Economia e comércio exterior entre Brasil-Africa

Por Antonio Rivera - Economista do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau - antoniorivera@bol.com.br
O interesse e a presença do Brasil pelos países do continente africano vêm aumentando nos últimos anos, como conseqüência da política externa do governo em aprofundar os laços históricos, econômicos e políticos com as nações da região. Esse interesse extrapola apenas as questões econômicas, até porque quando analisado o volume do intercâmbio comercial bilateral e multilateral com o continente africano, esse ainda é muito limitado quando comparado com outros importantes parceiros da Europa e da Ásia.
Nas modernas relações diplomáticas internacionais é muito importante e estratégico que as nações importantes como o Brasil colabore na busca de soluções não apenas nas questões políticas ou de incremento do comércio exterior e dos investimentos. As relações internacionais modernas estão mais antenadas ao campo da cooperação bilateral e multilateral e na busca de soluções práticas para problemas práticos, como o combate a fome, a pobreza extrema, a miséria, as doenças que dizimam milhares de seres humanos em países historicamente devastados por longos conflitos internos, que arrasaram as bases das economias dessas nações, a exemplo dos países do continente africano.
O Brasil é um país em desenvolvimento, porém, com uma economia dinâmica e em expansão. Com uma importante presença e respeito internacional, o país pode cooperar muito com os países africanos em setores nos quais tem potencialidades como nas áreas de controle das doenças tropicais, mortalidade infantil, controle da natalidade, além da tecnologia de produção de etanol e na produção de alimentos, assim como no melhoramento genético na pecuária.
A crise financeira internacional, que ainda afeta muitos dos mercados/destinos das exportações brasileiras está deixando uma amarga lição: o país não pode depender apenas do desempenho dos tradicionais mercados. Como conseqüência da crise financeira européia, as vendas do Brasil para países como a Espanha, Portugal, e a Alemanha foram reduzidas. Nesse sentido, se faz necessário uma mudança na estratégia de buscar novos nichos de mercado para as exportações.
Os países africanos podem representar uma alternativa importante no médio e longo prazo. De acordo com dados do Banco Mundial, os países africanos terão uma previsão de crescimento econômico global, em 2010, em torno de 4,5%. Apenas os países de língua portuguesa deverão ficar com crescimento positivo acima da média prevista de crescimento para o continente que é de 4,5%, como a Angola (7,4%), Cabo Verde (5,1%), Guiné-Bissau (3,4%), Moçambique (5,1%), São Tomé e Príncipe (4,6%).
As exportações brasileiras, tendo como destino os países africanos, são muito limitadas, como mostra o quadro No.1.

Como podemos observar o intercambio do Brasil com os países africanos ainda é muito limitado, com algum destaque para o Egito, Angola, África do Sul e a Nigéria. Porém, considerando as previsões de crescimento econômico para o ano de 2010 em torno de 4,5% para os países africanos, existem potencialidades de incrementar o intercâmbio comercial e de investimentos a serem exploradas nesses mercados.
Comércio Pernambuco-África
O quadro No.2. mostra a evolução das exportações do Estado de Pernambuco entre 2008/2009 para alguns países do continente africano. As exportações pernambucanas foram fundamentalmente produtos primários, com destaque para o açúcar e frutas de acordo com dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, (MENDIC).

As exportações do Estado de Pernambuco para os países africanos são ainda limitadas em torno de 90 milhões, quando comparadas com as exportações (20090 para outros parceiros comerciais como os Estados Unidos, US$129.399.722, Venezuela, US$ 88.717.933 e a Argentina, US$75.048.115). Assim, o desempenho das exportações do Estado mantém a mesma tendência e perfil das exportações do Brasil, com algum destaque para o comercio bilateral com o Egito e Angola.
No entanto, esse cenário existe um potencial comercial a ser explorado no continente africano, principalmente naqueles países de língua portuguesa que têm uma previsão de crescimento econômico importante e com fôlego de demanda para o ano de 2010.


