O Consumidor e a Conjuntura Econômica
Por Djalma Silva Guimarães Júnior - economista do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau
O relatório Focus do Banco Central, que contém as projeções do mercado para a economia brasileira, na edição do último dia 31 de janeiro de 2011, tem como destaque a elevação na projeção do crescimento da economia brasileira em 2011, que passou de 4,50% no relatório anterior, para 4,60% no relatório da última segunda.
Tal elevação merece destaque da cobertura econômica, em virtude do momento de arrefecimento da inflação nos últimos meses e do início de uma política monetária restritiva (elevação do percentual de compulsórios, elevação das taxas de juros, etc.). O mesmo relatório mostra que a projeção da taxa SELIC para o final de 2011 passou de 12,25% a.a. no relatório anterior para 12,50% a.a. no último relatório.
A despeito desse cenário de redução no ritmo de crescimento da economia, o otimismo e as finanças pessoais do consumidor recifense apresentam uma melhora, segundo a Pesquisa Mensal de Expectativa de Consumo do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau (PMEC-IPMN).
Segundo a pesquisa, a média de consumidores endividados passou de 63% em Nov/2010 para 62% em Jan/2011. Ainda de acordo com a pesquisa, em todas as questões referentes à confiança do consumidor sobre os próximos seis meses, nas áreas finanças pessoais, economia pernambucana e economia brasileira, houve elevação no percentual de consumidores confiantes.
Outro fato digno de nota é a redução do endividamento em um período que historicamente tende a elevar o endividamento das famílias (compras de fim de ano). Este fato pode ser explicado em parte pelo uso do 13º salário para o pagamento de dívidas, pois, segundo a PMEC-IPMN de Nov/2010, 25% dos entrevistados afirmaram pretender utilizar tal remuneração para o pagamento de dívidas.
O consumidor recifense está começando a sentir o efeito da política monetária no custo dos financiamentos de automóveis, empréstimos, etc. Mas, esse arrocho no crédito parece ainda não haver afetado o otimismo e as finanças do consumidor.
Os grandes investimentos anunciados no Estado, o aumento na renda, a elevação nos níveis de atividade produtiva e todo o efeito multiplicador dos investimentos dos últimos anos na economia da região e do Estado tendem a corroborar para a manutenção de um cenário de otimismo e expansão para a economia do Estado.
É aguardar para ver os desdobramentos da política monetária e fiscal na confiança e finanças do consumidor recifense para os próximos meses e observar a magnitude deste efeito em comparação a outras regiões do País.
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