Empregadas, chicotes e ensino superior público

Como podemos explicar o Brasil? Roberto Da Matta em suas diversas obras explica muito bem. O Brasil é uma sociedade contraditória. No Brasil existe o “Sabe com quem está falando?”. Existe a casa e rua. Existem os privilégios e a cordialidade. Existe o racismo cordial. Observem os fatos recentes e vejam se Da Matta não tem razão. A sindica de um prédio, em Boa Viagem, agride a empregada em razão dela ter usado o elevador social. Isto mesmo. No Brasil existe o elevador social. A função deste é interpretada erroneamente por nós. O elevador de serviços serve para carregar a feira. Ou material de construção, por exemplo. E o elevador social serve para possibilitar que todos, inclusive as babás e as empregadas domésticas, tenham acesso ao apartamento onde trabalham. No Brasil, as portas dos trens do Rio de Janeiro são fechadas por meio de chicotadas. Nem o “ou vai ou desce” é usado. O chicote representa a força do capataz de um imaginário senhor de engenho. Um deputado do Rio Grande do Norte (não vou perder meu tempo procurando o nome dele no google) paga as passagens de artistas com dinheiro público. A opinião pública (ela existe?) reclama. Mas vários destes reclamantes admiram e defendem o ensino superior público. Não admitem que os seus filhos, vindos de escolas particulares, e criados, geralmente, com babás, paguem uma universidade. A empregada e as babás, além dos que levaram os chicotes no trem, não tiveram tempo e condições de estudar. De quem é a culpa? Vão dizer que foi do regime militar. Ou dos vários governos de direita – existem partidos ideológicos no Brasil? O problema é que são poucos os que reprovam a seguinte situação: um universitário brasileiro custa 6,1 vezes mais do que um aluno do ensino básico. Em 2007, o gasto por aluno no ensino superior público ficou em R$ 12.322, em valores da época. Na média, cada estudante da educação básica custou R$ 2.005 (O Globo, 15/04/2009). Sem igualdade de oportunidades, as desigualdades e os privilégios serão mantidos.



15 Abril 2009 às 17:45
Isso é uma pura realidade, sem falar que esses anarquista que praticam as atrocidades são quem precisam das empregadas domésticas e no final de tudo os burguesinhos qu estudam em universidade pública acabam sempre sendo subordinados aos verdadeiros lutadores estudantes que estudam nas universidades particulares.
16 Abril 2009 às 16:46
Caro Adriano Sales, como podes fazer um comentário preconceituoso em um tópico que fala contra o racismo ?
16 Abril 2009 às 17:02
Nasci pobre e minha mãe ralou pacas para que eu e meus irmãos estudássemos em escola particular ( que por sinal nem era das melhores). 2 ( de 3) se formaram em faculdade pública. Por conta disso sou “burguesinho” ? Teu comentário, caro Adriano Oliveira, não passa de preconceito!!!!!! O preconceito é o seguinte : que o Brasil é ruim por causa dos “burgueses”. Não , meu caro, o Brasil é ruim porque todos são culpados. O ” pobre inocententezinho que não teve tempo de estudar”, quando manda seu filho para o sinal é tão culpado quanto a síndica que agrediu a outra cidadã no elevador. Os sujeitos, no Rio, que bateram são tão culpados quanto os arruaçeiros que destroem o patrimonio público. O Brasil é ruim porque os Brasileiros sujam as ruas, furam filas, roubam trocos, fazem macacos, estacionam em locais proibidos, se acham napoleão quando podem “mandar” em alguém. O Brasil é ruim porque o “pobrezinho” não se esforça mesmo na escola pública, da mesma forma que o “burguesinho” vai passear no shopping quando o pai acha que está na escola. O Brasil é ruim porque o brasileiro ainda não é civilizado e isso independe de classe social. É comum vermos o cara abrir o vidro do “honda” e jogar plástico na rua do mesmo modo que o sujeiro que anda no ônibus!!!!