Instituto Maurício de Nassau

12 de Março de 2012 às 11:46

Muito além da banda larga

O Fundador e Acionista Controlador do Grupo Ser Educacional, Janguiê Diniz, comenta sobre a popularização do acesso à internet.

O Brasil quer se preparar para o grande número de turistas que estarão em solo verde-amarelo em 2014. No tocante ao acesso à web, estima-se que o volume de visitantes que terão interesse ao uso da internet seja grande. É preciso investir neste segmento. Esta semana, a presidente Dilma Rousseff anunciou que injetará pelo menos R$ 200 milhões em 12 cidades-sede voltados para a telefonia móvel. Boa iniciativa. Mas a conversa é antiga, pouco se avançou, e o Brasil tem pressa.

Com a realização da Copa do Mundo no país, é primordial que se perceba que muito ainda precisa ser feito onde ocorrerão os jogos mundiais. Seja na infraestrutura das cidades, com melhoramentos em portos, aeroportos e mobilidade urbana, seja na segurança, saúde ou educação. Mas estamos falando de um público o qual não conhecemos, mas que será, no mínimo exigente. Os turistas, de todo o mundo, que aportarão aqui, são bem informados e, antes mesmo das necessidades de locomoção, segurança ou lazer, estarão conectados à internet.

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19 de Maio de 2010 às 17:01
Autor Isabel França - Postado em Internacional | Sem comentários - Comente!

Entre a síndrome de Munique e o Nobel da Paz

Por Thales Castro*

Permitam-me uma breve explanação do título de nossa análise sobre a diplomacia brasileira em Teerã no entorno do armamentismo nuclear iraniano. A Síndrome de Munique se refere ao encontro histórico do Primeiro Ministro britânico Neville Chamberlain com Hitler, em setembro de 1938, e à assinatura dos termos de autorizar a anexação nazista às regiões germânicas da Tchecoslováquia em troca de ter a paz na Europa. Ou seja, houve um jogo de mentiras atrelado à extorsão de Hitler, às principais potências européias, de que, se concedida essa expansão, a Alemanha iria, em boa fé e em transparência, cumprir com o pacto assinado de não mais promover qualquer outra forma de anexação, invasão ou violação do Tratado de Versalhes de 1919.  Ledo engano! O triunfalismo inicial de Chamberlain logo cedeu lugar à decepção generalizada pelas novas invasões e novas ameaças e extorsões de Hitler. Menos de um ano depois, a Segunda Guerra Mundial iria se iniciar, precisamente, em 1 de setembro de 1939, perdurando até maio de 1945, na Europa, e até agosto daquele ano no Pacífico. Em síntese, a Síndrome de Munique é um exemplo de excessiva confiança de terceiros a países que, claramente, não possuem um histórico recente de credibilidade e confiabilidade, podendo ser muito prejudicial a todos Estados envolvidos.

Poderíamos correlacionar o acordo obtido em Teerã com a crença na boa fé, na transparência e no princípio jurídico do pacta sunt servanda (os pactos devem ser cumpridos integralmente) com a incapacidade de, verdadeiramente, honrar tais compromissos internacionais de alguns países? Será que o não-cumprimento há quase um ano, pelo Irã, do compromisso assumido publicamente, em Genebra, de transferir parte de seu urânio enriquecido para terceiros países, seria razão de atrelar uma possível Síndrome de Munique à engenharia diplomática brasileira e turca? Será um jogo político-diplomático envolvendo o Brasil e Turquia para ganhar mais tempo contra novas sanções do Conselho de Segurança da ONU por parte do regime dos aiatolás? Os cinco países permanentes do CSNU (EUA, Rússia, França, Reino Unido e China) acreditam que sim: esta seria uma medida protelatória, camuflada e maquiavélica de Teerã. O Itamaraty pensa ao contrário, tanto é que empreendeu grande esforço para evitar novas sanções, que acabou sendo em vão, pois o CSNU estará, em breve, aprovando nova resolução mais dura de ampliação das sanções já existentes.

Há estudos em ciência política e em Relações Internacionais que questionam a eficácia, no curto prazo, dos regimes de sanções contra determinados países. A lógica explicativa é a de que estas não são significativamente eficazes e efetivas na mudança de comportamento das elites políticas nacionais. De toda maneira, a ampliação das sanções é um balde de água fria no Itamaraty. O Brasil está começando agora a empreender posicionamentos mais críticos e incisivos – com claro viés ideológico de esquerda – e visualizar seus custos políticos e operacionais. Ou seja, as Relações Internacionais operam uma lógica de troca de capitais de força-pder-interesse com claros e imediatos feedbacks de causalidade. Corre o risco de que a emergência de um país que é já líder na America Latina possa ofuscar um senso de realismo comedido à trajetória histórico-diplomática do Brasil ao longo de décadas.

