Pesquisa revela perfil da sexualidade no Recife

Pesquisa divulgada recentemente pelo Instituto Maurício de Nassau sobre a Cultura da Sexualidade no Recife procurou verificar a presença de tolerância dos moradores da capital pernambucana quanto aos comportamentos individuais associados à sexualidade. Deste modo, procuramos observar se existe tolerância – esta vislumbrada, em alguns instantes, no âmbito da aprovação ou desaprovação – sobre determinados comportamentos. Em outros instantes, avaliamos a tolerância observando supostos comportamentos que os indivíduos podem ter diante de determinados fatos. Neste sentido, esta pesquisa observa que:
1. Existe percentual considerável de mulheres agredidas por seus companheiros – 61,3% afirmaram que conhecem alguma mulher que já fora vítima de agressão por parte do companheiro. O marido é o principal agressor. Considerando a faixa etária, constatamos que 70% dos jovens têm ciência de mulheres agredidas. Encontramos percentual semelhante na faixa etária de 25-34 anos. Com o aumento da idade, constamos uma diminuição no nível de conhecimento;
2. Existe menor percentual de homens agredidos por mulheres – 31,7%. Neste universo, a esposa é a principal agressora - 85,2% afirmaram que foi a esposa que cometeu a agressão. Mesmo o percentual sendo menor, a frequência de agressão a homens por parte de mulheres, reforça, junto com a variável “agressão do homem à mulher”, que a violência doméstica pode ser considerada eventos sociais comuns;
3. A fidelidade é um valor primordial para os indivíduos pesquisados – 93,7%, independente da classe social. Porém, 23% das mulheres e 58% dos homens afirmaram ter traído os seus parceiros. Não existe diferença considerável, quando consideramos as variáveis faixa etária e classe social, na frequência de indivíduos que já traíram – com exceção da faixa etária 60 anos ou mais. Destacamos que 29% dos homens afirmaram ter sido traídos. E 61% das mulheres frisaram ter sofrido traição. A fidelidade é considerada um bem maior, contudo, principalmente no universo masculino, ela é relegada. Portanto, é um bem maior relativo. Ela está a depender do interesse de cada um;
4. Quando um dos parceiros trai, o que ele merece? 37,2% propuseram a separação como custo ao indivíduo que traiu. Porém, 8,8% citaram a agressão física e 1,2%, morte. Estes dados nos revelam que a traição pode desaguar em homicídio. Ou que, para 1,2%, a morte é uma pena adequada para o indivíduo que trai;
5. O temor à traição, a falta de confiança entre os indivíduos e o machismo, o qual advém de ambos os sexos, são revelados por esta pesquisa. Frequência expressiva de homens e mulheres, independente dos segmentos aqui já frisados, censura o ato do indivíduo ir sem a esposa, marido, namorado ou namorada, a um restaurante ou a um bar à noite. Deve-se entender por machismo a reprovação de um dado comportamento feminino e a aprovação deste quando parte do sexo masculino. Os dados revelam que o machismo existe em ambos os sexos;6. A união homossexual é aprovada por 50,2% dos entrevistados. Maior percentual de mulheres aprova este tipo de união – 62% contra 41% dos homens. Quanto mais jovem, maior a frequência de aprovação. Isto evidencia mudança de mentalidade dos indivíduos quando consideramos as diferenças por gerações. A aprovação à união homossexual é mais alta nos segmentos com maior escolaridade – ensino médio e superior;
7. Constatamos, contudo, que 56% reprovam a adoção de crianças por parte de casais homossexuais. Mais uma vez, verificamos que as mulheres possuem maior tolerância quanto a este possível ato por parte de um casal homossexual, pois 46% são favoráveis, enquanto 65% dos homens discordam. Quanto mais jovem, maior a concordância com a adoção. Mais uma vez, constatamos a mudança de mentalidade;
8. Apesar de 45,7% não serem favoráveis à união homossexual e 56% contrários que casais homossexuais adotem crianças, constatamos que existe tolerância com os casais homossexuais, já que 66,6% afirmam não se incomodar quando estão próximos a eles. Estes resultados, sobretudo o fato de que 45,7% não são favoráveis à união homossexual, talvez explicitem o fato de que a população entende que a união homossexual é possivelmente chancelada pelo Estado ou por alguma religião. Observamos que a tolerância aos homossexuais é também demonstrada quando 61,7% compreendem e apóiam a decisão do filho caso eles descubram que este é homossexual;
9. Existe maior tolerância entre duas mulheres se beijando, do que diante de dois homens realizando o mesmo ato. O que causa mais revolta? 40,1% afirmaram que um homem ou mulher traindo o seu companheiro. 29,7% frisaram dois homens se beijando. E 11,7%, “duas mulheres se beijando”. Dois homens se beijando, ou o homossexualismo masculino, causa menor repugnância do que a traição por parte do homem ou da mulher. Isto comprova a nossa afirmação anterior de que a fidelidade é um valor primordial.


