Os temores que vêm da Grécia

Por Antonio Rivera - Economista do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau - antoniorivera@bol.com.br.
Kpioig, É o vocábulo grego que significa crise. Hoje se tornou a palavra mais ouvida em Atenas e em toda Grécia. A Grécia têm se tornado a bola da vez dos desdobramentos da crise sistêmica que se iniciou em 2008, e que balançou as economias dos quatro cantos do mundo.
Aos poucos o cenário de calamidade sistêmica nos fundamentos da economia grega vai se configurando como uma ameaça real, que ameaça os esforços dos países de encontrar o equilíbrio, após o susto da crise financeira internacional, que colocou em xeque as economias do mundo inteiro, desde os países mais desenvolvidos, assim como os subdesenvolvidos, exceção foi Brasil, que conseguiu blindar seus fundamentos econômicos, através de medidas que estimularam o consumo interno e o crescimento econômico, sem maiores conseqüências para o país.
Os investidores gregos e estrangeiros não estão muito confiantes de que a Grécia conseguirá superar a crise a pesar dos apoios e ajudas prometidas pelos países da zona do Euro e do Fundo Monetário Internacional, (FMI).
A Grécia, com um crescimento do seu Produto Interno Bruto em torno de -4% para o ano de 2010, não é justamente um bom indicador que possa alentar os investidores a retomarem a confiança na capacidade do governo de honrar seus compromissos da dívida, atualmente em torno de mais de 300 bilhões de euros ou de 13,6% em valores de 2009 acima do permitido pela zona do Euro.
O governo da Grécia gastou muito mais do que arrecadou. Não foi disciplinado na administração de suas contas nacionais, faltou responsabilidade fiscal, e de um princípio básico na boa administração financeira, gastar apenas até o máximo do valor que pode ser financiado, sem que isso possa representar elevado déficit com relação ao crescimento da riqueza do país.
A crise que tomou conta da Grécia obrigou o governo de aplicar medidas drásticas e dramáticas para tentar contornar a crise; entre as medidas que foram adotadas foram: corte no gasto público em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), aumentar a tributação, cortes nos salários dos funcionários públicos, congelamento das aposentadorias, redução entre 30% a 60% do décimo terceiro e décimo quarto salário.
Tudo isso para poder qualificar e atender as exigências do Fundo Monetário Internacional e da União Européia e assim poder receber auxilio de mais de 110 bilhões de Euros ou uns 146 bilhões de dólares, nos próximos três anos.
Evidentemente que essas medidas antipopulares, incendiaram o descontento dos trabalhadores e dos sindicatos, que não aceitam tais medidas porque acreditam que podem vir novas exigências das instituições que oferecem a ajuda, como por exemplo, demissões em massa de funcionários públicos e maiores cortes nos investimentos em setores estratégicos como saúde e educação.
Para muitos analistas econômicos no mundo acreditam que caso a Grécia não consiga contornar a forte turbulência de sua economia, poderá contaminar os mercados financeiros europeus e de lá pular para outros mercados mais distantes como o da Ásia, América do Norte e dos países em desenvolvimentos como, por exemplo, o Brasil.
O Brasil no momento está numa situação confortável, têm um cenário econômico sem maiores preocupações, têm importantes reservas em divisas de acordo com o Banco Central do Brasil, em torno de US $249 bilhões de dólares, inflação sob controle, perspectivas de crescimento positivo do seu Produto Interno Bruto, PIB, em torno de 5% em 2010.
Porém, crise econômica externa todo mundo sabe disso, começa devagar e aos poucos vai crescendo e contaminando outros mercados. Uma contaminação dos mercados europeus teria impacto no Brasil, através do volume das exportações para os países da zona do Euro. A Europa representa o segundo maior mercado de destino das exportações brasileiras.
É importante lembrar que o processo de globalização não apenas colocou um maior volume de negócios na venda e compra de produtos e serviços, mas, também tornou ainda mais interdependente os mercados financeiros, principalmente os mercados de capitais. Os mercados financeiros têm um perfil de grande volatilidade, a menor ameaça de crise, não é raro que o susto seja maior e partam para se resguardar em portos mais seguros, que se bem não oferecem grandes rendimentos aos seus investimentos, pelo menos garantem menos prejuízos.
Os próximos desdobramentos da crise Grega e seus efeitos nos mercados financeiros internacionais ninguém pode ao certo garantir. Qualquer desconfiança pode levar os investidores ao efeito manada, quando de repente a decisão de um agente investidor provoca a saída do grupo, todos tomam a mesma direção, levando o pânico sistêmico, que apavora a todos: governos e investidores.
A crise Grega não apenas ameaça com profunda contração do seu crescimento econômico, como conseqüência das forçadas medidas radicais que seu governo aprovou para contornar a crise e assim poder receber ajuda do FMI e dos países da zona do Euro, como cortes de gastos públicos, demissões massivas, com os efeitos de redução da renda, do investimento e do consumo da população e da taxa dos investimentos. É uma ameaça concreta de contaminar o sistema econômico da zona do Euro.
Nesse cenário, o governo brasileiro só tem um caminho, observar e ficar atento aos possíveis desdobramentos da crise Grega. Para auxiliar a Grécia, o governo brasileiro aprovou na sexta feira, dia 7 de maio um crédito de 286 milhões de dólares (que fazem parte da ajuda do FMI), que saíram das reservas cambiais.
O Melhor termômetro para avaliar os próximos desdobramentos da crise grega, pelo menos no curto prazo será o desempenho da Bolsa de Valores de São Paulo, (BOVESPA), nela se sintetiza o humor dos mercados financeiros mundiais, dada sua importância (é a quarta Bolsa de Valores do Mundo), qualquer forte oscilação para baixo, dos títulos e das ações negociadas será um sinal de atenção para que o governo brasileiro rapidamente adote medidas que procurem blindar a economia da instabilidade que vem da Grécia.
Finalmente a crise grega está enviando uma mensagem bem clara para todos os países. È importante uma boa disciplina fiscal. Os governos devem zelar pelo equilíbrio das contas públicas.



13 Maio 2010 às 00:58
Este é um site que sempre uso como uma das fontes de pesquisa, através do mesmo venho buscar os conhecimentos juntos aos autores consagrados do Inst. Maúricio de Nassau sem esquecer de mencionar uma admiração especial aos artigos do nosso ilustre Prof. Dr. Antonio Rivera, que sempre nos passa o conhecimentos detalhado dos aconhecimentos econômicos que possa nos atingir mesmo que seja no outro lado do mundo. PARABÉNS mais uma vez pelo seu artigo e os demais que junto formam esta força de conhecimento que participam do Instituto de pesquisa, e nos prestigiando com excelentes publicações.
Dinart Rannieri D. Carvalho
Consultor Internacional de Negócios