O método científico do Dataliba

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Por Adriano Oliveira – Cientista Político
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Costumeiramente, às vésperas das eleições em Pernambuco, Liberato Costa Júnior (Dataliba), ex-vereador do Recife, apresenta as suas previsões eleitorais. Nunca me detive, apesar da atenção que a imprensa dispensa ao Dataliba, em verificar se as previsões de Liberato foram falseadas ou comprovadas. Desta vez, anotei as previsões de Liberato e, após a eleição, verificarei se o Dataliba merece credibilidade.
Liberato Costa Júnior faz o que os cientistas políticos que buscam entender o comportamento eleitoral dos brasileiros deveriam fazer sempre. Mas, infelizmente, por diversas razões, nós, estudiosos das eleições, desprezamos o exercício acadêmico de antever resultados eleitorais. Parte da literatura brasileira sobre eleições, ao contrário da americana, opta por analisar as preferências do eleitor após o resultado eleitoral. Reconheço que é difícil prognosticar o futuro.
São diversos acadêmicos americanos que se dedicam a previsão eleitoral. As variáveis “situação econômica do País”, “biografia do candidato” e “aprovação da administração” são utilizadas para a construção das previsões eleitorais. Os pesquisadores americanos procuram verificar a regularidade presente em diversas eleições. É a regularidade da dinâmica eleitoral que possibilita também a construção de prognósticos.
O que me intriga nas previsões de Liberato são os métodos utilizados para a construção da previsão. O Dataliba não apresenta os seus métodos, os quais podem ser científicos ou não. Ele apenas oferece as suas previsões à imprensa. O método é necessário para a ciência, pois ele possibilita que o critério científico esteja presente no desenvolvimento da análise ou da previsão.
Certamente, Liberato utiliza, sem intenção, dos métodos quantitativos e qualitativos. Quanto ao primeiro, o Dataliba deve considerar o número de prefeitos e lideranças que apóiam os competidores. A votação do candidato em eleição anterior e o dispêndio financeiro também devem ser variáveis consideradas por ele.
No âmbito das variáveis qualitativas, Liberato deve considerar o prestígio que o candidato tem junto ao governador ou a uma certa liderança regional. As conversas com os candidatos devem possibilitar a construção das previsões eleitorais de Liberato. Por fim, o “ouvi dizer que fulano tá eleito” deve complementar os prognósticos do Dataliba.
Liberato não presta um desserviço à ciência. Ao contrário, ele mostra que os pesquisadores das eleições precisam construir as suas previsões eleitorais considerando o método científico.
São diversas as variáveis – qualitativa e quantitativa – que possibilitam prognósticos eleitorais. Além disto, regularidades são encontradas em diversas eleições, isto é, o resultado de uma dada eleição é semelhante ao da outra. Portanto, ao identificar regularidades, a previsão pode ser realizada. É claro que os cientistas políticos e Liberato não devem subestimar a probabilidade dos “acasos” eleitorais. Estes são os cisnes negros que às vezes são encontrados numa suposta regularidade.



