Pesquisas eleitorais e análises
Hoje (26) o jornal Folha de São Paulo divulgou nova pesquisa de intenção de voto para presidência da República. De acordo com os dados, Dilma aparece com 49% contra os 29% do candidato José Serra, abrindo uma vantagem de 20 pontos em relação ao seu adversário do PSDB, José Serra. Até mesmo no reduto tucano, São Paulo, Dilma saiu de 34% na semana passada e está com 41% agora. O ex-governador caiu de 41% para 36%. Se a eleição fosse hoje, Dilma teria 55% dos votos válidos e venceria no primeiro turno.
Realizada nos dias 23 e 24 com 10.948 entrevistas em todo o país, a margem de erro máxima da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Porém, apesar da credibilidade dos dados, o Datafolha começou a ser alvo de crítica por parte de jornalistas e do diretor do “Vox Populi”, o sociólogo Marcos Coimbra. As críticas são fundamentadas pelo fato do instituto, na última pesquisa divulgada, ter apontado a candidata Dilma Rousseff com 17 pontos percentuais de vantagem em relação a José Serra em um espaço de 24 horas, com 2.727 entrevistas em 171 municípios de 24 estados, tabulado os números e divulgado o resultado no mesmo dia.
Confira abaixo a análise de Marcos Coimbra divulgada na edição de ontem do jornal Correio Braziliense:
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Pesquisas Polêmicas (Ou o vexame do Datafolha)
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De Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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Pesquisas nas quais não se pode confiar são um problema. Elas atrapalham o raciocínio. É melhor não ter pesquisa nenhuma que tê-las. Ao contrário de elucidar e ajudar a tomada de decisões, confundem. Quem se baseia nelas, embora ache que faz a coisa certa, costuma meter os pés pelas mãos.
Isso acontece em todas as áreas em que são usadas. Nos estudos de mercado, dá para imaginar o prejuízo que causam? Se uma empresa se baseia em uma pesquisa discutível na hora de fazer um investimento, o custo em que incorre?
Na aplicação das pesquisas na política, temos o mesmo. Ainda mais nas eleições, onde o tempo corre depressa. Não dá para reparar os erros a que elas conduzem.
Pense-se o que seria a formulação de uma estratégia de campanha baseada em pesquisas de qualidade duvidosa. Por mais competente que fosse o candidato, por melhores que fossem suas propostas, uma candidatura mal posicionada não iria a lugar nenhum.
Com a comunicação é igual. Boas pesquisas são um insumo para a definição de linhas de comunicação que aumentam a percepção dos pontos fortes de uma candidatura e que explicam suas deficiências. As incertas podem fazer que um bom candidato se torne um perdedor.
E na imprensa? Nela, talvez mais que em qualquer outra área, essas pesquisas são danosas. Ao endossá-las, os veículos ficam em posição delicada.
Neste fim de semana, a Folha de São Paulo divulgou a pesquisa mais recente do Datafolha. Os problemas começaram na manchete, que se utilizava de uma expressão que os bons jornais aposentaram faz tempo: “Dilma dispara…”. “Dispara..”, “afunda…” são exemplos do que não se deve dizer na publicação de pesquisas. São expressões antigas, sensacionalistas.
Compreende-se, no entanto, a dificuldade do responsável pela primeira página. O que dizer de um resultado como aquele, senão que mostraria uma “disparada”?
Como explicar que Dilma tivesse crescido 18 pontos em 27 dias, saindo de uma desvantagem para Serra de um ponto, em 23 de julho, para 17 pontos de frente, em 20 de agosto? Que ganhasse 24 milhões de eleitores no período, à taxa de quase um milhão ao dia? Que crescesse 9 pontos em uma semana, entre 12 e 20 de agosto, apenas nela conquistando 12,5 milhões de novos eleitores?
O jornal explicou a “disparada” com uma hipótese fantasiosa: Dilma cresceu esses 9 pontos pelo “efeito televisão”. Três dias de propaganda eleitoral (nos quais a campanha Dilma teve dois programas e cinco inserções de 30 segundos em horário nobre), nunca teriam esse impacto, por tudo que conhecemos da história política brasileira.
Aliás, a própria pesquisa mostrou que Dilma tem mais potencial de crescimento entre quem não vê a propaganda eleitoral. Ou seja: a explicação fornecida pelo jornal não explica a “disparada” e ele não sabe a que atribuí-la. Usou a palavra preparando uma saída honrosa para o instituto, absolvendo-o com ela: foi tudo uma “disparada”.
É impossível explicar a “disparada” pela simples razão de que ela não aconteceu. Dilma só deu saltos espetaculares para quem não tinha conseguido perceber que sua candidatura já havia crescido. Ela já estava bem na frente antes de começar a televisão.
Mas as pesquisas problemáticas não são danosas apenas por que ensejam explicações inverossímeis. O pior é que elas podem ajudar a cristalizar preconceitos e estereótipos sobre o país que somos e o eleitorado que temos.
Ao afirmar que houve uma “disparada”, a pesquisa sugere uma volubilidade dos eleitores que só existe para quem acha que 12,5 milhões de pessoas decidiram votar em Dilma de supetão, ao vê-la alguns minutos na televisão. Que não acredita que elas chegaram a essa opção depois de um raciocínio adulto, do qual se pode discordar, mas que se deve respeitar. Que supõe que elas não sabiam o que fazer até aqueles dias e foram tocadas por uma varinha de condão.
Pesquisas controversas são inconvenientes até por isso: ao procurar legitimá-las, a emenda fica pior que o soneto. Mais fácil é admitir que fossem apenas ruins.




31 Agosto 2010 às 21:16
Claro que o Sociologo Marcos Coimbra está correto,o Data Folha está manipulando as pesquisas,quando a Dilma cresce eles colocam junto a matéria chamada,uma notícia negativa,isso é muito ruím para um Jornal que já foi reduto contra a ditadura no Brasil,outrora existente.è um absurdo um Jornal de Respeito como a Folha de São Paulo,se prestar a esse tipo de conveniencia,se voltar para um candidato tudo bem,acontece em outras partes do mundo,desvirtuar informações é outra situação,creio que as pessoas serias que lá trabalham devem se sentir constrangidas mas precisa do emprego e não há como se resolver isso.Parabéns Marcos Coimbra jornalismo sério não pode e nem deve ser tendencioso.