Instituto Maurício de Nassau

25 de Agosto de 2010 às 09:46
Autor Isabel França - Postado em Eleições 2010 | Sem comentários - Comente!

Serra e o Cisne Negro

Por Adriano Oliveira - Cientista político

São raros os Cisnes Negros. Mas existem. É difícil prever resultados eleitorais em razão de que Cisnes Negros poderão aparecer durante a trajetória eleitoral. Os estudos e as predições eleitorais não consideram, geralmente, a possibilidade de surgir um Cisne Negro. No caso, eventos que possam possibilitar a mudança da escolha do eleitor.

Os intérpretes do processo eleitoral não admitem, por vezes, a possibilidade de acasos, ou Cisnes Negros, surgirem. Optam por realizar predições eleitorais com base nos tradicionais determinantes do voto. Por exemplo, a tradicional tese de que boas administrações elegem candidatos.

Não desconsidero os clássicos determinantes do voto sugeridos pela literatura – ideologia do eleitor, administração bem avaliada, cultura política. No entanto, não desprezo a possibilidade de Cisnes Negros aparecerem e permitirem que a escolha do eleitor seja outra. Os Cisnes Negros enfraquecem as predições eleitorais.

É fácil predizer o vencedor nesta disputa presidencial: Dilma deverá ser eleita. Não tenho motivos para não acreditar na vitória da petista. O presidente Lula alavancou a candidatura Dilma. E Serra não escolheu as estratégias adequadas para derrotar a candidata do PT. Hoje, José Serra tende a perder a eleição. Dois determinantes do voto embasam esta minha assertiva – a qual já foi feita várias vezes: administração do presidente Lula bem avaliada e bem estar econômico do eleitor. Observem que as duas variáveis que proporcionam as chances de vitória de Dilma são interdependentes.

Considero que o guia eleitoral de Dilma é bom e emociona. Estratégias precisam emocionar. O eleitor diante de uma situação nítida de bem estar deseja se emocionar, inclusive, se emocionar com o seu próprio bem estar ou com a expectativa de um melhor bem estar.

O guia de Serra não permite que o eleitor esqueça Lula. Ao contrário, a comunicação de Serra reforça a idolatria da população brasileira por Lula. Certamente, alguém da assessoria de Serra não consegue interpretar adequadamente as pesquisas qualitativas, por isto, associou Serra a Lula. Mas, Serra não é oposição a Lula? As pesquisas mostram que o eleitor reconhece Serra como opositor a Lula.

Quais as chances de Serra? É necessário que um Cisne Negro apareça. Serra não precisaria depender fortemente do Cisne, mas ele optou em trazer Lula para o seu guia e esqueceu de ser Serra. Caso deseje reverter a sua situação eleitoral, o candidato do PSDB precisa ser mais agressivo com Dilma. Precisa ser chamado de Serra. Ele deve questionar as falhas do governo do PT. Mesmo que Serra decida agir desta forma, ele continuará a depender do Cisne Negro.

De quais Cisnes Negros Serra depende? Fraco desempenho de Dilma em um debate. Alguma denúncia contra Dilma. Além dos Cisnes, a estratégia de Serra precisa mudar.

Por outro lado, é possível controlar o desempenho do candidato na trajetória eleitoral para que a probabilidade de Cisnes Negros surgirem diminua. Dilma não é incompetente! Portanto, é difícil, mas não impossível, algum Cisne Negro aparecer nesta eleição.

18 de Agosto de 2010 às 16:15
Autor Isabel França - Postado em Eleições 2010 | Sem comentários - Comente!

Debate com os presidenciáveis pela UOL

Foto: Roberto Setton/UOL

Por José Maria Nóbrega – cientista político

 

O primeiro debate entre os principais candidatos a presidente transmitido pela internet foi de total sucesso. De uma vez por todas, a internet veio para ficar! Com a interação, em tempo real, com os internautas pelos diversos veículos da rede, como o twitter, o facebook e o Orkut, tivemos uma das maiores experiências de democracia dos últimos anos. Os candidatos se mostraram atentos aos temas em discussão e considero que todos foram bem.

Marina Silva (PV) iniciou o debate falando sobre a urgência em se implantar a Reforma Política no Brasil, destacando que este assunto foi negligenciado pelos seus adversários. Propôs uma constituinte exclusiva para tal reforma e perguntou a Dilma Rousseff (PT) o que ela propunha sobre isso, já que em todo o governo Lula não se mexeu na questão das reformas política, fiscal e previdenciária. Dilma tergiversou e não respondeu de forma satisfatória a pergunta relevante de Marina. Na Ciência Política sabemos que existem muitos veto players (atores que vetam) no âmbito do poder, isto cria um entrave para a democracia. Dilma, como Serra (PSDB) e, possivelmente Marina, terão grandes dificuldades em implantar uma reforma política ampla no Brasil por questão do excesso de veto players nas arenas decisórias. Já Serra criticou a questão da reforma política – acredito por saber da existência daqueles entraves -, e acertou ao falar de voto distrital misto, sobretudo nas grandes cidades.

