Instituto Maurício de Nassau

18 de Fevereiro de 2009
Autor Isabel França - Postado em Artigos |

Os homicídios explodiram no governo de Miguel Arraes

Por José Maria Nóbrega – Cientista Político

 

Fazendo a análise de uma série histórica que reporta ao início da década de 1990, observo que os homicídios em Pernambuco explodiram durante o terceiro mandato de Miguel Arraes, entre 1995 e 1998. Em 1990, governo Carlos Wilson, foram 2.746 homicídios registrados no Estado de Pernambuco. A taxa por cem mil habitantes fora de 39. Em 1995, os números eram muito semelhantes, foram registrados 2.710 homicídios naquele ano. A taxa foi de 36,4 (a redução da taxa foi mais significativa por questão do crescimento populacional).
Foi a partir de 1995 que a explosão dos homicídios em Pernambuco se iniciou. De 2.710 homicídios registrados em 1995, saltou para 3.015 em 1996 (com um salto da taxa de 36,4 para 40,7 homicídios por cem mil habitantes). Em 1997, novo salto, 3.710 mortes por agressão, ou quase 700 mortes a mais, onde a taxa por cem mil saltou para 50 homicídios por cem mil habitantes. No final do governo Arraes, em 1998, os homicídios chegaram a 4.428 mortes registradas, com 1.718 mortes a mais do início do seu terceiro mandato e com uma taxa de 59 homicídios por cem mil habitantes. Naquele governo houve uma explosão de 64% nos números absolutos de homicídios em Pernambuco.
O que ocorreu naquele período para uma explosão tão significativa? Do governo seguinte, Jarbas Vasconcelos, em diante os homicídios vem oscilando entre 4.173 e 4.697 com pequeníssimas reduções.

Governos em Pernambuco de 1990 a 2009:

1990/1991
Carlos Wilson Campos: assumiu o governo do Estado em abril de 1990, Arraes assume mandato de deputado federal.

1991/1995
Joaquim Francisco de Freitas Cavalcanti

1995/1998
Miguel Arraes de Alencar (terceiro mandato).

1999/2002
Jarbas de Andrade Vasconcelos (dois mandatos): em outubro de 1998, Jarbas ganhou, no primeiro turno, a eleição;

2003/2006
Jarbas Vasconcelos (segundo mandato): reeleito, em 2002, com 60,4% dos votos válidos do estado.    
2007/2010
Eduardo Campos.

14 comentário registrados to “Os homicídios explodiram no governo de Miguel Arraes”

  1. emidio cavalcanti comentou:

    Cabe ao senhor a análise.Seu comentário deixa o entendimento,ou melhor a insinuação,que no governo Arraes a criminalidade aumentou e que este aumento,por ter se transformado em um platô em seguida,teve simplesmente como explicação o governo Arraes.
    As causas não seriam multifatoriais?Miguel Arraes incentivou o tráfico?Será que ele armou gangues?
    Com a palavra o professor.

  2. José Maria Nóbrega comentou:

    Prezado Cavalcanti,

    em nenhum momento afirmo que a causa da explosão dos homicídios se deveu simplesmente ao governo Arraes. Nem que o mesmo armou gangues ou coisas do tipo. Contudo, analisar o período é fundamental. Bons governos salvam vidas! E aquele governo foi tímido, para dizer o minimo, com a segurança pública. Os números são incontestáveis.
    O gráfico (se tiver problema de vizualisar clik em cima dele) aponta esta grande guinada para cima entre 1995 e 1998. Analisar os fatos e os indicadores socioeconömicos, bem como os gastos com segurança etc. deve ser feito. O que já estou estudando para minha tese doutoral que versa sobre os homicídios no Brasil.
    Contudo, o fato é que houve um incremento de 64% nos números absolutos de homicídios. E o governo, qualquer um que seja, sempre será responsabilizado. Pois é tarefa dos governantes garantir o mínimo de segurança aos cidadãos. Por que a segurança é o minimum minimorum de qualquer governo.

    Atenciosamente,

  3. emidio cavalcanti comentou:

    Prezado Professor,
    sou profesor universitário e pesquisador também.É verdade que trabalhamos em áreas bem distintas.Sou fíco de partículas,sou paulista,mas estou dando uma consultoria ao IMIP para montagem do laboratório de radioisótopos(reforma ortográfica!).
    Os dados estão aí,eu os vejo muito bem.O importante é conseguir encontrar e provar o que eles revelam.
    Não se esqueça~que Miguel Arraes viveu um estrangulamento financeiro durante o governo FHC,a pedido de certo senador e de seu então vice,que acredito agora tornou-se especialista em perder eleições.Tive a oportunidade de encontrar o secret´rio Bosco(neste processo a não contaminação é um momento delicado) e perguntei a ele sobre a diferença de rabalhar no terceiro governo Arraes e agora no de Eduardo Campos.Ele me respondeu que naquela época dispunha de 1,5 milhões reais por mês para tudo o que tinha de ser feito e que agora só uma obra estava consumindo 1,5 bilhõs de reais.
    Não sou daqui mas faço esta defesa firme e este repúdio não menos firme aos que lhe antecederam porquê,rápidamente,detectei que a grande arma deles era a mentira.Nesta condição escrevi para este blog em busca de respostas.O seu trabalho,tal qual exposto,está incompleto.Perdoe-me dizê-lo.

