Joaquim Barbosa e o STF
A Folha de São Paulo de hoje publica entrevista formidável com o ministro do STF Joaquim Barbosa. Nela, o ministro afirma que advogados visitam gabinetes dos ministros, discorre sobre o racismo no Brasil e critica o foro privilegiado. A entrevista é imperdível. Leiam alguns trechos.
Folha de São Paulo, 25/08/2008
Por Frederico Vasconcelos
FOLHA - A mídia o aponta como o ministro que mais se desentende com os colegas. O sr. é uma pessoa de temperamento difícil?
JOAQUIM BARBOSA - Engano pensar que sou uma pessoa que tem dificuldade de relacionamento, uma pessoa difícil. Eu sou uma pessoa altiva, independente e que diz tudo que quer. Se enganaram os que pensavam que, com a minha chegada ao Supremo Tribunal Federal, a Corte iria ter um negro submisso. Isso eu não sou e nunca fui desde a mais tenra idade. E tenho certeza de que é isso que desagrada a tanta gente. No Brasil, o que as pessoas esperam de um negro é exatamente esse comportamento subserviente, submisso. Isso eu combato com todas as armas.
FOLHA - Uma crítica recorrente é que o Supremo favorece as elites. Como o sr. vê essa observação?
BARBOSA - Eu ainda não amadureci a minha reflexão sobre isso. Mas há uma coisa que me perturba, que me deixa desconfortável aqui no tribunal e na Justiça brasileira como um todo. É o fato de que certas elites, certas categorias monopolizam, sim, a agenda dos tribunais. Isso não quer dizer que eu esteja de acordo com a frase de que o tribunal favorece as elites. Monopolizam a agenda.
FOLHA - Como isso ocorre?
BARBOSA - Nós temos na Justiça brasileira o sistema de preferência, tido como a coisa mais natural do mundo. O advogado pede audiência, chega aqui e pede uma preferência para julgar o caso dele. O que é essa preferência? Na maioria dos casos, é passar o caso dele na frente de outros que deram entrada no tribunal há mais tempo. Se o juiz não estiver atento a isso, só julgará casos de interesse de certas elites, sim. Quem é recebido nos tribunais pelos juízes são os representantes das classes mais bem situadas. Eu não posso avalizar inteiramente essa frase [de que o Supremo favorece as elites], mas acho que um país em que a Justiça está completamente abarrotada tem que ter atenção muito grande para esse perigo de que a agenda dos tribunais seja monopolizada por certos segmentos sociais. Basta prestar a atenção, durante cada ano, no tempo que o STF gasta julgando questões de interesse corporativo. É enorme.
FOLHA - O sr. costuma receber advogados em seu gabinete?
BARBOSA - Recebo, mas nenhum advogado, por mais importante que ele seja, monopoliza o meu gabinete [o ministro informa que concedeu 244 audiências, em 2006 e 2007].
Para assinantes: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2508200817.htm




7 Outubro 2008 às 12:16
A entrevista é sensacional pois reflete as idéias de um homem
forte e inteligente que não se inclina diante dos fracos e/ou mal
intencionados que tentam distorcer a verdade e reflete a cultura
que ele sou amealhar durante toda a sua vida. Parabéns Ministro
Joaquim Barbosa, pela entrevista e pelo seu aniversário neste
7 de outubro. Que Deus o abençoe e ilumine para tornar este nos-
so Brasil um país que respeita os direitos constitucionais de todos
e não, de uns poucos. Zuleika
23 Abril 2009 às 15:05
A FAVOR DA DECÊNCIA
Homens como o Eminente Ministro Joaquim Barbosa são garantes da credibilidade nas instituições democráticas por parte da dita sociedade civil organizada.
Parabéns Eminente Ministro pela retidão com que Vossa Excelência tem manejado o condão da magistratura constitucional dentro do Pretório Excelso.
VIVA O BRASIL, VIVA O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO, VIVA A CONSTITUIÇÃO FEDERAL, VIVA LUTHERKING, VIVA LUMUMBA, VIVA MANDELLA, VIVA OBAMA, VIVA ZUMBI, VIVA DRAGÃO DO MAR, VIVA MARCÍLIO DIAS, VIVA JOÃO CÂNDIDO, VIVA O EMINENTE MINISTRO JOAQUIM BARBOSA.
GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS E PAZ NA TERRA AOS HOMENS DE BOA VONTADE.
POR ÚLTIMO, COM A BENÇÃO DIVINA , EM PROL DO ECUMENISMO E DA LIBERDADE DE CRENÇA AFROBRASILEIRA, DIGO: QUIM, QUIM, QUIM, QUIM, QUIM, VAMOS SARAVAR PAI JOAQUIM.
2 Junho 2011 às 01:39
Eminente relator da Lei do Piso Nacional do Magistério tenho uma dúvida acerca do artigo 6° da Lei do Piso: este artigo pode ser desrespeitado ou se toda a lei irá mudar no Acórdão?