O ensino técnico foi amplamente discutido entre os presidenciáveis, com boas propostas entre eles. Dilma e Serra, que já tiveram ampla experiência administrativa, foram mais objetivos em suas propostas, sobretudo o ex-governador de São Paulo que destacou a iniciativa do governo paulistano nesta área de recursos humanos. Marina, por sua vez, afirmou que, sendo eleita, aumentará os recursos em educação sem, contudo, explicar como vai fazer isso.

Ainda sobre o tema educação, Dilma Rousseff foi enfática quanto a sua crítica ao papel do principal aliado do PSDB, o DEM, ao afirmar que parlamentares desta legenda criaram uma lei que impedia a implantação do PROUNI. Serra respondeu que era mentira da candidata do PT e que o PSDB foi precursor na implantação do Fundef que veio a iniciar uma política pública de investimentos específicos em educação aumentando o número de crianças matriculadas nas escolas. Aproveitando ainda o tema, Serra disse que o PT era o partido das teses equivocadas por ter sido contra o Fundef, contra a eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, contra a Lei de Responsabilidade Fiscal etc. e que o PT era partidário do “quanto pior, melhor!|(sic)”.

O segundo bloco começou com Serra interpelando Dilma a falar sobre o ENEM, afirmando da total irresponsabilidade do governo Lula em tema tão importante. Os últimos fatos, dos vazamentos das provas e do sigilo de informação de vários estudantes, corroboraram para o tom mais aguerrido do candidato tucano. Dilma respondeu afirmando ser um absurdo tal questionamento, que erros acontecem transferindo a culpa de tais erros para a gráfica responsável pela produção das provas.
Leia este post na íntegra »

17 de Agosto de 2010 às 11:48
Autor Adriano Oliveira - Postado em Eleições 2010 | 1 Comentário - Comente!

A miopia dos candidatos

Por Adriano Oliveira – Cientista Político

Para Jon Elster atores podem ser míopes. E, por consequência, agir irracionalmente. Declarar alguma coisa é uma ação. Se o ator não está bem informado, ele pode agir de modo errado. E falar coisas que não devem. Por exemplo: criticar resultados de pesquisas eleitorais.

Atores míopes tomam decisões apoiados por crenças falsas. Deste modo, a ação não trará o benefício desejado. Os candidatos ao Senado de Pernambuco não devem acreditar que são favoritos. Se acreditam, estão diante de uma crença falsa, a qual possibilitará uma ação irracional e talvez, por conta da causalidade (crença falsa e ação irracional), percam a eleição.

Sempre frisei: João Paulo, caso fosse candidato ao Senado, teria chances de ser eleito. Marco Maciel, em razão da sua posição estável nas diversas pesquisas e por conta do respeito e admiração que possuem junto à parte do eleitorado, tem condições de vencer a disputa eleitoral. Saliento que respeito e admiração são determinantes do voto encontrados no âmbito emocional do eleitor.

Neste instante, em razão de que 54% dos eleitores pernambucanos ainda não escolheram em quem votar para senador, afirmo que Humberto Costa, Marco Maciel, Armando Monteiro e Raul Jungmann possuem condições de vencer o pleito. É claro que Humberto Costa e Marco Maciel, como já frisei por diversas vezes, partem bem para a disputa. Ressalto que Humberto tem parte do PT e Lula. Apoios importantes.

Não desprezo a força “estrutural” de Armando Monteiro no interior. Aliás, é possível que o voto “MacielMando” vem a predominar em algumas cidades de Pernambuco. Neste caso, o prefeito ou qualquer outra liderança política pedirá votos para Marco Maciel e Armando Monteiro.

A candidatura Jungmann não deve também ser desprezada. Ele tem discurso. Tem o que falar e mostrar. Tem boa imagem e, me parece, o forte apoio do senador Sérgio Guerra. Então, por que não acreditar no sucesso eleitoral do candidato do PPS?

Ressalto que as pesquisas mostram constante variação nos percentuais dos candidatos. Isto é absolutamente normal. Portanto, as pesquisas não estão erradas. Mas as interpretações estão. Diante de um alto percentual de indecisos e da relativa distância do dia de votar, o eleitor ainda não escolheu o seu candidato. Mas caso tenha escolhido, a escolha ainda não é consistente.

16 de Agosto de 2010 às 09:30
Autor Isabel França - Postado em Eleições 2010 | 1 Comentário - Comente!

