Instituto Maurício de Nassau

1 de Novembro de 2010 às 14:29
Autor Adriano Oliveira - Postado em Eleições 2010 | Sem comentários - Comente!

A eleição de Dilma

Por Adriano Oliveira

A eleição de Dilma representa mais uma ruptura com as estruturas que inibem o progresso socioeconômico do Brasil. As ações de FHC, em particular as privatizações, enfraqueceram a prática patrimonialista no interior do estado brasileiro. A vitória de Lula mostrou simbolicamente que a mobilidade social existe no Brasil e que os “de baixo” podem chegar ao poder numa sociedade hierárquica.  O sucesso eleitoral de Dilma contribui ainda mais para o enfraquecimento da hierarquia social. Neste caso, a hierarquia de gênero.

Os determinantes clássicos que elucidam a escolha eleitoral, apesar dela ter vencido no segundo turno, explicam o sucesso da petista. Dilma venceu em razão de ter Lula ao seu lado. Lula é um governante aprovado pela população brasileira, proporcionou bem-estar econômico aos brasileiros, e é do PT, partido admirado por parte dos eleitores.

Mas Dilma, ao contrário dos que muitos achavam antes da campanha, não é incompetente. E nem sofre de paralisia gerencial e intelectual. Dilma foi vendida pelo marketing como gestora competente. E o eleitor acreditou nesta promessa. Cabe a ela tornar o estado eficiente. O discurso de Dilma após eleita sugere que ela tem ideias próprias, algumas, inclusive, que contradizem com parte da “intelectualidade” do seu partido.

Dilma defendeu a liberdade de expressão, a gestão pública eficiente, o fortalecimento do mercado interno e a interação econômica com outros países. Estes temas foram abordados de modo tímido pela candidata na campanha. E a defesa intransigente da liberdade de expressão não estava no seu programa inicial de governo. Ao abordar estes temas após eleita, Dilma mostra que não depende exclusivamente do PT e do presidente Lula para governar.

Dilma tem dois desafios. O primeiro é saber lidar com os interesses patrimonialistas da sua ampla base partidária. Dilma não pode lotear o estado desconsiderando a competência e a conduta do ator nomeado. É infantil acreditar que Dilma ou qualquer outro presidente tenha condições de governar sem construir o presidencialismo de coalizão. Mas Dilma pode tentar fazer diferente. Neste caso, reconhecer o estado como organização em que os interesses privados não podem contaminá-lo.

O presidente Lula poderá ser um problema para Dilma. Lula sairá do governo nos braços do povo. Lula a elegeu. Diversos brasileiros atribuem as suas conquistas econômicas a ele. Portanto, Dilma, sempre que for ao espelho refletir sobre a eficiência do seu governo, poderá ver a sombra de Lula. Este, por sua vez, em razão de alguma insatisfação, poderá opinar sobre Dilma. Com isto, sem intenção ou não, desgastar a imagem da sua criatura.

Dilma deve assumir o governo pensando em ser reeleita. Com isto, ela descobrirá que precisa se distanciar politicamente do presidente Lula. Ele pode ser seu amigo e até conselheiro. Mas nunca um ator que atua em sua sombra. Dilma precisa mostrar aos brasileiros que tem autonomia em relação a Lula e sabe lidar com o PT ou com qualquer outro partido. Dilma, diante de uma forte oposição que sofrerá, precisará dialogar e respeitar as instituições. Dilma deve enxergar o Brasil como uma nação integrada por um só povo independente da preferência partidária.

27 de Outubro de 2010 às 09:23
Autor Adriano Oliveira - Postado em Eleições 2010 | Sem comentários - Comente!

O que ocorrerá no próximo domingo?

 

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Por Adriano Oliveira

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Por que desconfiar dos institutos de pesquisas? Costumo afirmar que as pesquisas erram em razão dos analistas de pesquisas. Muitos destes não interpretam adequadamente as pesquisas e incentivam a imprensa e a opinião pública a cometerem erros. A imprensa, por sua vez, erra ao olhar apenas o percentual de votos, e desconsidera outros fatores importantes. Muitos analistas fazem o mesmo.

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Não considero que os institutos de pesquisas erraram na disputa presidencial do primeiro turno. Era visível, desde o início de setembro, oscilações positivas da candidata Marina Silva. Os acasos, os quais costumeiramente ocorrem nas disputas presidenciais, surgiram, e o caso Erenice e outros fatos, possibilitaram que Serra fosse para o segundo turno. Isto era previsível. Porém, muitos optaram por enxergar e analisar apenas a intenção de votos. E esqueceram de construir hipóteses.

