Grupos de extermÃnio (milÃcias)

Estou pesquisando a atuação de grupos de extermÃnio (milÃcias) na Região Metropolitana do Recife. O trabalho do setor de inteligência da PolÃcia Civil merece ser parabenizado. Contudo, procurarei verificar, numa segunda etapa, a relação entre desbaratamento de grupos de extermÃnio e redução de homicÃdios. Isto é o que importa! A PolÃcia costuma afirmar que prendeu o grupo X responsável por mais de cinqüenta mortes. Se isto for verdade, a expectativa é que os homicÃdios decresçam no contexto social em que o grupo preso atuou. Se isto não ocorrer, a afirmação da PolÃcia é falsa. Decidi comentar isto em razão da reportagem da Folha de São Paulo de hoje. A PolÃcia fala muito, mas, à s vezes, não mostra relação entre prisão de indivÃduos e redução da taxa de homicÃdios.
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Folha de São Paulo, 29/09/2008
Elite da polÃcia de SP é acusada de tortura
POR MARIO CESAR CARVALHO
DA REPORTAGEM LOCAL
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No retrato pintado pela polÃcia, o motoboy M.L. era um demônio com uma pistola na mão. Ao ser preso aos 23 anos, em 2003, ele confessou nove assassinatos. O chefe da delegacia de homicÃdios, Domingos Paula Neto, chegou a dizer que a prisão dele provocara uma queda nos homicÃdios na zona sul de São Paulo. Comunicados da Secretaria da Segurança tratavam-no como “um dos criminosos mais perigosos da região do Capão Redondo”. Nos programas mundo-cão da TV, era apresentado como matador de aluguel. Por conta das acusações, o motoboy passou dois anos e meio na prisão. Se tudo isso é verdade, a polÃcia não conseguiu provar. Cinco anos depois, a imagem do matador ruiu como castelo de areia em dia de chuva. Das nove acusações de homicÃdio cometidos em 2002 e 2003, cinco já foram arquivadas por falta de provas. Um dos casos vai a júri em novembro. Dois processos aguardam julgamento de recurso no Tribunal de Justiça. E um não foi concluÃdo. “Não há prova de nada. Ele foi acusado de nove homicÃdios porque é abusado e respondão. Confessou porque sofreu tortura”, diz Alexandra Szafir, advogada de M.L. As únicas provas da polÃcia são as nove confissões, feitas no prazo de uma semana em que o motoboy estava preso, para uma única equipe do DHPP (Departamento de HomicÃdios e Proteção à Pessoa), comandada pelo delegado José Vinciprova. Ele nega ter obtido as confissões com prática de tortura. O DHPP é considerado uma das delegacias mais eficientes do paÃs. M.L. detalha o que chama de tortura: “Levei choque quanto fui preso na rua, levei choque no carro e na delegacia. Usavam uma maquininha preta para dar choque. Doeu tanto que caà de joelho no chão. Na delegacia, apanhei de mão. Davam soco, chutes nas costas”. (…)


