Instituto Maurício de Nassau

8 de Março de 2010 às 10:02
Autor Adriano Oliveira - Postado em Eleições 2010 | Sem comentários - Comente!

Serra será candidato?

Ainda é uma incógnita o quadro eleitoral deste ano. Cenários são ventilados, mas ainda não sei se José Serra disputará a presidência da República. Por conseqüência, também tenho dúvidas se Jarbas disputará o governo de Pernambuco. A entrevista do senador Pernambucano no jornal o GLOBO (07/03) evidenciou a irritação dele com a indecisão de Serra. E o Estadão, através de editorial, cobrou posicionamento do governador de São Paulo.

Ao contrário do Estadão e de outras figuras do PSDB, Jarbas Vasconcelos foi sincero – como sempre! Ele admitiu que não esperava o crescimento de Dilma. Nas entrelinhas, desconfio que Jarbas e a oposição não acreditavam, inclusive, que Dilma fosse competitiva. Faltou Jarbas dizer que Serra ainda não assumiu a candidatura à presidência por temer Dilma.

Jarbas associa a sua candidatura ao Governo do Estado, à candidatura de Serra à presidência. Se Serra for candidato, ele disputará a eleição contra Eduardo Campos. A indecisão de Serra atrapalha os planos da oposição no âmbito nacional e local. E atrapalha o próprio Serra. O eleitorado poderia agir diferente caso ele já tivesse assumido a candidatura? Talvez sim.

O problema de José Serra neste momento é um só: o que dizer ao eleitor? Reconheço que a eleição será disputada, já que Serra é competitivo. Mas por ele não saber o que dizer ao eleitor, o seu desempenho eleitoral pode ter um teto. Este, por sua vez, caso exista, limita a sua possibilidade de vitória. As circunstâncias econômicas também não favorecem Serra.

Serra não assumiu, como já frisei, em razão de ter dúvidas quanto ao seu sucesso eleitoral. Nenhum oposicionista tem coragem de dizer isto abertamente. E Serra será candidato? Ainda continuo com dúvidas.

4 de Março de 2010 às 20:27
Autor Adriano Oliveira - Postado em Eleições 2010 | Sem comentários - Comente!

Uma chapa renovada: os senadores de Jarbas

É possível Jarbas ser candidato a governador? Sim. Contudo, desconfio de que ele só será se Serra for candidato a presidente. Já frisei isto várias vezes. Enquanto Jarbas aguarda Serra, o qual poderá vir, reflito quanto aos candidatos ao Senado na possível chapa do candidato Jarbas Vasconcelos.

Sabemos que Jarbas não é uma novidade na política brasileira. Portanto, não poderá ser apresentado como o novo. Mas pode ser apresentado como o futuro. Como Jarbas é bem avaliado junto aos segmentos (indivíduos) que conviveram com a sua administração como governador, ele poderá ser oferecido ao eleitor com gestor eficiente. Inclusive, Jarbas tem esta marca junto aos setores frisados. Eficiência e futuro podem caminhar juntos. Portanto, talvez o eleitor não encare a candidatura Jarbas como “velha” ou representante do passado. Friso, talvez!

Não desconsidero o fato, e isto é uma hipótese, de que Marco Maciel e Sérgio Guerra podem envelhecer a candidatura Jarbas. Estes são dois políticos que têm história eleitoral em Pernambuco. O eleitor pode reconhecê-los como o passado. E que eles não trarão nada de novo.

Saliento, no entanto, que Marco Maciel mantém estabilidade de votos junto aos diversos segmentos do eleitorado. Pesquisas revelam que Maciel é favorito a vencer a disputa pelo Senado. O favoritismo de Maciel advém da sua credibilidade. Portanto, é conveniente manter Maciel na chapa. Mas, é adequado manter Guerra na chapa de Jarbas?

Sim! Contudo, vejo que Sérgio Guerra contribuirá mais para a campanha de Jarbas caso seja candidato a deputado federal. O presidente do PSDB é um bom articulador e gosta de conversar com prefeitos. Além disto, Guerra pode ser substituído por um nome novo, que desperte o eleitorado e rejuvenesça a chapa de Jarbas. Vejam que Eduardo será apresentado como o futuro. Neste caso, Jarbas não pode ser identificado com o passado.

Quatro nomes podem compor a chapa de Jarbas, além de Maciel, claro. Quais são: Raul Jungmann, André de Paula, Bruno Araújo, Jayme Asfora e André Régis.  Estes candidatos devem partir para o embate com os senadores de Eduardo, já que possuem perfis para tal. E também seriam apresentados como os novos quadros da política pernambucana.