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Neste instante, todas as pesquisas eleitorais mostram que Dilma Roussef é favorita a vencer a disputa pela presidência. A vantagem da candidata do PT em todas as regiões do Brasil, com exceção do Sul, de acordo com a última pesquisa do Datafolha, me faz afirmar, neste instante, que Dilma é favorita a vencer a eleição.

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Deve-se considerar que a vantagem ampla que Dilma possui no Nordeste e a mínima vantagem que ela tem no Sudeste sobre Serra, anulam, em parte, a esperança deste em vencer o pleito eleitoral. Serra precisa obter larga vantagem no Sudeste para vencer a disputa. Destaco, ainda, que Dilma tem ampla vantagem junto aos eleitores com ensino fundamental – 55% versus 32%. E mínima vantagem, considerando a margem de erro, junto aos eleitores que têm ensino médio – 47% versus 41% (Pesquisa Datafolha, 25/10).

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Portanto, diante dos fatos apontados, além de que Serra e Dilma estão estáveis em variadas pesquisas, considerando a variável intenção de votos, afirmo que Dilma é favorita a vencer a competição eleitoral. Porém, nem sempre o favorito vence. Por obrigação, já que faço análise, é importante sugerir alguns cenários possíveis, os quais, friso, devem ser encarados como hipóteses.

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Cenário 1: Dilma ou Serra têm desempenho sofrível no último debate. Este, por sua vez, tem considerável audiência. Surgem ondas de opinião negativas para um dos candidatos, as quais serão repercutidas na escolha do eleitor.

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Cenário 2: A abstenção é alta no Sudeste e entre os eleitores com maior renda e nível de instrução. Por outro lado, a abstenção é baixa ou normal no Nordeste e entre os eleitores com menor renda e nível de instrução. Com isto, a diferença entre Dilma e Serra amplia-se, e a petista vence a eleição.

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Cenário 3: A abstenção é pequena no Sudeste e entre os eleitores com maior renda e nível de instrução. Por outro lado, a abstenção é alta no Nordeste e entre os eleitores com menor renda e nível de instrução. Com isto, a diferença entre Dilma e Serra diminui. E em razão de ondas de opinião negativas contra Dilma, provocadas pelo último debate, Serra vence no Sudeste e no Sul por ampla margem de votos – não desconsidero a força de Aécio e Alckmin.

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O melhor cenário para Dilma é o dois. E, claro, ela precisa ter um bom desempenho no último debate. O melhor cenário para Serra é o três. Saliento que 8% dos eleitores estão indecisos e 5% pretendem votar Branco/Nulo ((Pesquisa Datafolha, 25/10). Tanto Serra como Dilma poderão conquistar parte destes eleitores.

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Considerando os cenários postos, é possível e real a vitória de Dilma. Mas não descarto o sucesso eleitoral de Serra, em razão do cenário três.

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Caso o costureiro de Dilma ligue para mim perguntando se já pode fazer o vestido da posse, eu recomendarei calma. E se o de Serra me ligar? Eu recomendarei muita calma e desejarei muita sorte.

21 de Outubro de 2010 às 17:40
Autor Isabel França - Postado em Eleições 2010 | Sem comentários - Comente!

A esperança do alto nível

 

O novo debate dos presidenciáveis na região Nordeste já está marcado: na próxima quarta-feira (27), os candidatos à presidência da República Dilma Rousseff (PT) e José serra (PSDB) estarão frente a frente discutindo suas propostas para a região. A TV Jornal e mais nove afiliadas do SBT Nordeste irão transmitir ao vivo o debate que será realizado em Salvador, no estúdio da TV Aratu. O primeiro debate foi realizado no Recife, no dia 20 de setembro, onde a candidata Dilma foi a única ausente, fato que repercutiu em críticas a candidata, além de discussões rasas de todos os demais candidatos sobre o Nordeste, revelando desconhecimento e todos eles sobre a realidade da região. Agora, a expectativa é de que o debate seja de alto nível, com propostas reais para o Nordeste e sem agressões pessoais, fato bem diferente dos casos que estamos presenciando nesta campanha, onde a militância bate boca e se estapeia nas ruas. Há 10 dias das eleições, será que as campanhas resolveram perder a decência de vez?

20 de Outubro de 2010 às 16:47
Autor Isabel França - Postado em Eleições 2010 | Sem comentários - Comente!

