Instituto Maurício de Nassau

5 de Fevereiro de 2010
Autor Isabel França - Postado em Artigos |

Máquina eleitoral

 

Por Augusto Coutinho*

 
Pautei o meu discurso no reinício das atividades da Assembleia em dois pontos: 1 - apesar de ser um ano eleitoral, não é justificável transformar a tribuna legislativa em palanque; e 2 - ficaríamos de olho no uso da máquina administrativa para fazer campanha. O primeiro ponto é importante, mas vou me deter aqui no segundo. Ele é mais preocupante. Porque é crime.
 
Desde que o presidente da república fez sua opção pela candidatura de Dilma – sem experiência de urna, desconhecida do eleitorado – todo e qualquer ato oficial virou campanha eleitoral. Isso é público e notório.
 
Recentemente, em sua última visita a Pernambuco, o presidente orientou o governador Eduardo Campos a colocar a tropa na rua. Leia-se: usar eventos oficiais para fazer verdadeiros comícios. A lição não tardou a ser posta em prática. Os fatos estão nos jornais e nos blogs.
 
Na maratona do governador pelo interior do estado – ou melhor, do governo, visto a quantidade de secretários, e outros nem tanto, na comitiva -, o palanque foi armado com toda pompa e circunstância. E tinha que ser grande para caber tanto cabo eleitoral.
 
Como explicar, por exemplo, a presença do ex-prefeito João Paulo na comitiva se ele não faz mais parte do governo? O que ele estava fazendo lá? A resposta é simples: campanha.
 
No mesmo comício, realizado em Santa Maria da Boa Vista, Fernando Bezerra Coelho disse com todas as letras que Eduardo Campos tinha que continuar por mais 4 anos. Isso é discurso de inauguração de obra? Não, é campanha. 
 Tem mais. Em uma reunião promovida pelo banco BMG sobre projeções para 2010, Geraldo Júlio, secretário de planejamento, passou 40 minutos falando sobre os “feitos” do governo até agora. Teve direito até a Power Point e tudo. Os que estiveram lá ficaram com a certeza que a única projeção do governo para 2010 é fazer campanha.
 
Esses fatos todos aconteceram apenas esta semana. Como classificá-los? Fácil. Campanha, descaradamente campanha.
 
Disse no meu pronunciamento que não aceitaríamos esse tipo de coisa. Valer-se de eventos oficiais para fins eleitorais é usar dinheiro público em benefício próprio. Isso é proibido por lei. É crime.
 
Nas últimas três eleições, quando nosso grupo era governo, demos um exemplo de como separar uma coisa de outra. Não houve uma única queixa ou denúncia de nenhum adversário sobre o uso da máquina. O mesmo já não foi visto na campanha municipal de 2008.
 
Não vamos pactuar com esses absurdos. Posicionei-me hoje na Alepe, em nome da oposição, e vamos à justiça para coibir esses abusos. Já acionamos nossa assessoria jurídica e, antes mesmo do carnaval, entraremos no TRE com uma representação eleitoral.
 
Usar a máquina para fazer campanha é um péssimo começo. Mas vai ter um fim. Tenho certeza que a justiça eleitoral vai fazer o que é certo e acabar com a festa de quem pensa que é dono do dinheiro público.

 

*Deputado Augusto Coutinho (DEM), líder da oposição na Alepe.

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