Será que a diplomacia brasileira está somente se pautando na egolatria narcísica de Lula como um grande chefe de Estado de grande popularidade mundial? Será que almejar o prêmio Nobel da Paz para Lula– comenta-se de forma discreta nos corredores do Itamaraty – em razão dessas iniciativas seja a real finalidade de toda essa arriscada engenharia diplomática nacional? Será que a diplomacia brasileira, diante da reação imediata e aguda dos membros permanentes do CSNU esteja, cada vez mais, rumando para uma dicotomia: ou uma humilhante e perigosa Síndrome de Munique ou o Nobel da Paz? Ainda não sabemos de todo. Vários editoriais de jornais estrangeiros, incluindo o Der Spiegel alemão e o El País, acham que o Brasil está começando a trilhar um caminho delicado, controverso e de elevadíssimo custo político para o país. Aguardemos as respostas de tais questionamentos que estarão nas próximas jogadas no complexo tabuleiro de xadrez da política internacional e da diplomacia do Oriente Médio.

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Thales Castro é doutor em Ciência Política, bacharel e Mestre em Relações Internacionais pela Indiana University of Pennsylvania, EUA. Professor e Assessor de Relações Internacionais da Reitoria da UNICAP. Coordenador do Curso de Relações Internacionais da Faculdade DAMAS.

11 de Maio de 2010 às 17:24
Autor Isabel França - Postado em Internacional | 1 Comentário - Comente!

A UE e seus dilemas na zona do Euro

 

Por Thales Castro*

 

Nas Relações Internacionais recentes, merece atenção o esforço empreendido, desde o final da segunda guerra mundial (1939-1945), não somente no contexto de sua reconstrução por meio do Plano Marshall (1947-1952), mas também para encontrar meio de superação do longo conflito franco-germânico e unificar a Europa. Árduo e longo foi o caminho percorrido pela Europa ocidental para conformar e equacionar suas problemáticas internas de formação do conceito de Estado nacional e seu relacionamento intra-europeu. Longo e dificultoso foi encontrar a fórmula adotada pelo Plano Schumann-Monet também corroborado pelo chanceler da Alemanha Ocidental Konrad Adenauer durante a década de 50. A audaciosa engenharia política integracionista européia representa a transformação factível do projeto de Estado-nação, redefinindo o paradigma de Westphalia (originado no Tratado de Paz de Westphalia de 1648) que criou as engrenagens da soberania estatal como cerne das Relações Internacionais. O “projeto” que muitas vezes se confunde com “processo” europeu é profundo, marcante, contundente e, de acordo com suas especificidades, pode servir de análise para as transformações em curso.

 

Não quero com isso dizer que devemos, como se faz com freqüência nas terras brasileiras, incorporar acriticamente as “fórmulas estrangeiras” para solucionar problemas endógenos, nem tampouco quero dizer que os arranjos políticos e decisórios do Velho Continente após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) representem, necessariamente, a melhor estratégia para o Mercosul que enfrenta sérios entraves ao seu funcionamento. Desejo apenas delinear, no transcurso de celebrações pelos 50 anos da assinatura do Tratado de Roma com os seis países fundadores (Bélgica, Luxemburgo, Holanda, Itália, França e Alemanha Ocidental) do então Mercado Comum Europeu (MCE), sua trajetória culminando na União Européia (UE) com 27 Estados-membros atuais com uma moeda conversível das trocas comerciais mundiais, o Euro.

 

Importante logo salientar que não é objetivo deste brevíssimo artigo esgotar tema tão complexo, nem fazer apologia europeísta à política externa brasileira em meio a uma indefinição do Itamaraty de posicionamento quanto sua liderança (sic) na América do Sul. Aliás, parece-me que o tema da “liderança” brasileira no esteio do envio das tropas militares ao Haiti a partir de 2004 com a MINUSTAH (Missão de Assistência da ONU ao Haiti) está se reduzindo ao ponto de não mais considerar como item na agenda externa diplomática. A posição oficial do zeloso Itamaraty foi sempre de rejeitar, veementemente, esse tema em fidelidade ao paradigma Rio Branco que deplora qualquer tipo de ingerência ou de exercício de hegemonia por parte do Brasil entre os países da América do Sul e Latina. Mas, voltemos ao projeto / processo europeu com seus fundamentos históricos e desdobramentos hoje.

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