Em entrevista ao JN, Serra nega desvio de dinheiro de campanha

19 de Outubro de 2010 às 10:22
Autor Isabel França - Postado em Eleições 2010 | Sem comentários - Comente!

Polêmicas são pautadas em entrevisa com Dilma Rousseff no JN

O Jornal Nacional começou ontem uma série de entrevistas com os candidato à presidência da República. A primeira foi com a candidata Dilma Rousseff (PT). Estiveram na pauta da entrevista o caso Erenice Guerra, o apoio do deputado Ciro Gomes na campanha, legalização do aborto, entre outros temas. Acredito que a candidata foi muito coerente em suas respostas e bateu no oponente no momento oportuno. Veja a entrevista completa abaixo. Hoje é a vez do candidato José Serra (PSDB). 

 

 

18 de Outubro de 2010 às 09:04
Autor Isabel França - Postado em Eleições 2010 | Sem comentários - Comente!

Nesta eleição, o imprevisível ocorrerá?

 

Por Adriano Oliveira – Cientista Político

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As recentes pesquisas mostram que Dilma e Serra têm chances de vencer a disputa presidencial. Isto é óbvio, pois só eles disputam a presidência, e ambos estão quase empatados. Entretanto, esta obviedade não foi sugerida por diversos analistas políticos. Para tais, Dilma seria eleita no primeiro turno. A pressa e a paixão, geralmente, orientam as análises políticas.

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Por acreditar em Cisnes Negros, opto, quase sempre, por ser precavido em minhas análises eleitorais. Não procuro adivinhar. Ao contrário. Construo hipóteses, as quais poderão ser falseadas ou não. Em nenhum instante, desprezei as chances de Serra. Apesar de ter afirmado, que Dilma era favorita a vencer a eleição. Mas ser favorito, não significa ser vitorioso. Sempre, em meus artigos, frisei que Cisnes Negros poderiam aparecer, e por conta deles, Serra poderia ir ao segundo turno. E foi!

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Neste instante, não vejo favoritos nesta disputa presidencial. Não tenho indicadores para afirmar que Dilma ou Serra vencerá a disputa. Não tenho indicadores para sugerir a existência de uma “Onda Serra” ou uma “Onda contra Dilma”. O que constato é o que as pesquisas revelam: Serra e Dilma têm chances de vitória.

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As chances de Dilma estão, ainda, nos braços de Lula. As chances de Serra também. Pois, Serra pode tentar desqualificar Dilma, mostrando que ela “não tem condições de caminhar sozinha à frente do governo” (Não acho isto!). Portanto, Dilma, neste instante, tem um dilema: qual é a medida adequada na utilização da imagem de Lula?

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Serra, por sua vez, será obrigado a responder, constantemente, quanto à sua “ligação” com FHC. Lula e Dilma irão continuar explorando o governo FHC. Mas Serra tem uma saída, aliás, uma única saída: mostrar que o governo Lula representa a continuidade das transformações que estão ocorrendo no Brasil desde o governo de FHC.

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Os temas aborto, fé e corrupção continuarão a ser discutidos. E Serra e Dilma, qualquer um, poderão se beneficiar do debate em torno destes temas.

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Observem que opto por analisar estratégias eleitorais. Faço isto em razão de que números não dizem tudo – as tabelas do SPSS revelam pouca coisa. As estratégias adotadas pelos candidatos podem revelar tendências e possibilitam a construção de cenários. Deste modo, vejo, e friso isto mais uma vez, que a disputa entre Serra e Dilma está aberta.

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No entanto, saliento que Serra tem chances reais de vitória, pois a candidatura Dilma apresenta fragilidades quando considero a animação/emoção e a geografia do voto. Ninguém, ninguém mesmo, esperava que a diferença entre Dilma e Serra fosse tão próxima – Isto desmobiliza eleitores de Dilma e mobiliza os eleitores de Serra? Além disto, Aécio Neves e Geraldo Alckmin podem fazer a diferença nos seus respectivos estados, Minas Gerais e São Paulo. Caso Serra conquiste mais votos nestes estados, a vitória estará em suas mãos.

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Um ponto importante: para Serra vencer, ele precisa conquistar um “pouquinho” de eleitores de Dilma.