As estratégias e o guia

 

O jornal Diario de Pernambuco divulgou hoje (16) pesquisa de intenção de voto para os cargos de governador e senador de Pernambuco. De acordo com os números, Eduardo Campos (PSB) continua na dianteira na disputa pelo governo do Estado, com 60% das intenções de voto, contra 17% de Jarbas (PMDB). Para os cargos de senador, o petista Humberto Costa aparece com 43% dos votos, seguido de Marco Maciel (DEM), com 34%, Armando Monteiro (16%) e Raul Jungmann (9%). Com o começo de guia eleitoral amanhã (17), os candidatos apostam na audiência dos 6,2 milhões de eleitores pernambucanos para consolidar, no rádio e na tevê, suas candidaturas, apresentando de forma democrática suas propostas, além de mostrar seus argumentos de quem é o mais qualificado. O início do guia pode representar alguma mudança nas estratégias de cada candidato, mas os resultados dessa nova fase da campanha só as próximas pesquisas dirão.

 

METODOLOGIA - A pesquisa do Instituto Diario Data Associados entrevistou 1.100 pessoas em todo o Estado entre os dias 8 e 11 de agosto. A margem de erro é de 3%.

13 de Agosto de 2010 às 11:51
Autor Isabel França - Postado em Eleições 2010 | Sem comentários - Comente!

O debate, o guia e a estrutura

Foto: Aluisio Moreira

 

Por Adriano Oliveira - Cientista político

 

Foi um bom debate, apesar do número de candidatos. Edilson Silva, mas uma vez, mostra que tem preparo. Roberto Numeriano qualifica a eleição. Discordo de grande parte das convicções ideológicas de Edilson e Numeriano, mas eles são qualificados. Sérgio Xavier apresentou desenvoltura. Xavier e Edilson são variáveis que podem provocar o segundo turno. 

 

Entretanto, só existirá segundo turno em Pernambuco, se Jarbas crescer e Eduardo cair – condição necessária. O senador apresentou as suas adequadas estratégias. Jarbas insistirá que “entregou o estado arrumado” e procurará mostrar que com ele Pernambuco poderá avançar muito mais. Jarbas pautará Eduardo na área da educação. E, certamente, durante o guia e outros debates, provocará mais Eduardo Campos. Não desprezo a hipótese de que Jarbas arregimentará eleitores com estas estratégias. A dúvida, neste instante, é se ele crescerá o suficiente para fazer com que a disputa vá para o segundo turno. 

 

Assim como Jarbas, Eduardo teve um bom desempenho no debate. Aliás, ambos estavam seguros e responderam as indagações com tranqüilidade. Eduardo acerta ao convocar o futuro. Eduardo, acerta, em parte, ao trazer Lula para a sua campanha. Eduardo acerta ao falar em segurança pública. No entanto, os estrategistas de Eduardo erram ao jogar Jarbas contra Lula. E erram também ao insistir que Eduardo é “amigo/irmão” de Lula. 

 

Ora, a forte associação entre Eduardo e Lula poderá esconder outras estratégias, quais sejam: “A minha gestão é bem avaliada e represento o futuro”. Com isto, Eduardo pode esconder os méritos do seu governo junto ao eleitor. Não estou dizendo que Lula não deva ser associado a Eduardo. Mas que a associação deva ser em doses adequadas.

 

Jogar Jarbas contra Lula é dar espaço para o senador. Os estrategistas de Eduardo sabem que o “estilo Jarbas” é admirado por muitos eleitores. Por sua vez, Jarbas não insistirá na tese burra, qual seja: nacionalizar a disputa local. Portanto, o uso de Lula em alta dosagem pode ter efeito negativo. 

 

Nesta campanha teremos evidências importantes, mas não conclusivas, quanto à força do guia na disputa eleitoral. Eduardo Campos tem “estrutura de campanha” e tempo de TV. O seu principal oponente, Jarbas, só tem tempo de TV. Diante disto, indago: Qual será a força do guia eleitoral nesta campanha? Ele tem condições de reverter a desvantagem de Jarbas? No início de setembro terei evidências para responder tais indagações.

11 de Agosto de 2010 às 11:50
Autor Isabel França - Postado em Eleições 2010 | Sem comentários - Comente!

Achismo e pesquisas

 

Por Adriano Oliveira - Cientista Político

 

O “achismo” faz parte da cultura marqueteira brasileira. Políticos também usam do “achismo” para analisar a competição eleitoral. Achar algo não significa nada. Aliás, não diz nada. Vejam só: “Eu acho que o candidato X perde a eleição”. O que esta assertiva, tão comum nos ambientes político e publicitário, revela? Apesar de não revelar nada, atores insistem em achar.