A oposição precisa de fatos que chamem a atenção e animem o eleitorado.

2 de Março de 2010 às 11:43
Autor Adriano Oliveira - Postado em Eleições 2010 | Sem comentários - Comente!

O voto econômico e o PSDB

São diversos os trabalhos na Ciência Política e na Economia sobre o voto econômico. O que é o voto econômico? O eleitor faz a sua escolha considerando o seu bem-estar econômico. Neste sentido, se a economia vai bem, ou se existe a expectativa de que o bem-estar irá melhorar, o eleitor opta por vota no candidato que lhe oferece estas condições. É claro que o eleitor tem que acreditar nas promessas do candidato. Deste modo, este precisa ter credibilidade junto ao eleitorado. Além de eficiente comunicação política.

A teoria do voto econômico serve para explicar ou predizer o voto do eleitor numa disputa presidencial. Pois o eleitor reconhece o presidente da República como o condutor da economia. Se a economia vai bem, a responsabilidade é do presidente. Se ela vai mal, a responsabilidade é também do presidente. Portanto, a economia importa na disputa presidencial. E importará na disputa entre Dilma e José Serra – ele manterá a candidatura?

O eleitor indeciso racionará do seguinte modo: caso eu vote no candidato X, a minha vida continuará melhorando? Se o candidato X, através da comunicação, conseguir convencer o eleitor de que sim, provavelmente o candidato X vencerá a disputa presidencial.

Com base neste raciocínio e considerando as condições econômicas atuais do Brasil e a boa avaliação de Lula, tenho como hipótese que os indecisos (não majoritariamente) tendem a optar por Dilma, e não pelo candidato do PSDB. Por que? Além do bom momento da economia brasileira, existe a expectativa de melhora de vida do eleitor. A memória do eleitor é curta, não é histórica. Portanto, os feitos econômicos do governo Lula estão frescos na memória do eleitor. E Dilma é a candidata de Lula.

O grande desafio de Serra é conquistar o eleitorado indeciso e manter o seu. Isto é possível?  Sim! Basta ele mostrar que é mais competente do que Dilma na condução da economia e convencer ao eleitor que a vida continuará melhorando. Contudo, Serra terá dificuldades na campanha eleitoral. Pois é identificado com FHC. E disputou eleição contra Lula – logo Lula que trouxe bem-estar social a população.

Serra precisa encontrar discurso apropriado para conquistar o eleitor que escolhe o seu candidato em razão do seu bem-estar. A economia importa!

28 de Fevereiro de 2010 às 08:34
Autor Adriano Oliveira - Postado em Eleições 2010 | 1 Comentário - Comente!

É hora de chamar Aécio?

Por Adriano Oliveira

A última pesquisa do Datafolha mostra que:

1. Dilma cresceu no eleitorado de José Serra. Portanto, eleitores de Serra estão optando por Dilma. Isto pode significar que o eleitor já compara Dilma a Serra. Em virtude desta comparação, o eleitor faz a sua escolha. No segundo turno, Dilma, considerando a pesquisa de dezembro do Datafolha, cresce consideravelmente. É importante destacar que neste instante, a presença de Marina não garante o segundo turno.

2. Considerando o nível de instrução, a maior vantagem de José Serra para Dilma está no ensino fundamental – 31% a 26%. E no ensino superior. Nos ensino médio, a diferença é menor. Neste sentido, afirmo: Dilma irá crescer junto ao eleitorado com ensino fundamental. Pois os eleitores com menor instrução têm menos informações. Portanto, não conhecem Dilma. E é neste estrato que Lula tem considerável apoio – influência das políticas sociais, especificamente do Bolsa Família.

3. Ao observar a renda, constato que existe empate técnico entre Serra e Dilma junto aos seguintes estratos: 1) Até dois salários mínimos; 2) e entre 2 a 5 salários mínimos. Serra cresce junto ao eleitorado de maior renda. Vejam: no eleitorado de baixa renda, que supostamente tem menor nível de instrução, Dilma já empata com Serra. Portanto, a tendência é de que Dilma ultrapasse Serra. Desafio de Dilma: diminuir a diferença para Serra nos estratos de maior renda. Caso consiga isto, ela pavimenta a sua vitória – eleitor que dissemina opiniões. Dilma também precisa conquistar o eleitorado feminino. Ela, neste segmento, perde para Serra – 33% a 24%.

