70,5% dos recifenses se declaram consumidores dos “piratex”

O Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau realizou lavantamento sobre o consumo de produtos piratas na cidade do Recife. O Instituto ouviu 816 pessoas da Região Metropolitana do Recife nos dias 27 e 28 de julho. A margem de erro da pesquisa é de 3,5%. Clique aqui pata ter acesso ao relatório completo.
Por Roberto Santos - Cientista social do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau
Faz-se necessário esclarecer quanto ao objetivo da pesquisa. Ela tratou de produtos piratas, ou seja, nos referimos ao desrespeito aos contratos e convenções internacionais onde ocorra cópia, venda ou distribuição de material sem o pagamento dos direitos autorais, de marca e ainda de propriedade intelectual e de indústria. Desta forma, exclui-se o comércio puramente de contrabando. Claro que a pirataria é uma forma de contrabando, mas essa distinção é fundamental.
No geral, 70,5% da população se declara consumidor de produtos piratas. Quando cruzamos esse dado com a faixa etária, notamos uma relação entre juventude e consumo de produtos piratas. Entre 16 e 34 anos, o percentual varia entre 87% e 89%. Já entre os idosos, ficou em 36%. Quando observamos o cruzamento do consumo com classes sociais, notamos um forte percentual concentrado na classe C (80%). Como sozinha a classe C corresponde a 62,8% de população do Recife, ela é a grande impulsionadora da média geral de consumidores de produtos pitaras. Sendo assim, pode-se dizer que o perfil majoritário de consumidor desse seguimento são jovens da classe C.
71,6% dos consumidores de produtos piratas adquiriram a mercadoria a menos de um mês. Esse dado revela que essa é uma modalidade de comércio que está plenamente em funcionamento. DVD e CD são os produtos mais comprados pelos consumidores de pirataria, 89% e 84%, respectivamente. E também estes são os produtos mais citados para compras futuras.
Os principais pontos de compra ficam no centro do Recife, apontado por 34,8% dos consumidores. O preço é a principal razão para o consumo de produtos piratas para a maioria dos consumidores, 46,6%. O pagamento é sempre feito em dinheiro ou “fiado” (crédito informal). Característica comum no comércio informal. Apenas 28,8% da população afirmam saber a origem dos produtos piratas. Paraguai (51,3%) e China (25%) foram os locais mais citados de onde se originam os produtos piratas.
Os recifenses mostraram relativo conhecimento dos problemas gerados pelo consumo de produtos piratas. Em questão “aberta” (na qual se responde de maneira espontânea), 14,1% citaram sonegação, para 7,5% pirataria gera desemprego formal, e para 7,1% ela gera prejuízos para profissionais [que são pirateados]. Entretanto 49,6% não souberam responder quais problemas são gerados pelos produtos piratas. Todavia, 93,6% da população tem consciência que vender produtos piratas é crime, e 73,7% sabem que comprar também é crime.













