Drogas e violência

Por José Maria Nóbrega Jr. – historiador e cientista político
www.josermarianobrega.blogspot.com
São cada vez mais freqüentes nas matérias dos jornais as apreensões de drogas executadas pelas polícias em Pernambuco. O crack, droga que leva a uma dependência exacerbada por parte de quem a consome, aparece em primeiro lugar no ranking dessas apreensões. O consumo desta droga vem destruindo lares, afastando pais de seus filhos, levando as pessoas ao mundo do crime e o pior, recrudescendo um mercado ilegal que leva muitas pessoas a serem assassinadas.
Dados do Departamento de Homicídios e Proteção a Pessoa de Pernambuco, DHPP, vem mostrando que muitos dos homicídios tem como causa o tráfico de drogas. Mais de 30% dos assassinatos ocorridos entre outubro de 2008 e maio de 2009 tiveram como motivação o tráfico de drogas, onde o crack potencializou esse tráfico. Isso mostra uma forte relação entre o tráfico de drogas e os assassinatos, ou seja, como um combustível para a violência em Pernambuco.
Outra informação importante é a forte relação entre as drogas (tráfico e consumo) e a população carcerária. Em outubro deste ano estive visitando uma Unidade Prisional no Agreste pernambucano. A população carcerária desta unidade tinha como maioria, jovens entre 18 e 25 anos de idade, onde boa parte dessa população foi presa por envolvimento, de alguma forma, com as drogas. Informações de administradores da unidade prisional visitada e do DHPP afirmam que o crack é o maior combustível das violências que levam infratores à prisão. Nos últimos cinco anos o consumo, e por sua vez o tráfico de crack, aumentou consideravelmente, apesar de não existir uma estatística oficial para uma inferência mais balizada.
O comando do tráfico intramuros é outro problema que passa despercebido pelas instituições coercitivas em Pernambuco. Enquanto se fala muito desse fenômeno no sul e, principalmente, no sudeste do Brasil, aqui em Pernambuco parece que o crime de tráfico e comando de assassinatos de dentro dos presídios não acontece. Ressalto que isto é um acontecimento nacional, e não há exagero de se falar em fenômeno latino-americano.
O comando do tráfico dentro dos presídios já é conhecido pela literatura nacional e internacional que trabalha com a questão da violência. Na década de noventa passou a ser potencializado com o desenvolvimento da tecnologia da informação, por outro lado levou-se muito tempo para que as instituições do estado voltassem suas atenções para esse movimento criminoso.












