Instituto Maurício de Nassau

30 de Junho de 2010
Autor Isabel França - Postado em Economia |

Desempenho do Comércio Internacional do Estado de Pernambuco

 

Por Antonio Rivera - Economista do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau - antoniorivera@bol.com.br

 

O Comércio Internacional, por si só, representa um setor estratégico que permite captar poupança externa para gerar emprego, ocupação, renda e crescimento econômico.  Porém, um sistemático déficit na balança comercial (importações maiores que as exportações) pode representar no longo prazo, prejuízos para as empresas e as indústrias locais e exige decisões rápidas dos gestores do comércio exterior em reverter essa situação negativa para a boa saúde da economia.

 

Quando a balança comercial no longo prazo atinge sucessivos superávits, é um sinal positivo de que as relações de intercâmbio com o resto do mundo estão captando poupança externa e divisas (moedas estrangeiras fortes), condição que estimula a produção das empresas e indústrias, gerando emprego e renda.

 

Nesse contexto, o Estado de Pernambuco nos últimos cinco anos vem tendo um pífio resultado em suas relações de intercâmbio com o resto do mundo.   Compra-se mais e vende menos produtos e serviços para o exterior.

 

Nos últimos cinco anos, segundo dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, (MENDIC), o comércio exterior de Pernambuco obteve os seguintes resultados negativos: 2005 de US$ -19.882, 2006: US$ -243.699, 2007: US$ -849.525, 2008: US$ -1.524.850, 2009: US$ -1.156.525.
Entre os produtos mais exportados pelo Estado foram:

 

ACUCAR DE CANA,EM BRUTO  
OUTS.ACUCARES DCANA,BETERRABA,SACAROSE QUIM  
TEREFTALATO DE POLIETILENO EM FORMA PRIMARIA  
BORRACHA DE BUTADIENO (BR),EM CHAPAS,FOLHAS,T  
ACUMULADORES ELETR.DE CHUMBO,P/ARRANQUE DE MO  

Fonte: MENDIC, 2010.

Como se observa, se destacam exportações de produtos primários, as chamadas commodities, muito dependentes as condições do mercado externo.  Em outras palavras seus preços sobem e descem de acordo com fatores totalmente fora do controle da economia interna. 

 

Por outro lado, os produtos mais importados pelo Estado de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MENDIC) foram:

1 ACIDO TEREFTALICO E SEUS SAIS  
2 OUTROS PROPANOS LIQUEFEITOS  
3 BUTANOS LIQUEFEITOS  
4 MALTE NAO TORRADO,INTEIRO OU PARTIDO  
5 ETILENOGLICOL (ETANODIOL)  
 

Entre os países que mais compraram os produtos pernambucanos estão: Rússia, Espanha, Argentina, Iraque e Taiwan.  As origens das importações vieram dos seguintes países: Argentina, Estados Unidos, México, China, Canadá.

 

A situação de déficit na balança comercial deve ser analisada e observada com muita atenção, pelos gestores do comércio exterior do Estado.  Uma situação de déficit de longo prazo tem um efeito direto na saída de recursos financeiros e de poupança interna para o resto do mundo, assim como leva a uma redução nas potencialidades do Estado em colocar produtos pernambucanos no exterior.

 

É importante destacar que o cenário de déficit na balança comercial não é exclusivo do Estado de Pernambuco.  Outros estados brasileiros também passam por dificuldades em equacionar os saldos negativos no desempenho da balança comercial.  O Brasil, em geral, vem obtendo resultados limitados em seu desempenho do comércio internacional.  Muitas são as causas dessa limitação, por exemplo, a valorização do real, os custos elevados na mão de obra, as taxa elevadas de juros e os recursos insuficientes para financiar as exportações das empresas, crise econômica internacional entre outros, que terminam por afetar a competitividade dos produtos e serviços do Brasil diante de outros concorrentes como a China e a Índia.

 

Ajustes no curto prazo se fazem necessários e urgentes para equilibrar as contas externas do Estado de Pernambuco, alguns dos ajustes independem das decisões do Governo Federal, como por exemplo, as missões e visitas internacionais de gestores do comércio exterior e de empresários do Estado, para promover as potencialidades e incentivos oferecidos para quem deseja realizar investimentos. Sem uma política institucional agressiva, que permita conquistar novos nichos de mercados fica limitado o campo de ação para reduzir os déficits na balança comercial.

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