Pernambuco para o Mundo. Uma Reflexão sobre suas Possibilidades

Por Antonio Rivera - Economista do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau - antoniorivera@bol.com.br.
Vender produtos e serviços para o mundo é uma decisão de estratégica econômica e de sobrevivência para todos os Estados e países. Ninguém pode viver isolado do mundo, ou fechar sue economia para o intercâmbio comercial. O comércio exterior, além de ser o caminho natural, para colocar os excedentes da produção interna atraindo divisas, em moeda forte para o Estado e para o país, além disso, contribui também na transferência de tecnologia para o processo produtivo das empresas e indústrias. Quando se vendem produtos e serviços para o resto do mundo, de fato, se está transferindo poupança externa para o país que realiza as vendas, o inverso acontece quando compramos produtos e serviços no exterior; se transfere poupança interna.
“Uma dimensão crucial para a conexão entre crescimento e comércio internacional é a que diz respeito à natureza das mercadorias que compõem a pauta exportadora e importadora dos diferentes países e regiões. Existe uma tradição longeva segundo o qual o crescimento depende fortemente daquilo que cada país produz e se torna competitivo para exportar”, (MACEDO E SILVA, 2010).
Nenhum país ou Estado pode tolerar passivamente a saída de seus recursos econômicos de maneira descontrolada, sem fazer nada para neutralizar os desequilíbrios na relação do intercambio internacional. Quando as contas do comércio internacional do exercício começam a mostrar resultados negativos (mais compras do que vendas), é o momento de intervenção e de preocupação dos gestores do comércio exterior, para encontrar um equilíbrio nas relações de intercâmbio. Repetidos déficits na balança comercial aumenta a transferência de riqueza do Estado ou do país para os outros países.
O Brasil vem, nas últimas décadas mostrando seu potencial econômico, com uma crescente participação do comércio internacional, embora ainda seja tímida quando comparada com outros países de igual perfil. Para se ter uma idéia, o Brasil teve em 2009, uma participação de apenas de 1,2% (OMC).
Como estratégia do governo brasileiro para incrementar sua participação no comércio global, vem sendo direcionada no sentido de oferecer incentivos às empresas exportadoras, maior rapidez no processo de exportação, reforçando os mercados compradores tradicionais, assim como procurando novos nichos de mercado não tradicionais na África Ocidental, Ásia, América Latina e com países do oriente, assim como reforçando as vendas para a economia com o maior potencial de crescimento na atualidade: a Chinesa.
Nessa nova visão dos gestores do comércio exterior brasileiro, os Estados Nordestinos aos poucos vem incrementando sua participação no volume das exportações brasileiras. Os nove Estados da região nordeste, vem mostrando seu potencial de exportação, porém ainda é muito reduzida a participação da região, no somatório do comércio com o resto do mundo.
Nesse contexto, o Estado de Pernambuco, nos últimos cinco anos a pesar do incremento na participação do comércio exterior para o resto do mundo, vem obtendo resultados negativos em seu saldo da balança comercial (exportações – importações). Veja o quadro No. 1, que mostra o desempenho do Estado nos últimos cinco anos.
Quadro No.1
FLUXO DE EXPORTAÇÕES E
IMPORTAÇÕES DO ESTADO DE
PERNAMBUCO
(Em milhões de dólares)

Fonte: Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
No ano de 2005 se exportou US 786.051 milhões de dólares, o que representou uma variação positiva de 51,88% em relação ao mesmo período do ano anterior, nesse mesmo ano se comprou do exterior US$805.933 milhões de dólares , com uma variação percentual de 6,22% em relação ao ano anterior, o que em resumo representou para as trocas internacionais do Estado, um resultado negativo, alcançando um déficit de -19.882 milhões de dólares.
Em relação ao ano de 2006, se vendeu para o resto do mundo um total de US 781.046 milhões de dólares, atingindo uma variação de -0,64% em comparação com o resultado obtido no ano de 2005. Enquanto isso as compras realizadas no exterior tiveram um impulso significativo, em mais de um milhão de dólares o que representou uma variação elevada, em comparação ao ano de 2005 de 57,15%, tendo como resultado um déficit de -243.699 milhões de dólares.
Em 2007, o Estado exportou mais de 870 milhões de dólares, obtendo uma variação em ralação ao ano anterior de 2006 de 11,46%%, as importações realizadas pelo Estado atingiram assim como no ano anterior mais de um milhão de dólares, com um resultado na variação de 67,85%, o que deu como resultado novamente um déficit de mais de 849 milhões de dólares.
