência - ter uma sólida formação acadêmica e conhecimento multidisciplinar.

Assim como o jovem recém formado tem o estágio profissionalizante como uma ferramenta para seu ingresso no mercado de trabalho, o profissional experiente, sem formação superior, pode validar suas habilidades e competências para lhe proporcionar formação acadêmica e cultura abrangente. 

 

Explico melhor. Há mais de 20 anos, é utilizada com sucesso, em vários países europeus e na América do Norte, uma metodologia de ensino fundamentada no aprendizado pelo trabalho - Work-Based Learning.  Nele, as competências e habilidades do profissional são validadas e o próprio trabalho e o seu ambiente são utilizados como case e programa de aprendizagem.

A experiência e o dia a dia no trabalho é tão importante na aprendizagem como a teoria que é aprendida na sala de aula. Paulo Freire já dizia que é preciso trabalhar a realidade do cotidiano do estudante para uma efetiva aprendizagem.  A fundamentação teórica é complementar a aprendizagem prática.  É o aprender fazendo, com o aprender pensando a respeito do que está sendo feito. E isso se aplica tanto ao estágio profissionalizante, quanto ao Work-Based Learning.

 

Essa metodologia, além de conduzir a uma aprendizagem sustentável, leva o profissional à aquisição de novos conhecimentos, os quais são construídos e conectados com os conhecimentos já existentes.

 

Há que se destacar o importante papel dos gestores de pessoas e carreiras das empresas, que são responsáveis pela validação das habilidades e competências dos funcionários, junto com o professor-tutor, que facilita e auxilia a aprendizagem sem ser a fonte primária de informações, explorando e estimulando o pensamento dos funcionários- estudantes.

 No Brasil, mais de 70% dos adultos trabalhadores não possuem formação acadêmica, mas possuem ampla experiência profissional em diversas áreas. A proposta da educação pelo trabalho é oferecer uma nova alternativa de aprendizagem para adultos trabalhadores.

O ensino superior brasileiro vem se liberando de preconceitos e conservadorismo. Um grande exemplo disso é a disseminação da educação a distância (EAD).   O Work-Based Learning é uma das alternativas para a inclusão de jovens e adultos trabalhadores no ensino superior.

 

Com esta nova metodologia, todos têm a ganhar: estudantes, professores, faculdades e empresas, alem (é claro), do próprio país que pode se orgulhar em ter uma população adulta trabalhadora com cursos superiores nas respectivas áreas de trabalho. Educação vem sempre em primeiro lugar e não faltam oportunidades e alternativas de aprendizagem para quem quer e precisa aprender.  O Work-Based Learning é um bom modelo para ser implementado e oferecido como opção aos brasileiros, ainda sem formação superior.

18 de Dezembro de 2009 às 10:51
Autor Isabel França - Postado em Educação | 2 Comentários - Comente!

Reforma do Estado e a UPE

 

Por Inácio Feitosa - Advogado

inacio@esbj.com.br

 

 

O governador Eduardo Campos tomou decisão acertada ao terceirizar a administração dos novos hospitais públicos. Embora diversas entidades tenham ficado contra a medida, Campos a tomou em razão de ter descoberto que a gestão dos hospitais realizada pelo Estado não possibilitava atendimento eficiente para o público. O Estado precisa ser eficiente na provisão de bens públicos.

Indivíduos quando procuram o estado têm a expectativa de ser bem atendido. Infelizmente, historicamente, os serviços públicos no Brasil não são reconhecidos como eficientes. Ao contrário: o estado brasileiro prover serviços públicos, mas de péssima qualidade. As razões são diversas para tal comportamento. Como a estabilidade e o corporativismo do servidor público, o clientelismo e a ausência de definição de prioridades por parte do próprio estado.

Desde o governo FHC, o tema Reforma do Estado veio à tona. Bresser Pereira deu início à reforma do estado em nível federal. Mas se deparou, como bem mostra o professor Flávio Resende, em seu livro “Por que as reformas falham?”, com diversas dificuldades. Em razão delas, o estado não acelerou o processo de reforma devido. Contudo, o tema Reforma do Estado passou a fazer parte da agenda dos seus governantes.

Minas Gerais, São Paulo e Pernambuco, por exemplo, iniciaram a Reforma do Estado com o objetivo de torná-lo mais eficiente. Estes estados são hoje exemplos de equilíbrio fiscal, eficiência no provimento da segurança pública e da educação. Apesar das reclamações corporativas, estes estados avançam. E a sociedade agradece.

