Pesquisas importam

Em entrevista ao JC (26/07), o jornalista Ricardo Carvalho opinou sobre a importância e qualidade das pesquisas de opinião. A opinião de Carvalho está estruturada em sua experiência de vida. Em razão disto, ela tem legitimidade, pois, o senso comum, algumas às vezes, passa pelo teste científico. Isto é: é possível a opinião de algum leigo sobre determinado fato/evento ou objeto ser verdadeira após passar pelo crivo do especialista. Isto ocorre com os pesquisadores sociais. É comum, o pesquisador, diante do senso comum, procurar verificar se ele é verdadeiro.
Discordo da avaliação do jornalista Ricardo Carvalho sobre as pesquisas de opinião. Pesquisas eleitorais não buscam acertos. Buscam se aproximar da realidade, e, o mais importante, apontar tendências. As pesquisas eleitorais não desejam dizer que o candidato A findará a eleição com 53% dos votos válidos. Mas mostrar que o candidato A, com 53% de intenção de voto, detectado em pesquisa eleitoral, tende a vencer a eleição no primeiro turno em razão de diversos fatores, dentre estes: fraqueza dos oponentes e crescimento contínuo do candidato A.
O erro dos analistas de pesquisas, jornalistas e publicitários, é acreditar que a opinião pública é estática. Em 24 horas fatos podem ocorrer e mudar radicalmente o resultado da eleição. Inclusive, no último pleito municipal, considero que um novo fenômeno surgiu, qual seja: os eleitores estão adiando a sua decisão quanto a quem votar. Diante deste fenômeno, o qual ainda considero como hipótese, os institutos de pesquisas sofreram críticas. Mas sofreram também em razão de vender para a opinião pública que as pesquisas eleitorais têm o objetivo de acertar o percentual de votos que um candidato obterá no pleito eleitoral.
Analistas de pesquisas, jornalistas e publicitários precisam saber interpretar as pesquisas – quantitativas e qualitativas. Não é porque o candidato A está na frente, que ele vencerá a eleição. O candidato B, oponente de A, o qual está em segundo, pode ter o perfil adequado que o eleitor deseja. E em razão disto, ter potencialidade de crescimento. Este fato correu, por exemplo, com o então candidato João da Costa.
Em meados de maio, o Instituto Maurício de Nassau, realizou pesquisa qualitativa com os seguintes objetivos:
1) verificar a potencialidade de cada candidato à prefeitura do Recife;
2) verificar a força eleitoral/política dos apoios de João Paulo e Jarbas Vasconcelos;
3) decifrar a imagem de cada postulante ao cargo de prefeito;
4) verificar os principais problemas da cidade do Recife.
No momento da realização da pesquisa qualitativa, institutos apontavam Mendonça Filho como favorito para vencer o pleito municipal.
Contudo, mesmo diante da posição de Mendonça Filho, constatei, em razão da pesquisa qualitativa, que João da Costa tinha potencial de crescimento em razão dos seguintes motivos: 1) João da Costa era pouco conhecido; 2) A administração de João Paulo era bem avaliada; 3) João da Costa, no universo dos eleitores que lhe conheciam, era identificado como o candidato de João Paulo. Diante dessas razões, além da constatação por meio de diversas pesquisas quantitativas, previ que João da Costa poderia vencer a eleição no primeiro turno.
As pesquisas de opinião importam para o marketing político. Sem elas, é impossível definir uma estratégia correta de campanha. Contudo, as pesquisas precisam ser interpretadas adequadamente.


