Instituto Maurício de Nassau

12 de Janeiro de 2011 às 05:39
Autor Adriano Oliveira - Postado em Política | Sem comentários - Comente!

PT x PSB: um jogo de soma zero?

POR Adriano Oliveira – Cientista Político

 

Por diversas razões, alianças políticas findam. Elas não são perenes. Em algum instante, por conta de interesses contrariados de algum ator ou pelo enfraquecimento da expectativa de poder, as alianças rompem.

 

As alianças políticas são construídas por conta da expectativa de poder dos atores. Na formação das alianças observa-se a lógica da ação coletiva de Mancur Olson. De acordo com Olson, os indivíduos podem agir coletivamente em virtude de um ou vários interesses comuns. Portanto, as alianças políticas são construídas porque determinados indivíduos descobrem que a conquista do poder ocorrerá caso ajam coletivamente.

 

A Teoria dos Jogos consegue explicar a formação das alianças políticas, pois os indivíduos agem racionalmente e estrategicamente quando buscam conquistar o poder. Através da Teoria dos Jogos é possível também prever que a aliança PT e PSB poderá findar.

 

Cientistas Políticos não podem se abster de construir cenários. Estes são hipóteses. Com o auxilio da Teoria dos Jogos, observo que o PT nacional desconfia dos interesses do PSB. E o PSB sabe que a aliança com o PT é uma alternativa de poder no âmbito nacional, mas também pode não ser.

 

O PT tem ciência de que Eduardo Campos é uma sombra à Dilma em virtude da sua relação pessoal com Lula e também por conta do seu capital eleitoral no estado de Pernambuco. O PT sabe que Eduardo busca, estrategicamente, conquistar dimensão política nacional. Enfim, o PT sabe que Eduardo Campos é uma alternativa para 2014.

 

Por outro lado, o PSB sabe que se Dilma Rousseff fizer um bom governo e for aprovada pela população, as chances de Lula ser candidato em 2014 com Eduardo Campos em sua chapa são remotas. Neste caso, diante deste contexto, onde Dilma terá condições de ser reeleita, a alternativa de Eduardo Campos é adiar seu sonho presidencial para 2018 ou se aliar ao PSDB, preferivelmente com Aécio Neves.

 

Em um cenário onde Dilma é favorita na disputa presidencial, o PMDB continuará a ser o seu aliado preferencial. E o PSDB buscará o PSB como parceiro. O PSB, caso deseje alçar Eduardo Campos para vice-presidência terá que enfrentar o PMDB ou caminhar junto com o PSDB.

 

Observo, portanto, que em longo prazo, os interesses de Eduardo Campos e do PT talvez não sejam convergentes. Mas concorrentes. Esta concorrência poderá ter forte repercussão nas eleições de 2012 e na eleição para Governo do Estado em 2014.

 

Por enquanto a Teoria dos Jogos mostra que em 2014 apenas um será o vitorioso nesta concorrência silenciosa entre PT e PSB. O jogo entre os atores do PT e do PSB sugere ser de soma zero.

 

4 de Janeiro de 2011 às 10:07
Autor Adriano Oliveira - Postado em Política | 1 Comentário - Comente!

Cenários para Lula

Por Adriano Oliveira – Cientista Político

 

Variados atores políticos e eleitores especulam sobre o retorno de Lula em 2014. Gilberto Carvalho, ex-secretário da presidência da República no governo Lula e integrante do governo Dilma, já alertou a oposição de que Lula está no banco de reserva e pode voltar. Um político de projeção nacional falou para mim que possivelmente existe um acordo entre Lula e Dilma. Em razão deste acordo, Lula é candidato a presidente em 2014.

 

Não descarto a hipótese da volta de Lula na próxima eleição presidencial. Contudo, deve-se especular quanto às circunstâncias políticas, sociais e econômicas que poderão propiciar o retorno de Lula. A ciência política não pode criar raciocínios deterministas. O seu papel é especular quanto às ações dos atores e o surgimento de dadas circunstâncias.

