Como vota o eleitor na disputa proporcional?

Existe uma lacuna na Ciência PolÃtica brasileira quanto aos estudos sobre a dinâmica das eleições proporcionais. O problema é simples, qual seja: de que modo vota o eleitor na eleição proporcional? Outra pergunta pode ser feita: as variáveis que influenciam o eleitor a escolher o seu candidato na disputa majoritária, são semelhantes as que lhe influenciam na disputa proporcional?
Estes questionamentos são importantes, pois é freqüente no ambiente polÃtico o raciocÃnio de que prefeitos importam para garantir a vitória de deputados estaduais e federais. É claro que importa! Pois prefeitos representam apoio polÃtico. E este pode representar votos. No entanto, de que modo os deputados – federais e estaduais – conquistam e mantém os prefeitos?
Li, recentemente, num blog polÃtico, que certo candidato tem o apoio de quatro prefeitos para a disputa de deputado estadual em Pernambuco. Diante da notÃcia, indaguei: de que modo este futuro candidato conquistou estes prefeitos? Quais as ferramentas utilizadas por este postulante para manter os prefeitos sob o seu controle? A Ciência PolÃtica ainda não respondeu a estes questionamentos.
É claro que suspeito das ferramentas utilizadas para a conquista e a manutenção de prefeitos. Mas não tenho neste momento condições de explicar sofisticadamente como elas surgem e de que forma são utilizadas. No entanto, diante do aparente desespero de alguns deputados da oposição pernambucana , constato que benefÃcios advindos da máquina pública interferem na disputa proporcional.
No entanto, mesmo diante da explicação acima, o questionamento persiste: quais os determinantes do voto na eleição proporcional? Estudos mostram que na eleição majoritária a ideologia, a identificação partidária, o bem-estar econômico e administração bem avaliada são variáveis que orientam/determinam a escolha do eleitor. Estas mesmas variáveis explicam a escolha na disputa proporcional?
Explica em parte, pois fortes candidatos ao governo contribuem para a eleição de deputados – outra hipótese. Outro ponto: eleitores votam na legenda. Além disto, candidatos a reeleição na disputa majoritária têm condições de atrair votos para os postulantes da disputa proporcional. Esta afirmação é construÃda com base na hipótese de que candidatos competitivos na disputa majoritária contribuem para a eleição de parlamentares.
Considero, contudo, que estas variáveis explicam parcialmente a dinâmica numa eleição proporcional. Pois, como já dito, prefeitos importam, já que representam apoios polÃticos. Deste modo, é necessário verificar de que modo os prefeitos conquistam votos para determinado candidato ao Legislativo. Prefeitos têm o controle da máquina publica. O poder estatal oferta bens públicos. Estes, por sua vez, podem ser distribuÃdos de modo seletivo. Isto é: nem todos os indivÃduos recebem os benefÃcios públicos advindos do estado.
Esse raciocÃnio é factÃvel para explicar as razões do poder dos prefeitos numa disputa eleitoral. Outro motivo: com o advento da reeleição, prefeitos bem avaliados podem ser reeleitos. Sendo assim, eles precisam do apoio dos deputados na próxima eleição. Então, o prefeito escolhe um candidato a deputado considerando que ele ao ser vitorioso o ajudará na reeleição. Explicação factÃvel!
Última indagação: existe voto de opinião numa eleição proporcional? Não consigo definir o que seja voto de opinião. Mas, certamente, deve existir, já que existem legisladores que vencem a eleição sem o apoio de nenhum prefeito.