Para o ano de 2008, o Estado se superou, vendeu mais de 935 milhões de dólares ao exterior, com variação de 7,49%, e nas importações houve um salto significativo de mais de dois milhões de dólares, que representou uma variação de 43,05%, com um resultado mais uma vez negativo de, mais de um milhão de dólares.
Em 2009, Pernambuco vendeu para o exterior mais de 823 milhões de dólares com uma variação em relação ao ano anterior de -11,94%, nesse mesmo ano as compras no exterior foram mais de um milhão de dólares, com variação negativa de -19,51%, novamente com um resultado de déficit de mais de um milhão de dólares.
Até março de 2010 de acordo com o MINDIC , o Estado exportou mais de 88 milhões com variação de 43,89% em comparação ao mesmo período de 2009, e realizou compras em mais de duzentos milhões de dólares, com variação de 20,34%, com déficit de mais de 144 milhões de dólares.
Em resumo, o desempenho do comércio exterior do Estado de Pernambuco, mostra claramente que a participação das empresas pernambucanas no comércio exterior ainda é muito limitada. No período analisado (2005-2009), as vendas da economia pernambucana para o exterior sistematicamente foi atingido uma redução, o desempenho foi em queda livre, enquanto que as compras no exterior foram aumentadas significativamente.
O quadro No.1 em referência, oferece uma imagem da evolução do comércio exterior pernambucano entre os anos de 2005-2009.
É importante lembrar que o déficit acontece na balança comercial (se comprou mais do que se vendeu), tal resultado significa na realidade uma transferência de poupança do Estado para o resto do mundo. È evidente que não é possível eliminar todas as compras (importações), tendo em vista de que o as empresas, as indústrias e os consumidores, precisam de insumos, matérias primas e de produtos que são imprescindíveis para o processo produtivo das empresas, e para atender a demanda do mercado interno do Estado, assim como a demanda de produtos e serviços do próprio Estado, porém é estratégico na polícia de comércio exterior do reduzir as desvantagens nas relações de trocas com os outros países.
Pernambuco é um dos Estados da região Nordeste que teve um crescimento do seu Produto Interno Bruto, (PIB), em 2007 de R$ 62, 256 bilhões de Reais com variação de 5,4% em relação ao ano de 2006 que foi de 5,1% (CONDEPE/FIDEM), tal resultado demonstra, o potencial econômico do Estado em produzir riqueza, condição importante que pode ser aproveitada para aumentar a participação nas trocas internacionais com o resto do mundo.
O Estado participa com apenas 0,66% no comércio internacional brasileiro. Essa reduzida participação em parte é o resultado dos sucessivos déficits nos últimos cinco anos (veja quadro No.1). Alguns especialistas em comércio exterior, também atribuem a essa baixa contribuição à estrutura da economia pernambucana; muito atrelada ao mercado interno e de forte influencia de setores como o comércio e serviços (59%) em quanto que o setor industrial é de 17%, setor fundamental nas exportações. Alexandre Fontoura, Presidente do Comitê de Comércio Exterior e Logística da Amcham-Recife (Câmara Americana de Comércio), atribui a limitada participação do Estado de Pernambuco a falta de aposta por parte do setor exportador, em produtos de maior valor agregado, prospecção de novos mercados dentre outros fatores.
Esse acentuado perfil nas exportações no qual se destaca apenas produtos primários, não é uma característica exclusiva do Estado de Pernambuco. O Informe Setorial Industrial e Serviços do Banco do Nordeste do Brasil intitulado Nordeste: Desempenho do Comércio Exterior em 2009 Ano IV-No. 2 (Pernambuco, 2009), mostra que para o ano de 2009 as exportações da região Nordeste foram: em sua ordem integradas assim: produtos da industria de papel e celulose (10%) do total exportado pela região, açúcar e derivados (9%), grãos e oleaginosas (9%), produtos da industria química (8%), combustíveis (750, frutas (5%), produtos da indústria siderúrgica (4%), calçados (45), fero fundido e aço (4%), produtos da industria petroquímica (4%) e veículos (4%), tais produtos representaram a pauta do total exportado pelo Nordeste de 68% em 2009.
Pernambuco se destaca na pauta de suas exportações pelos chamados commodties, (produtos do setor primário). A Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, (AD DIPER), publicou que (janeiro, 2010), na pauta das exportações de Pernambuco, está integrada fundamentalmente por açúcares e produtos de confeitaria, 69,5%, seguidos por borracha, folhas e tiras como principal produto responsáveis por 11,3% do total exportado e plásticos e suas obras, corresponderam a 7,2% do total exportado, tal desempenho confirma o perfil da pauta das exportações pernambucanas - tipicamente composta de produtos primários com pouco ou nenhum valor agregado, portanto muito dependente das oscilações da demanda do mercado externo.
Segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, (MINDIC), mostram que o Estado de Pernambuco, de janeiro a março de 2010, dentre os cinco maiores compradores do Estado foram em sua ordem, a Federação Russa, com 34.058.959 uma variação de 855,93% em relação ao ano de 2009, a Espanha alcançou compras de 28.974.852 com variação de 729,67 em relação ao ano de 2009, Argentina com 22.350.661 com variação de 123,69% em relação a ano de 2009, Iraque, com 17.298.600 Taiwan (Formosa), com 16.670.384.
Conclusão: o perfil do comércio exterior do Estado de Pernambuco ainda permanece com uma baixa participação no contexto das exportações brasileiras. Vários são os fatores desse desempenho; a falta de tradição moderna entre as empresas de direcionarem sua produção para o mercado externo, a reduzida competitividade dos produtos e serviços, como conseqüência dos gargalos encontrados produtos da burocracia que freia as exportações, o Custo Brasil; Tributação elevada, falta de infra-estrutura a perene estrutura em exportar commodities altamente dependentes de fatores externos, a reduzida exportação de produtos de alto valor agregado, a posição de segurança que a estabilidade econômica do país permitiu como conseqüência do aumento da demanda interna, as indústrias e as empresas preferiram direcionar sua produção para atender o mercado local, regional e nacional.
O Estado de Pernambuco possui todas as condições de dar uma virada no perfil deficitário da balança comercial dos últimos cinco anos, e retomar o rumo do círculo virtuoso do desempenho positivo da balança comercial. Têm recursos naturais abundantes, importantes investimentos em infra-estrutura, portos, aeroportos, estradas, estaleiro, usina de refinamento de petróleo, um potencial importante na mão-de-obra etc.
Para finalizar, algumas sugestões que podem melhorar o desempenho do comércio internacional pernambucano: o fortalecimento dos mercados tradicionais de destino das exportações, assim como investir em detectar novos nichos de mercados e suas potencialidades de realizar negócios com o Estado de Pernambuco, através de visitas de empresários e de funcionários responsáveis pela gestão do comércio exterior do Estado, para países e regiões potencialmente interessantes como mercados receptores dos produtos e serviços que o Estado possui, assim como divulgar e promover a pauta das exportações e as oportunidades de incentivos aos investimentos que Pernambuco oferece, aproveitar os espaços que APEX disponibiliza em feiras, encontros e visitas internacionais.
Fontes Bibliográficas
Informe Setorial Indústria e Serviços- Nordeste: Necessidades de Investimentos e Convergência do PIB per Capita- Ano IV- No.3 –Fev. 2010 - Banco do Nordeste, Recife, 2010.
Informe Setorial – Indústria e Serviços; Nordeste: desempenho do Comércio Exterior em 2009. – Ano IV- No.2 – Recife, 2009.
MACEDO E SILVA, O Expresso do Oriente, Redistribuindo a Produção e o Comércio Globais, Textos Avulsos – No.2 UNICAMP – Instituto de Economia- Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica (CECON), abril, 2010.
Sitio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior- Brasília, 2010-
http://www.mdic.gov.br/sitio/
Sitio da Agencia de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco – AD DIPER
Site:www.addiper.pe.gov.br
Sítio do Jornal O Estado de São Paulo
www.economia.estadao.com.br/noticias/not_15412.htm
Sítio do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA
http://www.ipea.gov.br/default.jsp
Sitio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- IBGE
www.ibge.gov.br
Sítio da Agência Estadual de Planejamento em Pesquisa de Pernambuco – CONCEPE/FIDEM
http://www2.condepefidem.pe.gov.br/web/condepeFidem#



3 Maio 2010 às 22:14
Mais uma vez acompanho os artigos públicado neste site, conforme já havia expressado antes a tamanha gama de conhecimento que os autores do site nos fornece, quero expressar mais uma vez os agradecimentos ao Prof. Dr. Antonio Rivera pelas suas publicações no qual me trás bastante esclarecimentos junto ao meu conhecimento de consultoria empresarial de negocios internacionais. O Comex é a porta da globalização entre as nações e o caminho do crescimento econômico de um país. PARABÉNS professor por mais um excelente artigo.
Dinart rannieri D. Carvalho
Consultor Internacional de Negócios
4 Maio 2010 às 16:36
É com imenso prazer que leio seu mais recente artigo, adorei sua analise e pretendo ler todos, pois traz um rico conhecimento acerca do nosso maravilhoso Estado. È muito gratificante poder aprender um pouco mais atraves de suas aulas. Quando escrever o proximo me avisa…