Instituto Maurício de Nassau

29 de Setembro de 2008
Autor Adriano Oliveira - Postado em Segurança Pública |

Grupos de extermínio (milícias)

Estou pesquisando a atuação de grupos de extermínio (milícias) na Região Metropolitana do Recife. O trabalho do setor de inteligência da Polícia Civil merece ser parabenizado. Contudo, procurarei verificar, numa segunda etapa, a relação entre desbaratamento de grupos de extermínio e redução de homicídios. Isto é o que importa! A Polícia costuma afirmar que prendeu o grupo X responsável por mais de cinqüenta mortes.  Se isto for verdade, a expectativa é que os homicídios decresçam no contexto social em que o grupo preso atuou. Se isto não ocorrer, a afirmação da Polícia é falsa. Decidi comentar isto em razão da reportagem da Folha de São Paulo de hoje. A Polícia fala muito, mas, às vezes, não mostra relação entre prisão de indivíduos e redução da taxa de homicídios.

 

Folha de São Paulo, 29/09/2008

Elite da polícia de SP é acusada de tortura
POR MARIO CESAR CARVALHO
DA REPORTAGEM LOCAL

 

No retrato pintado pela polícia, o motoboy M.L. era um demônio com uma pistola na mão. Ao ser preso aos 23 anos, em 2003, ele confessou nove assassinatos. O chefe da delegacia de homicídios, Domingos Paula Neto, chegou a dizer que a prisão dele provocara uma queda nos homicídios na zona sul de São Paulo. Comunicados da Secretaria da Segurança tratavam-no como “um dos criminosos mais perigosos da região do Capão Redondo”. Nos programas mundo-cão da TV, era apresentado como matador de aluguel. Por conta das acusações, o motoboy passou dois anos e meio na prisão. Se tudo isso é verdade, a polícia não conseguiu provar. Cinco anos depois, a imagem do matador ruiu como castelo de areia em dia de chuva. Das nove acusações de homicídio cometidos em 2002 e 2003, cinco já foram arquivadas por falta de provas. Um dos casos vai a júri em novembro. Dois processos aguardam julgamento de recurso no Tribunal de Justiça. E um não foi concluído. “Não há prova de nada. Ele foi acusado de nove homicídios porque é abusado e respondão. Confessou porque sofreu tortura”, diz Alexandra Szafir, advogada de M.L. As únicas provas da polícia são as nove confissões, feitas no prazo de uma semana em que o motoboy estava preso, para uma única equipe do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), comandada pelo delegado José Vinciprova. Ele nega ter obtido as confissões com prática de tortura. O DHPP é considerado uma das delegacias mais eficientes do país. M.L. detalha o que chama de tortura: “Levei choque quanto fui preso na rua, levei choque no carro e na delegacia. Usavam uma maquininha preta para dar choque. Doeu tanto que caí de joelho no chão. Na delegacia, apanhei de mão. Davam soco, chutes nas costas”. (…)

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2909200801.htm

Deixe seu comentário!

As opiniões postadas neste blog não refletem necessariamente a posição deste Instituto.

Copyright © Núcleo de Tecnologia da Informação - ESBJ

Recife

Endereço: Rua Manoel Caetano, 132, Derby, Recife-PE - CEP.: 52010-220
Contato: 3413-4611

Uma instituição do Grupo Ser Educacional