 

É possível que no período Dilma a economia brasileira não tenha crescimento pujante. É plausível especular quanto à origem de graves escândalos de corrupção no governo Dilma em virtude de sua ampla base de apoio. Atos rebeldes de membros do PSB, PT e PMDB em razão de motivos diversos, dentro os quais, mais espaços no governo, poderão ocorrer. Dilma poderá não construir ações governamentais eficientes por conta da pressão do parlamento, da incapacidade de investimento estatal e em razão da influência de setores da sociedade.

 

Por outro lado, é plenamente possível que a economia brasileira, a partir de 2012, retome o crescimento pujante. Dilma pode punir com rigor os escândalos de corrupção e com isto obter o apoio da imprensa e da sociedade. Diante do ser perfil técnico, Dilma pode tornar o estado eficiente e com isto obter popularidade. Em razão desta, ela adquire condições de controlar membros do PT, PSB e PMDB. Enfim, Dilma pode realizar um bom governo.

 

Caso Dilma adentre meados de 2013 com alta popularidade, o que será de Lula? Ora, se Lula for amigo da presidente e amar o Brasil, ele não atrapalhará a reeleição de Dilma. Mas se Dilma adentrar 2014 com reduzida popularidade, o que fará Lula? Ele tentará voltar. A dúvida é: o seu capital eleitoral permanecerá robusto até 2014?

 

30 de Novembro de 2010 às 11:21
Autor Adriano Oliveira - Postado em Política | Sem comentários - Comente!

Eleições e servidores

Por Adriano Oliveira – Cientista Político

Durante o período eleitoral, candidatos optam por se aproximar dos servidores públicos através do oferecimento de benefícios impossíveis de serem concedidos. Geralmente, eles se resumem ao aumento do salário do servidor público. Em nenhum instante, os candidatos discutem, já que receiam perder votos, a eficiência do estado por meio da reforma das estruturas que orientam e condicionam a relação servidor público e sociedade.

É freqüentemente atribulada a relação gestor estatal e funcionalismo público, independente da cor partidária. São diversos exemplos de gestores que sofreram intensa pressão dos sindicatos dos servidores e para estabelecer a “governabilidade” optaram por atender as respectivas demandas. Outros, com diálogo ou cooptação das lideranças sindicais, conseguiram evitar ou suspender greves e não atenderam a “tudo” que os sindicatos desejavam.

Reconheço que são justas, por vezes, as demandas do funcionalismo público. Em particular, o aumento dos salários. Diversas categorias do funcionalismo, como médicos, professores e policiais, precisam que os seus salários sejam recuperados. Embora, outras categorias não tenham esta necessidade!

Os gestores possuem limites, pois o orçamento é único e ele precisa ser distribuído para as variadas demandas advindas da sociedade e do estado. Os atores políticos criaram a Lei de Responsabilidade Fiscal, a qual representa um arranjo institucional que buscou, corretamente, limitar os gastos do gestor com o funcionalismo público e tem proporcionado a criação da cultura do equilíbrio fiscal no interior do estado.

O estado brasileiro sofre processo de transformação em razão da Lei da Responsabilidade Fiscal e dos limites orçamentários inerente a própria dinâmica da distribuição dos recursos públicos. Este processo evidencia que a função pública, aos poucos, deixará de ser atrativa para os bons e excelentes profissionais em virtude da incapacidade do estado de manter constantes aumentos salariais para o funcionalismo público.

Em razão disto, os candidatos precisam, no decorrer da campanha eleitoral, construir discurso correspondente às limitações fiscais do estado, pois caso isto não ocorra, o vencedor do pleito terá imensa dificuldade em governar e, por consequência, manter a sua administração bem avaliada, pois greves tumultuam a gestão.

Os candidatos precisam entender que os servidores públicos na disputa presidencial e para o governo do Estado não decidem eleições. Entretanto, em municípios em que o comercio depende dos salários dos servidores, talvez sim. Ressalto que os indivíduos/eleitores que não fazem parte do estado desejam um estado eficiente no provimento dos serviços públicos.

Mas para tal empreitada, os servidores do estado precisam estar satisfeitos. Satisfação não se obtém apenas com aumento de salários. Os gestores precisam propor novos incentivos ao funcionalismo público e não apenas prometer, em época de campanha, aumento salarial.

22 de Novembro de 2010 às 14:59
Autor Adriano Oliveira - Postado em Política | Sem comentários - Comente!