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Friso, por fim, que: 1) Dilma tem Lula - vantagem; 2) Os indecisos podem migrar tanto para Dilma como para Serra – indefinição eleitoral; 3) A abstenção pode ajudar ambos os competidores – indefinição eleitoral; 4) Cisnes Negros poderão surgir e “derrubar” Serra ou Dilma – imprevisibilidade. Portanto, neste segundo turno, os cenários possíveis são (ainda) dois: Serra eleito ou Dilma eleita. E isto é previsível!

4 de Outubro de 2010 às 17:13
Autor Isabel França - Postado em Eleições 2010 | 2 Comentários - Comente!

O que esperar do segundo turno?

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Por Roberto Santos – Cientista político e supervisor de pesquisas do Instituto Maurício de Nassau – roberto.santos@rec.mauriciodenassau.edu.br

 

As pesquisas apontavam uma incerteza quanto a definição das eleições presidenciais em primeiro turno. E, de fato, ela não se confirmou. O bombardeio da mídia em cima das denúncias na Casa Civil, enfim arranharam a candidatura de Dilma. Mas a forma que isso reverberou junto ao eleitorado é o mais interessante. Serra permaneceu inerte na sua baixa oscilação nas pesquisas que antecederam o pleito, e isso se confirmou no percentual de seu resultado. Não é nenhum absurdo imagina que esse seja o teto (ou muito próximo dele) de José Serra. Um candidato com um recall muito alto, mas que não significa sucesso eleitoral. A combinação alto recall com alto índice de rejeição é desastrosa. Dilma teve sua queda, ao passo que Marina Silva crescia. Está claro que os ataques da campanha de Serra fizeram Dilma perder votos, mas não para ele, e sim para Marina. Uma terceira via sempre se fortalece quando o debate fica mais acirrado entre os postulantes majoritários.
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Agora para o terceiro turno, a meu ver, pouco importa o apoio explícito de Marina. Até porque, duvido muito que ela vá se aliar de maneira declarada a algum candidato. Em segundo lugar, porque uma candidata verde (com o perdão do trocadilho) não tem poder de manobra sobre seus eleitores, ela não tem poder de transferir quase 20 milhões de votos. Essa idéia é surreal. Nem Lula conseguiu fazer isso com Dilma. Caso o atual presidente fosse o candidato, certamente seria eleito em primeiro turno, o que não ocorreu com Dilma. O apoio de Marina não significa entregar um pacote com 20% dos votos do país a um dos candidatos.

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Na realidade, Dilma precisa crescer sua votação em pouco mais de 3% ou contar que 6% dos eleitores de Marina votem em branco. Fato plausível, já que muitos optaram pela terceira via pela descrença nos dois líderes das pesquisas. Além do que a base governista se saiu vencedora nas eleições para o parlamento. Esse apoio virá de forma exclusiva e revigorada. Sendo bem franco, as chances de uma derrota petista passam por um evento de proporções históricas. É preciso um fato novo tão forte que faça ela perder os votos do primeiro turno, Serra absorver essa demandada, os votos de Marina sejam deslocados para Serra, e de troco ainda, o tucano reduzir (pelo menos) pela metade o seu elevado índice de rejeição.

4 de Outubro de 2010 às 15:10
Autor Isabel França - Postado em Eleições 2010 | 1 Comentário - Comente!

Um argumento a favor da lista aberta

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Por Roberto Santos – Cientista político e supervisor de pesquisa do Instituto Maurício de Nassau – roberto.santos@rec.mauriciodenassau.edu.br

 

Já se tornaram comuns as críticas ao sistema de eleição proporcional, sobretudo nas eleições para deputado estadual e federal. E mais ainda quando ocorre fenômeno do candidato “puxador”. Foi o que aconteceu com Enéias e agora com o palhaço Tiririca, ambos no estado de São Paulo. Pelo fato do candidato ter uma votação expressiva, os votos que excedem o coeficiente eleitoral são distribuídos para os candidatos da coligação, de forma a fazer o máximo de candidatos terem o mínimo de coeficiente eleitoral.

 

Um absurdo à representação seria transformar a eleição para a câmara em majoritária, ou seja, entrando os candidatos por ordem de votação, até que se complete o número de cadeira. Os votos dados aos parlamentares mais bem votados seriam perdidos, ao passo que na ponta inferior, vários candidatos de partidos nanicos seriam eleitos com votação inexpressiva. Então, a alternativa mais citada ao sistema atual é a votação proporcional em lista fechada. Que nada mais é do que os partidos indicarem uma lista ordenada de candidatos. Onde o eleitor vota no partido, e, a depender do quantitativo de votos do partido, os candidatos (seguindo a ordem da lista) são eleitos.

