Lugar de diversidade
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Por Isaltino Nascimento*
A escola deve ser um lugar de diversidade, certo? Pelos resultados da pesquisa realizada pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP) a resposta a esta pergunta é não. Os entrevistados – 18,5 mil alunos, pais, professores, diretores e funcionários de 501 unidades de ensino público de todo o país – demonstraram que a escola brasileira é um local onde impera a homofobia. Pois 87% deles têm algum grau de preconceito contra homossexuais.
O levantamento mostrou que o preconceito é empurrado para debaixo do tapete, pois falta diálogo na escola para identifica-lo. O que gera um prejuízo enorme para aqueles que são vítimas dele. A violência invisível se materializa por meio de piadas preconceituosas, cochichos nos corredores e exclusões em atividades escolares.
O que faz da escola, muitas vezes, um inferno, aonde o aluno não quer pisar. Isso afeta diretamente a autoestima e o rendimento daqueles que são homossexuais. Há casos, inclusive, em que os alunos preferem interromper os estudos a continuarem sendo oprimidos.
Para a socióloga que realizou a pesquisa, a especialista em educação e violência Miriam Abromovay, quem é violentado não aprende. E questiona: “Quem é que quer ir todo dia a um lugar onde você vai ser violentado, xingado?”. Ninguém, não é mesmo?
A divulgação dos resultados da pesquisa é importante para a reflexão, principalmente daqueles que integram a comunidade escolar brasileira. Afinal, a escola deveria combater o preconceito e não aceitá-lo e reproduzi-lo.
O Ministério da Educação e Cultura (MEC) já vem implementando, desde 2005, várias ações contra esse tipo de preconceito dentro do Programa Brasil sem Homofobia. Entre elas, a produção de material didático específico e a formação de professores para trabalhar com a temática. Contudo, segundo especialistas no assunto, este esforço muitas vezes esbarra em educadores que encaram a homossexualidade como uma doença. O que agrava ainda mais o problema.
Há muitas concepções sobre qual o melhor caminho a seguir no combate á homofobia na escola. Há os que defendam a necessidade de haver uma pressão maior dos governos municipais, estaduais e federal no sentido de criarem ações de combate ao preconceito.
Acredito que o Executivo precisa encontrar caminhos para enfrentar a questão. Mas o problema não se resolve apenas nesta esfera. Este deve ser um esforço do Legislativo, do Judiciário, do Ministério Público, da mídia, enfim de todas as instâncias da sociedade.
Levantamentos como o realizado pela USP são importantes porque apontam as nossas fragilidades. E fazem com que cada um olhe para si próprio, questionando como temos agido com relação ao preconceito contra homossexuais. E não apenas na escola, mas em todas as instâncias de convívio social.
Educar transcende o ambiente escolar. É a nossa maior responsabilidade e compromisso com a formação das nossas crianças e adolescentes.



3 Agosto 2009 às 10:40
O problema do preconceito não é a questão de informação por parte das faculdades e sim educação de cada cidadão.
Acredito que a parte eficaz que a faculdade tenha é de proibir qualquer tipo de preconceito independente de sua causa aplicando punições aos infratores.