4. Considerando a pesquisa de dezembro do Datafolha e a escolha eleitoral por região, Dilma só lidera no Nordeste. Contudo, ela cresceu em todas as regiões do país, inclusive no Sudeste – reduto serrista.  E José Serra declinou em todas as regiões. Portanto, e o todo da pesquisa mostra isto, existe uma tendência de queda ou estabilidade do candidato do PSDB – Dilma apresenta tendência de crescimento. Ressalto que a pesquisa revela que 86% dos eleitores conhecem Dilma. 96% deles conhecem Serra. Portanto, o nível de conhecimento do eleitorado aumentou em relação à Dilma. Esta é uma das causas do seu crescimento.  Indago: qual é o teto de Dilma?

5. Concluo que: A) O PSDB tem chances de vencer o pleito eleitoral. Mas as chances estão diminuindo; B) Dilma, ao contrário do que diziam, é competitiva; C) O guia eleitoral decidirá a eleição. O eleitor avaliará quem é o melhor para manter o seu bem-estar. Destaco Serra terá dificuldades de dizer ao eleitor que é melhor do que Dilma para manter o bem-estar do eleitorado, pois é identificado com FHC (isto será explorado) e disputou com Lula uma eleição; D) O desafio de Dilma é crescer junto aos segmentos abastados e no Sudeste; E) O momento econômico e a expectativa de crescimento econômico criam euforia junto ao eleitor. E esta euforia não é boa para Serra. Mas é para Dilma, a candidata de Lula.  F) Neste instante, Aécio deveria ser convidado para uma conversa. Ele é melhor candidato (considerando as atuais circunstâncias) do que Serra (sempre frisei isto), pois: poderá trazer Ciro e o PMDB para a sua chapa; é uma novidade eleitoral; não é associado a FHC; tem uma gestão bem avaliada em Minas Gerais, a qual venderá para os eleitores; não é uma anti-Lula, ao contrário de Serra.

25 de Fevereiro de 2010 às 10:40
Autor Isabel França - Postado em Eleições 2010 | Sem comentários - Comente!

Em nota, Ciro reitera disputar à Presidência da República

 

Diante das informações de que Ciro Gomes (PSB) teria interesse em disputar o governo de São Paulo, nesta manhã, a assessoria de imprensa do deputado emitiu nota oficial reiterando a informação de que ele continua como candidato à Presidência da República. Em contato estabelecido com a assessoria de imprensa do candidato, foi informado que “ele tem ressaltado é que a vontade e todas as energias dele estão voltados para disputar a Presidência da República”, ou seja, Ciro não descarta a possibilidade da disputa estadual. Leia abaixo a nota oficial completa:

 

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Ciro mantém oficialmente sua intenção de disputar o Planalto

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O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) comunicou oficialmente hoje pela manhã a dirigentes de nove partidos de São Paulo que mantém sua intenção de disputar o Palácio do Planalto. A reunião aconteceu na sede do PSB em Brasília, a pedido de líderes paulistas do PT, PSB, PC do B e PRB.

“Agradeço a todos, mas sou candidato a presidente da República e terei muito prazer em montar uma chapa com todos esses partidos para a eleição presidencial”, disse Ciro Gomes. Também participaram do encontro o PDT, o PTC, o  PSC, PT do B e o PTN.

Confirmando sua pré-candidatura à Presidência da República, Ciro Gomes declarou que amadureceu, está mais vivido, mais experiente. “Estou completando 30 anos de vida pública, já fui candidato duas vezes, conheço o Brasil, conheço a inteligência brasileira, as universidades, ando pensando o país há muito tempo e tenho desejo de servir ao nosso povo. “
“A opção plebiscitária é ruim para o país, porque reduz o debate a uma comparação entre passado e presente, sem discutir o futuro. E também é ruim para a democracia, porque reduz o poder de decisão do eleitor, retira as outras opções para que ele exerça o seu sagrado direito de escolha”.

24 de Fevereiro de 2010 às 15:51
Autor Adriano Oliveira - Postado em Eleições 2010 | Sem comentários - Comente!

Quem será o vice?

Mauricio Dias da Revista Carta Capital informou que Sérgio Guerra poderá ser vice de José Serra. Isto pode até ocorrer. Diante da dificuldade de escolher um vice para Serra. Aécio, certamente, não será vice de José Serra. É forte exercício de futurologia e grande otimismo acreditar que a chapa Serra/Aécio seja imbatível. O mais provável é afirmar que a chapa Aécio/Ciro é imbatível. Neste instante, o PSDB não tem opção para vice de Serra. Opção que agregue. José Roberto Arruda poderia seu uma opção. Poderia! Restou quem no DEM? Cesar Maia – nome qualificado. Mas este não quer. Disputará o Senado. Então, quem será o vice de Serra? Dilma tem três boas opções. Teme, Meirelles e Hélio Costa. A segunda alternativa é a melhor. O setor produtivo olharia com bons olhos, já que a defesa da jornada de 40 horas e alguns debates no recente Congresso do PT deixaram muitos empresários receosos com Dilma. Ciro é também uma boa opção para Dilma. Mas aonde colocar o PMDB? Dilma precisa de tempo de TV. Mas, vejam só: o vice não importa muito. Aliás, ele importa para agregar tempo de TV, apoio partidário e recursos financeiros. Mas votos não. Tenho a hipótese de que o eleitor reconhece o vice como um apêndice de outro e de que não tem nenhum poder de decisão. Portanto, diretamente, o vice tem pouca importância junto ao eleitorado.

