Instituto Maurício de Nassau

25 de Outubro de 2011
Autor talita.vasques - Postado em Artigos |

Otimismo e pessimismo no Brasil contemporâneo

Janguiê Diniz  - Doutor em Direito – Fundador e Acionista Controlador do Grupo Ser Educacional – janguie@sereducacional.com

O mercado de trabalho muda em razão do desenvolvimento econômico. Desde a era FHC, o Brasil avança por conta do Plano Real. A era Lula manteve as conquistas de FHC, em razão disso o Brasil continuou se desenvolvendo. Hoje, pesquisas econômicas e comportamentais revelam brasileiros otimistas quanto ao seu futuro e com novos hábitos e valores.

Mais pessoas concluem o ensino médio. Mais indivíduos adentram no ensino superior, independente da idade.  No Brasil, como bem registra  o sociólogo Jessé de Souza, existe a classe dos  batalhadores, aqueles que  saem cedo de casa para trabalhar e retornam tarde da noite, após passar pelo banco da faculdade.

Entretanto, algo nos preocupa. A alta evasão de alunos dos cursos da área de Tecnologia. É particularmente triste consignar que cerca de 87% dos alunos matriculados em cursos da área de Tecnologia abandonam os cursos. A consequência  disso é nefasta, pois,  em  2014  apenas  33.625 pessoas concluirão  cursos na área de tecnologia e  45 mil analistas e programadores  ficarão de fora do  mercado de trabalho, quando existem cerca de  78.530 vagas abertas (Folha de São Paulo, 19/10/2011). Emprego  na área de tecnologia há.   Falta mão de obra qualificada.

Por outro lado, pesquisa recentemente divulgada pela Confederação Nacional da Indústria revela que a escassez e o custo da mão de obra são os dois principais problemas que devem atrapalhar a construção das obras da Copa do Mundo. Nesse contexto, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) informa que, em 2011, o custo da mão de obra da construção civil aumentou expressivamente.  R$ 18 mil é o salário máximo de um mestre de obras em São Paulo enquanto que R$ 1.398,80 é o salário médio do trabalhador da construção civil. Registre-se que cerca de 2,5 milhões de trabalhadores trabalham hoje na construção civil com carteira assinada. Por outro lado, estima-se que existe 1,5 milhão de trabalhadores informais neste setor (Folha de São Paulo, 19/10/2011).

Os  dados acima do setor da construção civil revelam um Brasil promissor. Mais consumidores estão procurando adquirir bens da construção civil.  Entretanto, os dados mostram mais uma vez  a escassez de mão de obra qualificada,  que, por via de consequência, encarece o setor e o produto final.

O quadro acima nos permite concluir que a  realidade brasileira sugere otimismo e  pessimismo. O otimismo advém da existência da demanda por mão de obra. O pessimismo surge  por conta de que a demanda não está sendo contemplada em virtude da escassez de mão de obra qualificada.  Um grande problema que deve ser discutido urgentemente pelos atores estatais e da iniciativa privada no afã de encontrar soluções urgentes. Do contrário, o futuro do Brasil estará seriamente comprometido.

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