Quais as chances da oposição?

Adriano Oliveira – Cientista Político

Cientistas políticos não devem ter receio em especular. É impossível analisar dada disputa eleitoral sem considerar cenários. Estes são hipóteses, as quais serão comprovadas ou não. Diante dos cenários, os atores políticos adquirem condições adequadas para escolherem estratégias eficientes para a conquista dos seus objetivos. Quais as chances da oposição em 2012?

A oposição tem chances de conquistar a prefeitura do Recife em 2012. Contudo, ela não deve desprezar o seguinte cenário: João da Costa adquire condições de ser reeleito. Desprezar as chances eleitorais do atual prefeito significa construir antecipadamente a derrota. Costa é um bom técnico, aparenta ter o apoio de Humberto Costa para a reeleição e caso seja candidato contará com a estrutura estatal.

A oposição tem três candidatos viáveis: Raul Henry (PMDB), Raul Jungmann (PPS) e Mendonça Filho (DEM). Não me interessa quantos votos cada um destes obteve na última eleição em Recife. Estes votos não representam a potencialidade do candidato, pois eles estão disputando a eleição de prefeito do Recife. Porém, os três possíveis competidores, caso construam alianças políticas, possuem condições de enfrentar João da Costa.

Os três candidatos devem ser candidatos separadamente? Aconselho que não. Não existem partidos suficientes para possibilitar alianças políticas robustas caso os três saiam candidatos. Sem alianças robustas, menos candidatos a vereadores pedindo votos e, talvez, reduzida arrecadação financeira.

Não vejo, neste instante, a possibilidade de Henry, Jungmann e Mendonça se unirem. As recentes disputas na Câmara Municipal me fazem afirmar isto. Mas eles precisam se unir. Qualquer um dos três pode abrir mão da cabeça de chapa em 2012 e costurar acordos para 2014. Por exemplo: Henry vice de Jungmann ou de Mendonça? Mas, o que Henry ganharia em 2014?

Aceitar ser vice de alguém requer benefícios futuros. Ninguém, certamente, pensa em disputar a eleição do Senado contra Eduardo Campos em 2014. Mas, os oposicionistas podem pensar em disputar a sucessão de Campos. Entretanto, quem se arriscará? Diante deste imbróglio, a oposição reduz as suas chances de sucesso eleitoral.

Há outro fator que dificulta o sucesso da oposição em 2012, qual seja: a candidatura de João Paulo. O ex-prefeito do Recife pode ser candidato pelo PT ou por outra legenda. Com João Paulo candidato, as chances de todos os competidores são reduzidas. Imaginem, ainda, se João Paulo pensa, e ingressa no PMDB e sai candidato a prefeito com Henry como vice? Caso isto ocorra, o resultado da eleição de 2014 dependerá fortemente do sucesso de João Paulo em 2012.

Os atores da oposição devem ficar atentos aos passos do governador Eduardo Campos. É possível uma aliança entre PSB, PSDB e PPS em 2012? O governador enfrentará o PT na eleição municipal? Indagações como estas, o fator João Paulo e os interesses divergentes dos atores oposicionistas poderão dificultar a conquista da prefeitura do Recife por parte da oposição. Os oposicionistas precisam conversar!

9 de Novembro de 2010 às 14:54
Autor Adriano Oliveira - Postado em Política | Sem comentários - Comente!

Os atores da situação nas eleições de 2012

POR Adriano Oliveira – Cientista Político

Cientistas políticos não devem temer a construção de cenários. Construir cenários é sugerir hipóteses a partir de informações advindas de diversas fontes. Os cenários servem para orientar a ação dos atores, assim como posicioná-los diante dos seus objetivos. Os cenários, quando bem construídos, possibilitam que os atores evitem erros ao agirem.

Cada cenário tem sua conjuntura. Ou várias. Isto significa que o cientista político considera a conjuntura política, econômica e social para construir cenários. A conjuntura pode representar um presente ou um futuro. Neste último caso, o previsor especula qual será a conjuntura. Quando não é possível fazer isto, e nem construir cenários, o cientista político deve criar indagações, as quais serão respondidas com o passar do tempo.