Contudo, em determinados instantes, reflito sobre esses avanços, pois receio que ocorra retrocesso. Por que a Universidade de Pernambuco (UPE) deve ser gratuita? Antes, os alunos pagavam pequeno valor para lá estudar.Certamente, o estado subsidiava o restante necessário. Em razão da decisão do governador Eduardo Campos desconfio quanto a eficiência da UPE em oferecer ensino com qualidade.

Não sou contra a existência de universidades públicas gratuitas. Contudo, sou contra a universalidade da gratuidade. Sou favorável que o estado subsidie o ensino superior, tanto público como o privado. Mas que cobre qualidade de ambos.Entendo por qualidade o princípio de que as instituições de ensino devem oferecer ao mercado profissionais qualificados.

Observo que a decisão do governador Eduardo Campos possa representar retrocesso para UPE, pois tenho a preocupação de que o estado terá que prover mais recursos para manter a qualidade ou buscar a qualidade tão desejada. Todos nós sabemos das limitações fiscais do estado de Pernambuco. Diante dos avanços da Secretaria de Educação, os quais foram trazidos pelo brilhante secretário Danilo Cabral, vejo a decisão de tornar gratuita a UPE um retrocesso, pois ela não é garantia de melhoria das condições de ensino.

Talvez fosse mais adequado para a UPE, a implantação do modelo de gerenciamento dos novos hospitais de Pernambuco.Organizações sociais administrariam a UPE e os seus alunos, por sua vez, pagariam mensalidades. Os que não tivessem condições teriam direito à gratuidade. O estado continuaria a subsidiar a instituição, em particular o desenvolvimento de pesquisas.

As críticas e sugestões contidas neste artigo têm o objetivo de incentivar a reflexão. Pois como educador, constato que seja necessário um novo modelo para a educação superior do Brasil.

30 de Novembro de 2009 às 11:31
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Iniciativa privada e educação

Janguiê Diniz – Presidente do Instituto Maurício de Nassau – janguie@mauricionassau.com.br

Não restam dúvidas quanto ao fato de que o poder estatal deve ser o responsável pela oferta da educação. A Constituição Federal  em seu art. 205 vaticina ser a  “educação, direito de todos e dever do Estado…” Então, o estado precisa fornecê-la. Contudo, isto não significa que só o estado deve prover educação. A iniciativa privada tem o seu papel, inclusive em razão de que nem sempre o estado – em razão de diversos motivos, entre eles, o fiscal – tem condições de prover educação de qualidade para todos. É o que estipula o art. 209 também da Constituição Federal quando frisa que “o ensino é livre à iniciativa privada…”.

Diante da limitação fiscal, surge a indagação, que é eterna: em qual nível educacional o estado deve priorizar o investimento? Ensino básico, ensino médio ou ensino superior? Ou o estado deve ser responsabilizado por todos os níveis?  Acho que não. Basta analisarmos o disciplinado no artigo 208 da Constituição Federal , que chegamos à conclusão de que o Estado deve priorizar a educação básica, deixando a superior para a iniciativa privada.

Priorizar a educação básica representa a criação da igualdade de condições. E, por consequência, o surgimento da igualdade de oportunidades. Indivíduos com condições de aprendizados semelhantes poderão estar com aptidões similares no futuro. Neste sentido, a desigualdade social tende a não ser exacerbada.

Por outro lado, oportuno enfatizar que também existe um componente moral. O estado, considerando a definição de estado moderno de Max Weber, deve ser imparcial e impessoal.  Este é o tipo ideal do estado weberiano.  Portanto, o estado deve ser instrumento para reduzir a desigualdade entre os indivíduos. Considerando que a educação é ferramenta eficiente na amenização das desigualdades sociais, o estado deve optar, portanto, por oferecer educação básica  de qualidade a todos.

No entanto, faz-se  necessário ao estado definir prioridades, pois a sua condição fiscal não lhe permita investir adequadamente em todos os níveis educacionais. É diante desta questão que surge a necessidade da iniciativa privada ofertar educação, principalmente a superior.

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4 de Novembro de 2009 às 15:23
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Bullying é tema da Confraria da Educação

 

Nesta sexta-feira (06), a 19° Confraria da Educação discute um tema que precisa ser analisado e urgentemente combatido nas instituições de ensino: o Bullying. Para falar sobre o assunto, estarão presentes o advogado educacional Inácio Feitosa, os professores Rafael de Menezes e Ary Avellar e a psicopedagoga Simone Bérgamo. As três últimas personalidades serão agraciadas com a Comenda Confraria da Educação. Durante o evento, o Instituto Maurício de Nassau aplicará pesquisa com os educadores presentes sobre o tema. A Confraria será realizada no restaurante Boi Preto, às 12h.

As opiniões postadas neste blog não refletem necessariamente a posição deste Instituto.

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