  4. José Maria Nóbrega comentou:

    Cavalcanti,

    está incompleto sim!

    Até por que não cabe aqui por ser científico e eu ainda não iniciei minha pesquisa do período específico da série histórica de 1995 a 1998 em Pernambuco. Só tenho informações dos recursos em segurança pública utilizados pelos governos de Pernambuco de 2001 até 2007 (governos de esquerda e centro-direita se alternaram no período), antes disso não tenho. Sei que os gastos com segurança são crescentes nesse período (2001-2007) e os resultados para a redução dos homicídios mínimos em relação aos gastos crescentes (apresentei isso em um paper na 29a Conferência da ILASSA na Universidade do Texas).
    Outro ponto que acrescento ao estrangulamento financeiro que o senhor aponta é o fato da greve das PMs em 1997. Tudo que for dado, e fatos, deve ser incluido na análise dos fatores causais, o que já estou fazendo. Contudo, leva tempo, pois certas informações são difíceis de serem levantadas. Além dos eventos históricos que devem ser estudados a fundo.

    O que temos de informação importante é a explosão. Segundo o professor Gláucio Soares (IUPERJ), os homicídios são eventos que crescem gradualmente sem períodos de explosão. Mas, o que estamos vendo é que em certos períodos há explosões. Entre 1995 e 1998 em Pernambuco foi isto que ocorreu. A Bahia apresentou uma explosão agora de 2007 para 2008. Alagoas idem. O que vem provocando isto? (Estou escrevendo um paper sobre as dinâmicas das mortes por agressão nesses três estados da Região Nordeste - negligenciada nos estudos sobre violência no Brasil).

    Afirmo que precisamos estudar os fenômenos, pois as explosões não são regra. Ou há problema com os dados ou um evento muito grave que acentua o crescimento das mortes por agressão.

    Grato pelo debate, disponho meus emails para mais discussões se assim desejar: nobrega.jr.ufpe@gmail.com / josemariajr23@hotmail.com

  5. emidio cavalcanti comentou:

    A pergunta é simples:foi uma coincidencia temporal ou de fato existe associação entre os fatos,isto é governo Arraes e violência.
    No segundo caso,quais as causas desta associação.
    Convenhamos que :”Violência explode no Governo Miguel Arraes” já é uma resposta,neste caso sem fundamento científico,talvez de outra natureza.

  6. José Maria Nóbrega comentou:

    Os homicídios explodem não é o mesmo que violência explode. A variável violência é mais ampla: dá um soco em uma pessoa é violência, corrupção é um tipo de violência.
    Os homicídios explodiram nesse período sim. É fato! Não entendo por que tem de ter fundamento científico!! Simplesmente é fato!
    Repito que não estou fazendo associação entre uma causa e o seu efeito, no caso o governo Arraes em relação aos homicídios. As causas e dinâmicas devem ser explicadas, como afirmo em minha outra resposta.
    Quer fazer um debate ou palestra a respeito?

  7. emidio cavalcanti comentou:

    O senhor está fazendo um doutorado e não sabe que este aumento tem que ter prova de associação?Que é mandatório o uso da estatística,o uso das variáveis(o senhor só asinala uma:”governo Miguel Arraes”)?
    Seu orientador,o que diz disto?
    “Houve aumento sim”.O senhor fala como se fosse um grande achado.Não é.

  8. emidio cavalcanti comentou:

    Não quero fazer debate ou palestra.Fico preocupado com a qualidade de alguns doutorados.Muitas vêzes-parece ser o caso-são de uma grande pobreza.O senhor não aceita críticas.Estranho para um estudioso.