23 de Fevereiro de 2010 às 08:42
Autor Adriano Oliveira - Postado em Eleições 2010 | Sem comentários - Comente!

O imenso desafio de José Serra

O principal desafio de José Serra é mostrar ao eleitor que pode dar continuidade as conquistas do governo Lula. A ótica do eleitor é de que o presidente Lula contribuiu decisivamente para o seu bem estar econômico. O raciocínio considera uma linha de tempo menor, em vez do contrário. Para o eleitor as suas conquistas econômicas são recentes. Friso que FHC contribuiu para o bom governo de Lula. Mas o eleitor não pensa assim.

O eleitor tem ciência de que o crédito expandiu no governo Lula. Ele não reconhece que isto foi possível graças à estabilidade advinda do Plano Real. O eleitor reconhece que o atual presidente tem preocupação com o social, já que ampliou o Bolsa Família e criou o Prouni. Reconhecimento correto! Pois estas ações foram da responsabilidade absoluta de Lula. Porém, a ampliação dos gastos sociais deve-se, em parte, as conquistas econômicas obtidas no governo FHC.

Mas, vamos esquecer isto! Pois o eleitor está preocupado com o presente e com o que virá no futuro. As conquistas do presente são representadas por Lula. A comunicação política do PT tentará mostrar que Dilma também represente este presente. E mais: representa o futuro, ou melhor, a continuidade do governo Lula.

Se a vida tá boa, para que mudar? Apostar no incerto? E mais: e Serra não foi um competente ministro de FHC? Diante destas indagações, o eleitor poderá optar por Dilma. Por isto, José Serra tem um imenso desafio. Ele precisa mostrar que é a novidade. Mas não é! Ele precisa mostrar que é mais competente do que Dilma. Isto é possível, apesar de Dilma poder ser apresentada também deste modo. Serra precisa dizer ao eleitor que as conquistas do atual governo continuarão. É possível isto? Este é o problema. Pois o eleitor dirá: é mais confiável continuar com o PT, Dilma, ou apostar no candidato que já disputou à presidência com Lula?

20 de Fevereiro de 2010 às 08:46
Autor Adriano Oliveira - Postado em Eleições 2010 | Sem comentários - Comente!

A oposição precisa de um segundo candidato

A oposição em Pernambuco exige que Jarbas Vasconcelos seja candidato ao governo. Exigência necessária para garantir a sobrevivência da oposição em Pernambuco. Mas não suficiente. Diante da boa avaliação da administração do governador Eduardo Campos, é necessário e suficiente que Jarbas Vasconcelos seja candidato a governador e que exista outro candidato na disputa. Caso a oposição só apresente um candidato, é possível que o governador Eduardo Campos seja reeleito no primeiro turno por uma pequena margem de votos. Neste sentido, neste instante, a oposição não deve buscar apenas em ter Jarbas Vasconcelos como candidato, mas também construir a candidatura de um terceiro postulante ao governo, o qual, obviamente, deve ser medianamente competitivo. Quem deve ser este segundo candidato? Nomes existem, mas, certamente, nenhum candidato ao Parlamento fará a opção de ajudar Jarbas Vasconcelos. Mesmo com a presença de Sérgio Xavier, considero ser difícil que a sua candidatura venha a provocar o segundo turno. Não descarto, contudo, a possibilidade de que Jarbas Vasconcelos, solitariamente, leve a disputa para o segundo turno. Mas, neste instante, observo que a estratégia ótima para enfrentar o favoritismo do governador Eduardo Campos é a presença de duas candidaturas no campo oposicionista.

18 de Fevereiro de 2010 às 10:42
Autor Adriano Oliveira - Postado em Eleições 2010 | 1 Comentário - Comente!

