Estudos sobre a violência na Ciência Política

POR José Maria Nóbrega- Cientista Político
Na última sexta-feira tivemos, mais uma vez, a honra de recebermos o brilhante cientista político e sociólogo Gláucio Soares. Ele nos presenteou com uma palestra sobre os homicídios em São Paulo e no Brasil, fazendo um paralelo com Pernambuco. O mais importante de toda a discussão foi percebermos que ainda somos incipientes nos estudos sobre a violência, sobretudo a homicida, no nosso país. Precisamos de mais pesquisadores interessados. Inclusive na Ciência Política. Os chutes e diagnósticos imprecisos prevalecem. Problemas de autocorrelação entre as variáveis e de sobre representação dos homicídios são fatores determinantes para o erro interpretativo. Tanto aqueles que usam os métodos qualitativos como os outros que escolheram o método quantitativo para seus estudos, pecam nas suas conclusões. Ora por que estão debruçados em dados ruins, ora por que não fazem uma análise mais pormenorizada dos indicadores.
O mestre Soares nos ensina que devemos estar abertos para a utilização dos dois métodos. É fundamental revelar a sobre representação dos números de homicídios que ocorrem, sobretudo nas cidades mais urbanizadas e que possuem mais hospitais. Muitos homicídios são computados pelo local de ocorrência, vindo a inflacionar os números dessas cidades. Isso ocorre aqui, no Recife. Muitos casos de pessoas que chegam aos hospitais agredidas e que foram atingidas por arma de fogo ou objeto cortante, por exemplo, não residem no Recife. Outro ponto relevante é a falta de estudos mais detalhados sobre os tipos de homicídios. Análise dos dados com base qualitativa onde o autor do crime e a vítima passam a fazer parte dos relatórios de pesquisa sobre violência. Quando pudermos construir um banco de dados estadual com os tipos detalhados dos homicídios será um grande avanço para as políticas públicas de segurança. Saber os grupos de risco de forma genérica não é suficiente. Precisamos saber qual o perfil das pessoas atingidas e dos autores da violência. Toda vez que o grande Gláucio está entre nós é uma grande oportunidade de aprendermos. Sem vaidade, sem brilhantismo, sem arrogância. Apenas com a simplicidade de quem sabe. E sabe dizer quando não sabe. O mestre afirma, para fazer ciência precisamos de dados. Estes devem ser bem catalogados e disponibilizados para podermos executar nossas experiências em ciências humanas e criminais.
Obrigado professor Gláucio!