Nas próximas eleições para prefeito do Recife, diversos atores exercerão o papel principal. O governador Eduardo Campos, João Paulo, João da Costa e Humberto Costa terão grande importância. Ressalto que, talvez, os interesses dos dois primeiros sejam ou são conflitantes. Além disto, suponho que João Paulo dependerá das “forças populares” ou dos astros para conseguir construir a sua candidatura como candidato da situação.

O governador Eduardo Campos, diante da sua liderança em Pernambuco, desejará, certamente, influenciar fortemente na disputa municipal. Sendo assim, ela terá duas alternativas: 1) Apoiar um candidato do PT; 2) (ou) Apoiar um candidato da sua confiança. Caso João da Costa esteja bem avaliado, ele adquire as condições políticas para obter o apoio do governador e do PT. Mas se não estiver?

Se não estiver, Humberto Costa pode ser o candidato de Eduardo. Mas somente será, desconfio, se assumir o compromisso de não ser candidato ao governo em 2014. Entretanto, diante da ausência de João da Costa na disputa, o PSB pode optar por apoiar um novo nome. Qual seria? Tenho dificuldade em imaginar!

Ao optar por um novo nome, o PSB pode abandonar o PT.

João Paulo, por sua vez, terá que torcer para que João da Costa não seja candidato. Por consequência, ele poderá exigir que o PT o aceite como candidato. Mas, internamente e externamente, João Paulo terá dificuldades. Quais são as razões para que o grupo de Humberto apóie a candidatura do ex-prefeito do Recife? João Paulo eleito prefeito pela terceira vez renova as suas forças para disputar o governo em 2014.  Com isto, o sonho de Humberto em ser governador será dificultado ou adiado.

E o governador Eduardo Campos apoiará João Paulo? Desconfio que não. O sucesso de João Paulo poderá impedir o sucesso eleitoral de Eduardo em 2014. A não ser que João Paulo, e isto eu não acredito, se comprometa com Eduardo a não ser candidato a nada em 2014.

João Paulo tem duas alternativas. Primeiro, ser candidato por outra legenda qualificada de esquerda – PC do B. Ou se aliar com a oposição. Mas qual oposição? A oposição de Jarbas Vasconcelos. Mas se isto ocorrer, o palanque da oposição continuará desarrumado.

Apesar de ser um candidato competitivo, e por isto uma noiva disputada, João Paulo poderá, caso não se articule, ser mais um ex-prefeito.

Na próxima semana abordarei os candidatos da oposição.

1 de Novembro de 2010 às 14:29
Autor Adriano Oliveira - Postado em Eleições 2010 | Sem comentários - Comente!

A eleição de Dilma

Por Adriano Oliveira

A eleição de Dilma representa mais uma ruptura com as estruturas que inibem o progresso socioeconômico do Brasil. As ações de FHC, em particular as privatizações, enfraqueceram a prática patrimonialista no interior do estado brasileiro. A vitória de Lula mostrou simbolicamente que a mobilidade social existe no Brasil e que os “de baixo” podem chegar ao poder numa sociedade hierárquica.  O sucesso eleitoral de Dilma contribui ainda mais para o enfraquecimento da hierarquia social. Neste caso, a hierarquia de gênero.

Os determinantes clássicos que elucidam a escolha eleitoral, apesar dela ter vencido no segundo turno, explicam o sucesso da petista. Dilma venceu em razão de ter Lula ao seu lado. Lula é um governante aprovado pela população brasileira, proporcionou bem-estar econômico aos brasileiros, e é do PT, partido admirado por parte dos eleitores.

Mas Dilma, ao contrário dos que muitos achavam antes da campanha, não é incompetente. E nem sofre de paralisia gerencial e intelectual. Dilma foi vendida pelo marketing como gestora competente. E o eleitor acreditou nesta promessa. Cabe a ela tornar o estado eficiente. O discurso de Dilma após eleita sugere que ela tem ideias próprias, algumas, inclusive, que contradizem com parte da “intelectualidade” do seu partido.

