Instituto Maurício de Nassau

4 de Novembro de 2011
Autor talita.vasques - Postado em Artigos |

Homens públicos

Janguiê Diniz – Doutor em Direito. Fundador e Acionista Controlador do Grupo Ser Educacional – janguie@sereducacional.com

Os homens que participam da gestão dos estados republicanos podem ser considerados  públicos. Entretanto, homens públicos não  são só estes. Existem os verdadeiros homens públicos que, embora não integrem a gestão estatal, reconstroem a sua própria existência em torno de dimensões simbólicas - mesmo sem a intenção de fazê-lo, às vezes. São os  artistas, políticos, figuras religiosas, escritores, empresários,  intelectuais que, enraizados inicialmente em sua própria bio-história pessoal ( seja o carácter, a estrutura pulsional, o temperamento), são levados a expandir-se, a renovar-se por meio de processos de simbolização que o fazem participar na totalidade do mundo midiático. O mundo, de fato, dissolve-se em formas de expressão.

Diante de uma sociedade midiática, onde os órgãos de comunicação  criam  e matam celebridades,  divulgando,  e às vezes  inventando fatos, homens públicos são aqueles que se destacam na sociedade, servindo de exemplo para a maioria dos indivíduos de uma  dada localidade,  despertando  a atenção da opinião pública, despertando o olhar alheio.

Homens públicos, assim como os cidadãos comuns, atuam em suas profissões e misteres,  praticam as suas atividades de lazer,  têm suas preferências, fazem escolhas e são escolhidos,  ou não.  A mídia, a seu turno, fica atenta às ações, atividades, preferências e escolhas , sempre com a intenção de divulgar para a sociedade o que despertar mais interesse, principalmente os fatos e ações negativas desses homens. É a hipermodernidade com sua vigília e, sobretudo, com sua indústria cultural. Dela, surge o star-system, valendo-se de listas dos mais populares, dos recordes de venda, de hit-parades e, sobretudo, valendo-se do que é banalizado ou mesmo degradado.  Quanto mais consumido, menos efêmero se torna.

Numa sociedade democrática como a nossa, alicerçada por recursos tecnológicos, o homem público está sempre online. A liberdade de imprensa tem o conforto da tecnologia e, sem qualquer restrição, suas câmeras revelam   -  e às vezes “produzem” -  fatos  acerca do homem público, sem vir a sofrer qualquer punição.  Por via de consequência,  o público formará uma opinião sobre os fatos (ou invenções publicadas), passando a  admirá-lo ou reprová-lo. Temos a planetarização de um sistema.

E as câmeras não dormem à porta do gestor público. Lidam com verbas públicas. Talvez seja a janela mais vigiada.  Nesse contexto, devem se portar com uma reputação da mais ilibada possível para conquistar a admiração da opinião pública. Do contrário, são reprovados e execrados pela mídia e pela  opinião pública.

Mesmo assim, a corrupção tornou-se uma prática generalizada em setores do governo federal.  O que nos alegra, entretanto,  é que, embora alguns brasileiros, principalmente certos governantes, tolerem a prática da corrupção, afirmamos  categoricamente que a maioria de nosso povo reprova veementemente esta nefasta  prática em todos os setores da vida pública. Ocorre a crise, a perda da confiança. É a degradação que o torna expressivo, agora. Temo-lo como exemplo do que não se deve conceber. Mas, felizmente, ainda o temos sob as lentes. Parodiando Sócrates, há homens que carregam cicuta no próprio bolso do paletó.

Graças ao repúdio do povo brasileiro e a publicação pela  mídia, diversos atos de  corrupção ocorridos  nos diversos ministérios do governo federal vieram à baila,  acarretando a derrubada de diversos ministros que não honraram a confiança que lhe foi depositada nas urnas pela maioria do  povo brasileiro. Que isto sirva de exemplos para os atuais e  para os futuros homens públicos, pois a mídia e a opinião pública não perdoarão aqueles que, praticando ilicitudes,  tentam ludibriar os cidadãos brasileiros. O mundo online há de obrigá-los a beber o próprio veneno de suas ações.

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