Instituto Maurício de Nassau

13 de Agosto de 2010
Autor Isabel França - Postado em Eleições 2010 |

O debate, o guia e a estrutura

Foto: Aluisio Moreira

 

Por Adriano Oliveira - Cientista político

 

Foi um bom debate, apesar do número de candidatos. Edilson Silva, mas uma vez, mostra que tem preparo. Roberto Numeriano qualifica a eleição. Discordo de grande parte das convicções ideológicas de Edilson e Numeriano, mas eles são qualificados. Sérgio Xavier apresentou desenvoltura. Xavier e Edilson são variáveis que podem provocar o segundo turno. 

 

Entretanto, só existirá segundo turno em Pernambuco, se Jarbas crescer e Eduardo cair – condição necessária. O senador apresentou as suas adequadas estratégias. Jarbas insistirá que “entregou o estado arrumado” e procurará mostrar que com ele Pernambuco poderá avançar muito mais. Jarbas pautará Eduardo na área da educação. E, certamente, durante o guia e outros debates, provocará mais Eduardo Campos. Não desprezo a hipótese de que Jarbas arregimentará eleitores com estas estratégias. A dúvida, neste instante, é se ele crescerá o suficiente para fazer com que a disputa vá para o segundo turno. 

 

Assim como Jarbas, Eduardo teve um bom desempenho no debate. Aliás, ambos estavam seguros e responderam as indagações com tranqüilidade. Eduardo acerta ao convocar o futuro. Eduardo, acerta, em parte, ao trazer Lula para a sua campanha. Eduardo acerta ao falar em segurança pública. No entanto, os estrategistas de Eduardo erram ao jogar Jarbas contra Lula. E erram também ao insistir que Eduardo é “amigo/irmão” de Lula. 

 

Ora, a forte associação entre Eduardo e Lula poderá esconder outras estratégias, quais sejam: “A minha gestão é bem avaliada e represento o futuro”. Com isto, Eduardo pode esconder os méritos do seu governo junto ao eleitor. Não estou dizendo que Lula não deva ser associado a Eduardo. Mas que a associação deva ser em doses adequadas.

 

Jogar Jarbas contra Lula é dar espaço para o senador. Os estrategistas de Eduardo sabem que o “estilo Jarbas” é admirado por muitos eleitores. Por sua vez, Jarbas não insistirá na tese burra, qual seja: nacionalizar a disputa local. Portanto, o uso de Lula em alta dosagem pode ter efeito negativo. 

 

Nesta campanha teremos evidências importantes, mas não conclusivas, quanto à força do guia na disputa eleitoral. Eduardo Campos tem “estrutura de campanha” e tempo de TV. O seu principal oponente, Jarbas, só tem tempo de TV. Diante disto, indago: Qual será a força do guia eleitoral nesta campanha? Ele tem condições de reverter a desvantagem de Jarbas? No início de setembro terei evidências para responder tais indagações.

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