Dilma defendeu a liberdade de expressão, a gestão pública eficiente, o fortalecimento do mercado interno e a interação econômica com outros países. Estes temas foram abordados de modo tímido pela candidata na campanha. E a defesa intransigente da liberdade de expressão não estava no seu programa inicial de governo. Ao abordar estes temas após eleita, Dilma mostra que não depende exclusivamente do PT e do presidente Lula para governar.

Dilma tem dois desafios. O primeiro é saber lidar com os interesses patrimonialistas da sua ampla base partidária. Dilma não pode lotear o estado desconsiderando a competência e a conduta do ator nomeado. É infantil acreditar que Dilma ou qualquer outro presidente tenha condições de governar sem construir o presidencialismo de coalizão. Mas Dilma pode tentar fazer diferente. Neste caso, reconhecer o estado como organização em que os interesses privados não podem contaminá-lo.

O presidente Lula poderá ser um problema para Dilma. Lula sairá do governo nos braços do povo. Lula a elegeu. Diversos brasileiros atribuem as suas conquistas econômicas a ele. Portanto, Dilma, sempre que for ao espelho refletir sobre a eficiência do seu governo, poderá ver a sombra de Lula. Este, por sua vez, em razão de alguma insatisfação, poderá opinar sobre Dilma. Com isto, sem intenção ou não, desgastar a imagem da sua criatura.

Dilma deve assumir o governo pensando em ser reeleita. Com isto, ela descobrirá que precisa se distanciar politicamente do presidente Lula. Ele pode ser seu amigo e até conselheiro. Mas nunca um ator que atua em sua sombra. Dilma precisa mostrar aos brasileiros que tem autonomia em relação a Lula e sabe lidar com o PT ou com qualquer outro partido. Dilma, diante de uma forte oposição que sofrerá, precisará dialogar e respeitar as instituições. Dilma deve enxergar o Brasil como uma nação integrada por um só povo independente da preferência partidária.

27 de Outubro de 2010 às 09:23
Autor Adriano Oliveira - Postado em Eleições 2010 | Sem comentários - Comente!

O que ocorrerá no próximo domingo?

 

.

Por Adriano Oliveira

.

Por que desconfiar dos institutos de pesquisas? Costumo afirmar que as pesquisas erram em razão dos analistas de pesquisas. Muitos destes não interpretam adequadamente as pesquisas e incentivam a imprensa e a opinião pública a cometerem erros. A imprensa, por sua vez, erra ao olhar apenas o percentual de votos, e desconsidera outros fatores importantes. Muitos analistas fazem o mesmo.

.

Não considero que os institutos de pesquisas erraram na disputa presidencial do primeiro turno. Era visível, desde o início de setembro, oscilações positivas da candidata Marina Silva. Os acasos, os quais costumeiramente ocorrem nas disputas presidenciais, surgiram, e o caso Erenice e outros fatos, possibilitaram que Serra fosse para o segundo turno. Isto era previsível. Porém, muitos optaram por enxergar e analisar apenas a intenção de votos. E esqueceram de construir hipóteses.

.

Neste instante, todas as pesquisas eleitorais mostram que Dilma Roussef é favorita a vencer a disputa pela presidência. A vantagem da candidata do PT em todas as regiões do Brasil, com exceção do Sul, de acordo com a última pesquisa do Datafolha, me faz afirmar, neste instante, que Dilma é favorita a vencer a eleição.

.

Deve-se considerar que a vantagem ampla que Dilma possui no Nordeste e a mínima vantagem que ela tem no Sudeste sobre Serra, anulam, em parte, a esperança deste em vencer o pleito eleitoral. Serra precisa obter larga vantagem no Sudeste para vencer a disputa. Destaco, ainda, que Dilma tem ampla vantagem junto aos eleitores com ensino fundamental – 55% versus 32%. E mínima vantagem, considerando a margem de erro, junto aos eleitores que têm ensino médio – 47% versus 41% (Pesquisa Datafolha, 25/10).

.

Portanto, diante dos fatos apontados, além de que Serra e Dilma estão estáveis em variadas pesquisas, considerando a variável intenção de votos, afirmo que Dilma é favorita a vencer a competição eleitoral. Porém, nem sempre o favorito vence. Por obrigação, já que faço análise, é importante sugerir alguns cenários possíveis, os quais, friso, devem ser encarados como hipóteses.

.