 

Mesmo diante de pesquisas, atores persistem em achar. Achar o quê? Achei o gato. Achei a régua. Achei os números. Achei quem vai ganhar a eleição. Não é adequado achar quem irá ganhar a eleição. Adequado é construir cenários para saber quem irá vencer a competição eleitoral.

 

A construção de cenários depende de três ações fundamentais: 1) Análise de conjuntura; 2) Análise de pesquisa qualitativa; 3) Análise de pesquisa quantitativa. Estas três ações são interdependentes. Através delas, é possível construir cenários e prevê o resultado da disputa eleitoral.

 

Analisar a conjuntura significa decifrar o comportamento e os interesses dos atores. Significa também decifrar as variáveis econômicas, emocionais e políticas que podem interferir na disputa eleitoral. A análise da conjuntura auxilia a formulação de cenários. Os analistas que fizeram uso da análise de conjuntura no início deste ano descobriram antes dos que “acham” que Dilma cresceria e que Eduardo Campos disputaria a reeleição com condições políticas favoráveis.

 

As pesquisas qualitativas e quantitativas revelam o que o eleitor pensa e deseja. Não é novidade que o eleitor está satisfeito com a economia. Portanto, ele deseja que o seu bem-estar se mantenha. Mas isto não significa que ele já fez a sua escolha. A opinião dos eleitores não é estática. É mutável. Portanto, o guia eleitoral pode vir a modificar dada realidade. É possível que o eleitor acredite que o seu bem-estar será mantido com a vitória do competidor oposicionista.

 

O que o eleitor pensa de uma candidata que participou da luta armada? Qual a opinião do eleitor sobre um candidato que foi ministro de FHC? Quais os atributos do candidato que importam para o eleitorado? A história do candidato determina a escolha do eleitor? O que é um candidato competente para o eleitor? De que forma o presidente Lula influencia no processo eleitoral?

 

Estas indagações podem fazer parte das pesquisas qualitativas e quantitativas. Através delas, o estrategista adquiri condições de criar o discurso do seu candidato e de posicioná-lo nas diversas etapas da disputa eleitoral. O início do guia eleitoral poderá mudar as opiniões dos eleitores, as quais tinham sido decifradas anteriormente. Deste modo, é necessário o acompanhamento freqüente do comportamento dos eleitores.

 

Não sou precipitado quanto a qualquer disputa eleitoral. Não opto pelo “achismo”. Analiso fatos. Neste instante, é possível sugerir os candidatos favoritos nas disputas presidencial e local. Mas ainda são imprevisíveis os resultados finais de ambas as disputas. O guia eleitoral é fonte informação para os eleitores.

11 de Agosto de 2010 às 11:31
Autor Isabel França - Postado em Eleições 2010 | Sem comentários - Comente!

Confira a fotos do lançamento do livro “O que pensa o eleitor pernambucano?”

(da esquerda para a direita) Roberto Santos, Adriano Oliveira e Carlos Gadelha

Maurício Romão (em destaque), Adriano Oliveira e Jorge Zaverucha

(da direita para a esquerda) André Régis, Enoque Gomes e Antonio Lavareda

6 de Agosto de 2010 às 18:39
Autor Isabel França - Postado em Eleições 2010 | 1 Comentário - Comente!

Confira as fotos da homenagem a Jarbas Vasconcelos na Confraria da Educação

 

6 de Agosto de 2010 às 17:43
Autor Isabel França - Postado em Eleições 2010 | Sem comentários - Comente!

Em discurso empolgado, Henry destaca as benfeitorias do governo Jarbas

Foto: Chico Peixoto

 

Em discurso realizado durante a Confraria da Educação, ocorrido nesta sexta-feira (06) na churrascaria Boi Preto, o deputado federal Raul Henry, relembrou a história do candidato ao governo do Estado Jarbas Vasconcelos (PMDB), homenageado na solenidade, recordando sua luta no enfretamento do Regime Militar, além destacar os investimentos nas áreas de infraestrutura realizados durante a gestão de Jarbas quando foi prefeito do Recife e governador. “Pernambuco era um antes e, depois do governo Jarbas, se transformou. Se hoje o atual governo comemora, é por que colheu os frutos da política econômica implantada no governo Jarbas”, afirmou Henry, arrancando aplausos calorosos dos participantes do encontro.

5 de Agosto de 2010 às 17:19
Autor Isabel França - Postado em Eleições 2010 | Sem comentários - Comente!

Jarbas é homenageado em Confraria, nesta sexta (06)

As opiniões postadas neste blog não refletem necessariamente a posição deste Instituto.

Copyright © Núcleo de Tecnologia da Informação - ESBJ

Recife

Endereço: Rua Manoel Caetano, 132, Derby, Recife-PE - CEP.: 52010-220
Contato: 3413-4611

Uma instituição do Grupo Ser Educacional