Boa notícia para o PSDB

Não tive acesso ao conteúdo por completo da recente pesquisa realizada pelo IBOPE para a eleição presidencial. No entanto, considerando apenas os dados divulgados pela imprensa, continuo a afirmar que a candidatura Ciro Gomes pode atrapalhar o crescimento de Dilma, já que ambos disputam parte do mesmo espaço eleitoral. É claro que a presença de Ciro pode garantir o segundo turno. Contudo, a sua candidatura poderá também, como já dito, emperrar o crescimento de Dilma – aposto nesta hipótese. Mesmo tendo um tempo de TV pequeno, Marina Silva tem condições de motivar o segundo turno entre Serra e Dilma. Deste modo, continuou a afirmar que a melhor opção para o PT é retirar a candidatura Ciro. Outro ponto importante: nestes dias iniciais do ano, Dilma teve forte presença positiva na TV. Porém, ela não conseguiu crescer consideravelmente – faço esta afirmação baseado em pesquisas de outros institutos divulgadas este ano. Neste sentido, indago: Dilma tem condições de crescer? Sim, pois o guia eleitoral ainda não começou. Outra indagação: qual o limite de crescimento de Dilma? Fato importante: ao contrário de Dilma, notícias negativas vieram à tona contra José Serra, as quais foram provocadas pelas chuvas de São Paulo. Mas Serra, comparando com outras pesquisas de outros institutos, mantém a sua estabilidade na intenção de votos – 36%, cenário com Ciro Gomes. Portanto, o PT deve ficar alerta, pois continuo a considerar que a eleição deste ano será bastante disputada.

17 de Fevereiro de 2010 às 08:50
Autor Adriano Oliveira - Postado em Eleições 2010 | Sem comentários - Comente!

Existe eleitorado de esquerda?

Quando alguns políticos não têm argumentos para justificar escolhas, afirmam que fulano será candidato em razão dele representar o espectro do eleitorado de esquerda. Considero esta afirmação estapafúrdia, já que não existe eleitorado tipicamente de esquerda.

O suposto eleitorado de esquerda existiu até a eleição de Lula, pois muitos eleitores declaravam ser de esquerda em razão de serem opositores a ditadura militar. Com a conquista de espaços no poder por parte do PT e o passar do tempo, este suposto eleitorado perdeu adeptos.

Digo suposto em razão de ter como hipótese de que os votos ao PT não eram (e não é) de esquerda. Eles eram motivados pela a expectativa de mudança de uma ordem ainda vigente – atores que apoiaram a ditadura ocupavam fatias do poder e existia a esperança de que um futuro governo do PT (“governo de esquerda”) poderia transformar economicamente e socialmente o Brasil.

A maioria do eleitorado se reconhece como de centro. Amaury de Souza e Bolívar Lamounier mostram isto em recente livro – A classe média brasileira: ambições, valores e projetos. De acordo com os autores, 59% dos eleitores brasileiros – independente do nível educacional – não diferenciam o que é ser de esquerda ou de direita. Destaco que 66% dos entrevistados com nível fundamental não sabem em qual espectro ideológico pertencem.

Partindo da óbvia constatação empírica de que no universo de 66% estão os entrevistados com menor renda, afirmo que o “povão não sabe o que é ser de esquerda ou de direita. Portanto, o “povão” não está nem ai para as supostas diferenças ideológicas entre os candidatos.

Segundo Souza e Lamounier, os eleitores que procuraram definir na pesquisa realizada para o livro o que é ser esquerda ou de direita não fizeram de modo sofisticado. Enfim, não souberam definir adequadamente o que era ser de esquerda ou de direita. Os autores concluem – diante de uma classificação proposta aos entrevistados – que independente do nível educacional, os eleitores brasileiros são majoritariamente de centro.

Em livro que será lançado em meados de março, mostro, com base em pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Mauricio de Nassau, que 40% do eleitorado pernambucano declaram não ter posição ideológica. 16% afirmam ser de esquerda. E 12% declaram ser de direita. Indago: os eleitores que afirmam ser de esquerda sabem o que é ser de esquerda? A obra de Souza e Lamounier mostra que não.

Na eleição deste ano não cabe o debate entre o que é ser de esquerda ou de direita. O eleitor não está interessado na posição ideológica do candidato. Mas no que o candidato poderá lhe ofertar. O candidato a reeleição para o cargo majoritário terá que mostrar o que fez, e se o que já feito atendeu a expectativa do eleitorado. O ator político que pleiteia o governo terá que dizer o que pode fazer, considerando os desejos do eleitor e as fraquezas do atual governo.

O eleitor vota conduzido pela emoção e empatia para com o candidato. O eleitor também vota racionalmente. Isto é: o eleitor deseja votar no candidato que possa lhe fazer melhorar de vida em todos os sentidos. Não importa para ele se este candidato seja de esquerda, de centro ou de direita.

As opiniões postadas neste blog não refletem necessariamente a posição deste Instituto.

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