Cleptocracia 2
Por José Maria Nóbrega*
Venho afirmando que o Brasil é uma cleptocracia, governo de ladrões ou bandidos, baseado nos lamentáveis fatos que insistem em encher os noticiários e as manchetes dos jornais e revistas do país: o envolvimento de políticos e pessoas do quadro público em casos de corrupção, formação de quadrilha e de informações privilegiadas. O fato é que as instituições do país são utilizadas pelos grupos criminosos de plantão, nas mais diversas instâncias do poder, tanto no legislativo quanto no executivo, como meio de favorecer aqueles que fazem parte das organizações criminosas incrustadas no poder político.
A ABIN (Agência Brasileira de Inteligência), a Polícia Federal e o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) são instituições que prezam pela proteção de interesses políticos em vez de fazer o que lhe são propostos como sendo real de suas funções, a isenção na busca do justo. São órgãos utilizados pelos governos de plantão para obter informações privilegiadas e espionarem os adversários e/ou inimigos políticos. A ABIN, subordinada ao GSI, que é controlado por um militar da reserva que é um fiscal atento das articulações políticas em torno dos interesses políticos do governo do momento, age muitas das vezes como se estivesse ainda no período de exceção, deslocando agentes para investigarem pessoas que estão fazendo suas funções dentro das instituições (leia-se: arapongagem), mas que tais funções podem prejudicar o governo. Como aconteceu com o delegado que presidia as investigações da Operação Satiagraha, Protógenes Queiroz, que sofreu perseguição da diretoria da PF, e hoje está afastado do caso.
Os dirigentes dessas instituições são escolhidos a dedo pelos políticos governistas para defender os interesses de suas coalizões e as coligações intra-congresso nacional. Impressiona a articulação dos parlamentares para favorecer o banqueiro Daniel Dantas, dono do banco Opportunity, órgão envolvido numa série de denúncias criminosas com o erário público e no favorecimento de licitações e coisas do gênero, com a cobertura do governo e de parlamentares alinhados num esquema de corrupção e de formação de quadrilha, ou seja, crime organizado endógeno, quando este acontece com a participação de agentes do Estado. Dentro da PF há uma verdadeira guerra política, muitas das vezes com caráter partidário.
Impressiona as artimanhas do poder para favorecer o banqueiro. Heráclito Fortes, senador do DEM, agora articula em Brasília uma forma do D.D. ser julgado por um juiz que pode vir favorece-lo no julgamento. O senador é amigo íntimo da família de Dantas e vivia viajando nos jatinhos particulares do Opportunuty, e haja cordialidade neste país…
Crime organizado existe quando mais de uma pessoa se organiza para o fim de obter vantagens econômicas por meio de práticas ilícitas. O que vemos no Brasil é que “os donos do poder” vem utilizando de meios cada vez mais ilícitos para alcançarem seus fins político-eleitorais e sabem que, nas artimanhas do poder, podem utilizar do cordialismo buarquista para saírem impunes de suas atividades criminosas. É isso aí, uma cleptocracia.
*Cientista Político, Mestre e Doutorando em Ciência Política pela UFPE e Pesquisador do Núcleo de Estudos de Instituições Coercitivas e da Criminalidade (NICC-UFPE).




10 Setembro 2009 às 16:04
É isso aí!
Na concepção do termo (Cleptocracia), o Brasil é o exemplo mais atual e concreto no cenário mundial. . . que tristeza! Fatou lembrar que a oportunidade para a ação desses cleptocráticos em grande parte é culpa nossa (minha, desse colunista, de nossos vizinhos, enfim, do eleitorado ignorante brasileiro.