 

O argumento é que nesse sistema o eleitor tem o partido como foco, e pode observar a lista de candidatos que ele vai ajudar a eleger. Mas esse sistema impõe ao eleitor um punhado de candidatos que ele pode não se identificar. Como fazer o eleitor ter essa consciência de partido? Abandonar o voto personalista, e fazê-lo identificar-se com o programa do partido? Se os defensores da lista fechada acham que isso é possível, por que não tentar tal feito com a lista aberta? O eleitor, ao votar, sabe que os dois primeiros números de seu candidato referem-se ao partido e que os outros dois (deputado federal) ou três (deputado estadual) dizem respeito ao candidato em si. A coligação em que o partido está é amplamente divulgada. Todo eleitor sabe quais candidatos majoritários são apoiados pelo seu deputado, e vice-versa. A única diferença substancial entre a lista aberta e a fechada é a ordem de entrada dos deputados. No atual modelo, essa lista é realizada com base no desempenho eleitoral de cada candidato. E não vejo nada mais democrático, no sentido eleitoral, do que isso. Os votos excedentes vão ajudar os candidatos da mesma coligação que estiverem melhor colocados.

 

Ou seja, o sistema não é falho, nesse sentido. Uma coisa que os defensores das duas formas de eleição proporcional concordam é que o reconhecimento do papel do partido por parte do eleitor é fundamental. Se na visão da lista fechada esse é o caminho chave, na visão de lista aberta também deve ser. Sendo assim, o nosso problema não é de regra eleitoral (nesse caso específico), mas sim de educação política. Temos, a meu ver, o melhor modelo de eleição proporcional, mas com uma deficiência de compreensão. Ou seja, o problema é mais de cultura política do que normativo.

4 de Outubro de 2010 às 09:28
Autor Isabel França - Postado em Eleições 2010 | 1 Comentário - Comente!

Constatações parciais e os Cisnes Negros

 

Por Adriano Oliveira – Cientista Político

 

Após o fim da etapa inicial das eleições, já que teremos segundo turno para presidente, é necessária uma avaliação quanto ao passado e ao futuro. É importante também desmistificar mitos e assertivas infelizes. Portanto, avalio que:

 

1. Eduardo Campos, independente da vitória de Dilma ou Serra, adquire condições de ser uma liderança nacional. E, claro, uma alternativa ao PT. Suponho, se as circunstâncias políticas o ajudarem, que Eduardo Campos mira a eleição presidencial de 2014. A vice-presidência e a presidência são alternativas. Em razão disto, Eduardo avaliará, a partir das pesquisas de opinião, qual posicionamento tomará nesta disputa presidencial. Além disto, o governador buscará manter o PT sobre o seu controle no estado. Inclusive, na eleição de 2012.

 

2. Entretanto, Eduardo fortaleceu Humberto Costa. A vitória de Dilma, a qual não descarto, fortalecerá Humberto no plano local. Mas, independente de Dilma ocupar a presidência da República, Humberto dará as cartas no PT e, em algum instante, poderá ocorrer conflitos com Eduardo e João Paulo. Tenho uma dúvida: Humberto deseja ser candidato a prefeito? Caso ele seja, Eduardo poderá apoiá-lo com o objetivo de anulá-lo em 2014. Mas se Humberto desejar o governo? Neste caso, Eduardo deve ir para o conflito.

 
3. Jarbas Vasconcelos marcou posição nesta campanha. Ele disse ao eleitor: “Eu sou a oposição neste estado e no Brasil”. E Jarbas falou a verdade. A candidatura Jarbas revelou o esfacelamento da oposição em Pernambuco e o sucesso do governo Eduardo Campos na mente dos eleitores. Não desprezem Jarbas. Existe a possibilidade de Serra ser eleito. Caso isto ocorra, Jarbas fortalecerá a sua posição política em Pernambuco e no Brasil. Porém, Eduardo poderá, ainda este mês, se aproximar de Serra. Se isto ocorrer, o que Jarbas irá fazer ou dizer?

 

4. Como não estou em todas as salas de codificação, não sou irresponsável em afirmar que todos os institutos de pesquisas erraram. Opto, então, por considerar que falta capacidade de análise a alguns intérpretes de pesquisas. Nesta eleição, em dado instante, frisei que Dilma tinha condições de vencer a eleição. Porém, Cisnes Negros poderiam aparecer. Semana passada, mostrei que eles apareceram e que o segundo turno poderia ocorrer. E ocorreu! Analistas precisam reconhecer que a análise das pesquisas requer a ausência de determinismo. E, claro, de paixão.