Cenário 1: Dilma ou Serra têm desempenho sofrível no último debate. Este, por sua vez, tem considerável audiência. Surgem ondas de opinião negativas para um dos candidatos, as quais serão repercutidas na escolha do eleitor.

.

Cenário 2: A abstenção é alta no Sudeste e entre os eleitores com maior renda e nível de instrução. Por outro lado, a abstenção é baixa ou normal no Nordeste e entre os eleitores com menor renda e nível de instrução. Com isto, a diferença entre Dilma e Serra amplia-se, e a petista vence a eleição.

.

Cenário 3: A abstenção é pequena no Sudeste e entre os eleitores com maior renda e nível de instrução. Por outro lado, a abstenção é alta no Nordeste e entre os eleitores com menor renda e nível de instrução. Com isto, a diferença entre Dilma e Serra diminui. E em razão de ondas de opinião negativas contra Dilma, provocadas pelo último debate, Serra vence no Sudeste e no Sul por ampla margem de votos – não desconsidero a força de Aécio e Alckmin.

.

O melhor cenário para Dilma é o dois. E, claro, ela precisa ter um bom desempenho no último debate. O melhor cenário para Serra é o três. Saliento que 8% dos eleitores estão indecisos e 5% pretendem votar Branco/Nulo ((Pesquisa Datafolha, 25/10). Tanto Serra como Dilma poderão conquistar parte destes eleitores.

.

Considerando os cenários postos, é possível e real a vitória de Dilma. Mas não descarto o sucesso eleitoral de Serra, em razão do cenário três.

.

Caso o costureiro de Dilma ligue para mim perguntando se já pode fazer o vestido da posse, eu recomendarei calma. E se o de Serra me ligar? Eu recomendarei muita calma e desejarei muita sorte.

21 de Outubro de 2010 às 17:40
Autor Isabel França - Postado em Eleições 2010 | Sem comentários - Comente!

A esperança do alto nível

 

O novo debate dos presidenciáveis na região Nordeste já está marcado: na próxima quarta-feira (27), os candidatos à presidência da República Dilma Rousseff (PT) e José serra (PSDB) estarão frente a frente discutindo suas propostas para a região. A TV Jornal e mais nove afiliadas do SBT Nordeste irão transmitir ao vivo o debate que será realizado em Salvador, no estúdio da TV Aratu. O primeiro debate foi realizado no Recife, no dia 20 de setembro, onde a candidata Dilma foi a única ausente, fato que repercutiu em críticas a candidata, além de discussões rasas de todos os demais candidatos sobre o Nordeste, revelando desconhecimento e todos eles sobre a realidade da região. Agora, a expectativa é de que o debate seja de alto nível, com propostas reais para o Nordeste e sem agressões pessoais, fato bem diferente dos casos que estamos presenciando nesta campanha, onde a militância bate boca e se estapeia nas ruas. Há 10 dias das eleições, será que as campanhas resolveram perder a decência de vez?

20 de Outubro de 2010 às 16:47
Autor Isabel França - Postado em Eleições 2010 | Sem comentários - Comente!

Em entrevista ao JN, Serra nega desvio de dinheiro de campanha

19 de Outubro de 2010 às 10:22
Autor Isabel França - Postado em Eleições 2010 | Sem comentários - Comente!

Polêmicas são pautadas em entrevisa com Dilma Rousseff no JN

O Jornal Nacional começou ontem uma série de entrevistas com os candidato à presidência da República. A primeira foi com a candidata Dilma Rousseff (PT). Estiveram na pauta da entrevista o caso Erenice Guerra, o apoio do deputado Ciro Gomes na campanha, legalização do aborto, entre outros temas. Acredito que a candidata foi muito coerente em suas respostas e bateu no oponente no momento oportuno. Veja a entrevista completa abaixo. Hoje é a vez do candidato José Serra (PSDB). 

 

 

As opiniões postadas neste blog não refletem necessariamente a posição deste Instituto.

Copyright © Núcleo de Tecnologia da Informação - ESBJ

Recife

Endereço: Rua Manoel Caetano, 132, Derby, Recife-PE - CEP.: 52010-220
Contato: 3413-4611

Uma instituição do Grupo Ser Educacional