  9. emidio cavalcanti comentou:

    Já que o senhor veio com ironia (palestra ou debate?),quando minha intenção era comentar de forma positiva.Afinal de conta´s é um assunto que nos afeta a todos,a violência.
    Não sei qual é a sua pergunnta central.Pelas duas (apenas duas!!!) variáveis deve ser “Houve aumento na criminalidade durante o teceiro governo Arraes”? ou mais genérica(não desejável):”Em que período a criminalidade aumentou de maneira mais significativa”?
    Você acredite que sabe porquê são FATOS.
    Existe um trabalho clássico,já antigo,mas muito comentado.A pergunta era”O maior consumo de álcool aumenta a incidência de Câcer de pulmão?” A resposta foi sim.Quando separava-se este grupo de bebedores de acordo com algumas váriáveis a serem cruzadas,verificou-se que a resposta era não.Do grupo estudado,quando separou-se dois subgrupos “fumantes” e “não fumantes”,verificou-se que a causa mais forte isolada de indunção a este câncer era o fumo.Os fatos estavam falsos.
    Recentemente um remédio prometia ser promissor para câncer de pulmão.Quando introduzido ao esquema terapêutico padrão,viu-se que ele não modificava nada.Estudando as subpopulações(reforma ortográfica) viu-se que ele excelente para mulheres não fumantes apenas.
    Você nunca ouviu falar de varável de confusão.
    A Faculdade Maurício de Nassau precisa ficar atenta à qualidade de seus professores.O senhor me desculpe,mas não possui os instrumentos para um tese de doutorado.

  10. José Maria Nóbrega comentou:

    Você está querendo me ofender e não debater. Não sei por que tamanha agressividade! Eu vinha aceitando suas críticas até o momento que o senhor baixou o nível desqualificando o doutorado em Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco, me desqualificando (não sei por que, pois a intolerância está vindo de seu lado) e desqualificando o Grupo Mauricio de Nassau que tem um excelente quadro de Docentes, diferente de muitas outras instituiçoes por ai, inclusive publicas.
    Pois bem, em estatística existe a relação, a associação e outras vertentes de impactos de variáveis. Métodos quantitativos não encerram o debate. Utilizo o SPSS para fazer tais análises. E tenho um co-orientador que é estatistico.
    O fato é que no governo de Arraes, que parece que o senhor é apaixonado, houve a explosão que venho indicando no texto de forma sumária, para gerar debate.
    As relações causais são várias, inclusive o consumo de bebida alcoollica que defendi em outro momento. Mas, precisam ser testadas para avaliar o real impacto. O importante é o por que da explosão.
    Meu orientandor chama-se Gláucio Soares, leia o trabalho dele
    NÃO MATARÁS (FGV, 2008).
    Ora Cavalcanti, tenha calma. Não desqualifique as pessoas quando discordam de vc, isso é muito feio.
    Outra coisa, já estou acostumado com críticas instestinas. Minha resposta é o trabalho.
    Quando lhe chamei para debater não estava sendo irônico. Gosto quando há discussões. Mas, pelo que vejo vc é xiita de esquerda e ai fica dificil qualquer discussao.
    Meu celular e 9735.7928 quer discutir comigo me ligue. Vou aonde vc estiver. Nao tenho medo do debate. Acredito que vc nao esteja entendendo o que estou querendo dizer.
    De qualquer forma, grato pelo debate!
    PS. Lembre-se, humildade é fundamental para o bem viver. Seja humilde!!

  11. emidio cavalcanti comentou:

    Peço perdão José Maria,fui de fato deselegante,mais do que isto grosseiro.Fiz um comentário neuro,sua resposta não foi tão neutra e o debate degenerou por culpa minha.Não sou apaixonado por Miguel Arraes.Não nego que tenho grnde admiração por ele,mas não morava aqui quando ele ainda atuava.
    Peço que acredite que minhas opiniões não eram para agredir,eram para discutir o assunto.
    Achei a manchete,desproprcional com o conteúdo.Como não li a tese ou alguma aprte dela já acabada,tive que ficr com as poucas informações com o blog.Neste caso,fizeram uso político de seu trabalho.
    Peço que aceite meu perdão.
    Atenciosamente
    Emidio

  12. José Maria Nóbrega comentou:

    Emidio,

    já está aceito. Lhe admiro e respeito. Continue discutindo. Sempre responderei.

    Abraços fraternos,
    José Maria

  13. emidio cavalcanti comentou:

    Agradeço a sua compreensão e a generosidade de seu gesto.Acredito que o que revoltou foi o um fragmento do estudo transformada em uma manchete afirmativa.
    Boa sorte.Continue estudando este tema,entre outros.É,a meu ver,o grande problema de nosso país.O nosso grande problema são o que~vão ser de nossas cidades.
    Agradeço mais uma vez o seu perdão.Sua bronca foi necessária para eu corrigiro estranho caminho que estava a tomar.

  14. emidio cavalcanti comentou:

    Bom dia José,
    se não for um estorvo(você mesmo o sugeriu),você permite que entre em contato consigo?Nós temos um núcleo de estudo da violência no IMIP.

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