 
5. As pesquisas erraram na eleição do Senado? Em minha opinião não. Não existe metodologia adequada para identificar o segundo voto. Por isto, em nenhum instante, desprezei as chances de Maciel. Além disto, existia considerável percentual de indecisos. A minha dúvida era: em quem os indecisos votarão? Os indecisos votaram em Armando e Humberto. Em razão da “força estrutural”, Armando foi mais votado do que Humberto. Reconheço, ainda, o papel preponderante de Eduardo Campos no sucesso eleitoral de ambos.

 

6. A ida de Serra para o segundo turno, a reduzida votação de Marco Maciel e a eleição de Aloysio Nunes em São Paulo mostram que o determinismo não deve existir na análise política e que Cisnes Negros surgem na trajetória eleitoral. Geralmente, os interpretes de pesquisas desprezam os Cisnes Negros e as informações qualitativas. E no desejo de acertar pecam. Ou melhor: erram! Por isto, prefiro criar hipóteses diante das evidências advindas do processo eleitoral.

4 de Outubro de 2010 às 09:15
Autor Isabel França - Postado em Eleições 2010 | 1 Comentário - Comente!

Deputados estaduais eleitos

Seq.

Nº Cand.

Nome Candidato

Partido / Coligação

Qtde. Votos

 

1 20620 * PSC - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 137.157 (3,05%)
2 40150 * PSB - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 120.175 (2,67%)
3 12345 * PDT - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 99.953 (2,22%)
4 14614 * PTB - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 81.280 (1,81%)
5 22123 * PR - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 79.736 (1,77%)
6 40140 * PSB - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 70.305 (1,56%)
7 45000 * PSDB 65.792 (1,46%)
8 14444 * PTB - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 61.905 (1,38%)
9 40000 * PSB - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 56.267 (1,25%)
10 12000 * PDT - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 55.963 (1,24%)
11 22222 * PR - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 53.012 (1,18%)
12 13500 * PT - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 52.955 (1,18%)
13 40640 * PSB - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 52.845 (1,17%)
14 40123 * PSB - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 52.616 (1,17%)
15 22022 * PR - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 52.615 (1,17%)
16 40111 * PSB - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 52.246 (1,16%)
17 45645 * PSDB 52.087 (1,16%)
18 40789 * PSB - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 49.610 (1,10%)
19 45555 * PSDB 49.338 (1,10%)
20 40777 * PSB - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 48.385 (1,08%)
21 43123 * PV 47.533 (1,06%)
22 13111 * PT - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 45.501 (1,01%)
23 40999 * PSB - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 43.870 (0,98%)
24 40633 * PSB - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 43.104 (0,96%)
25 31111 * PHS 42.751 (0,95%)
26 40333 * PSB - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 42.503 (0,94%)
27 13123 * PT - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 42.347 (0,94%)
28 14014 * PTB - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 41.810 (0,93%)
29 40240 * PSB - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 40.962 (0,91%)
30 65100 * PC do B - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 40.331 (0,90%)
31 13613 * PT - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 39.445 (0,88%)
32 25232 * DEM 38.323 (0,85%)
33 12045 * PDT - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 38.110 (0,85%)
34 36111 * PTC - PSL / PSDC / PTC / PT do B 37.230 (0,83%)
35 14900 * PTB - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 36.617 (0,81%)
36 40100 * PSB - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 36.246 (0,81%)
37 14567 * PTB - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 36.090 (0,80%)
38 14115 * PTB - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 35.861 (0,80%)
39 13151 * PT - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 35.315 (0,79%)
40 14654 * PTB - PRB / PP / PDT / PT / PTB / PSC / PR / PSB / PC do B 34.787 (0,77%)
41 25181 * DEM 34.171 (0,76%)
42 45678 * PSDB 33.083 (0,74%)
43 31000 * PHS 33.032 (0,73%)
44 45145 * PSDB 31.349 (0,70%)
45 36777 * PTC - PSL / PSDC / PTC / PT do B 27.328 (0,61%)
46 15111 * PMDB - PMDB / PPS / PMN 27.088 (0,60%)
47 44111 * PRP 24.795 (0,55%)
48 36999 * PTC - PSL / PSDC / PTC / PT do B 21.189 (0,47%)
49 33112 * PMN - PMDB / PPS / PMN 20.182 (0,45%)

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