Instituto Maurício de Nassau

20 de Julho de 2010
Autor Isabel França - Postado em Artigos |

Petróleo: meio ambiente em questão

 

Por Janguiê Diniz – Fundador do Grupo Ser Educacional – janguie@sereducacional.com

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O Brasil começou a explorar o petróleo da camada do pré-sal. Segundo o Governo Federal, sua grande  mina de ouro. Desde que se começou a falar em pré-sal, o assunto tomou uma proporção cega. Acontece que o País não tem   experiência em exploração de petróleo em tão grande profundidade. Nessa perspectiva,  um estudo aprofundado antes de qualquer ação se faz  imprescindível,  sob pena de se correr  riscos catastróficos para o meio ambiente. Vejam o triste exemplo do desastre do Golfo do México.

  
 
A produção comercial do petróleo, na camada do pré-sal,  segundo a Petrobras, foi iniciada este mês, no primeiro poço do Campo de Baleia Franca, na Bacia de Campos, litoral do Espírito Santo. De início, serão produzidos 13 mil barris de petróleo leve por dia,  por intermédio do navio-plataforma Capixaba. Acredita-se que a produção comercial de Baleia Franca pode servir de laboratório para a exploração de petróleo, na camada pré-sal, em todo o País. O Campo de Baleia Franca fica no Parque das Baleias, a cerca de 80 quilômetros da costa capixaba. O parque, segundo a Petrobras, tem reserva estimada em 2,4 bilhões de barris, dos quais metade está localizada na camada pré-sal. A plataforma capixaba deverá produzir ainda óleo da camada do pós-sal de Baleia Franca e também do campo vizinho de Cachalote. A expectativa é de que até o fim do ano, a plataforma produza 100 mil barris por dia.

 
No entanto, é particularmente triste consignar que  as medidas necessárias de segurança para reduzir os riscos ambientais sobre a exploração em águas profundas ainda não foram tomadas e sequer foi realizada uma avaliação dos danos que esse tipo de exploração pode trazer ao meio ambiente.  Há pouco tempo, os Estados Unidos anunciaram uma nova suspensão da exploração de petróleo em águas profundas naquele país. As operações deveriam ser interrompidas até que as empresas pudessem implementar  as medidas necessárias para que pudessem ser minimizados os riscos de acidentes e se prepararem para conter os vazamentos, como o que ocorreu no Golfo do México, depois da explosão de uma plataforma operada ela petroleira britânica BP. A recomendação em relação ao vazamento do mineral também partiu da União Européia.

 

É importante registrar que o assunto não pode ficar restrito apenas  aos benefícios da exploração. O tema não deve ser limitado à quantidade ou qualidade do petróleo que será obtida em cada nova descoberta do Governo. O fato é que ainda não houve garantia de segurança com as novas perfurações. Mesmo após a maior catástrofe ambiental da história da indústria petrolífera, como a que ocorreu no Golfo do México, o Governo parece estar mais atento ao oba oba eleitoral do que com o risco ao meio ambiente e, mais que isso, com a própria desvalorização da Petrobras.

 
Apenas para ilustrar, lembremos que por conta da má gestão do Governo, as ações da Petrobras caíram muito, dificultando a exploração de novos poços.  Em um ano, a empresa perdeu o equivalente a US$ 52 bilhões. Enquanto isso, o Brasil fica com essa discussão,  sem qualquer propósito,  em  torno da divisão de royalties entre os estados e municípios. A obtenção de petróleo pode até garantir alguns pontos positivos para o Governo, mas o efeito negativo para todo o País com a exploração sem os devidos cuidados será catastrófica.

2 comentário registrados to “Petróleo: meio ambiente em questão”

  1. Jurandir Carmelo comentou:

    Por este blog tenho acompanhado o trabalho do professorJanguiê Diniz. É um trabalho que deveria ser discutido pelas escolas da rede pública e privada do Estado. Lamentavelmente ao que assistimos hoje é bem diferente do ensino dos anos 50/60/70, quando o nível de ensino começou a declinar sem que as autoridades da área de educação adotassem medidas para evitar esse esfacelamento dos programas curriculares, com o agravante: hoje não são os alunos que não se interessam pelo estudo, são os professores que não se comprometem com o ensino. Para comprovar essa assertiva basta sabatinar, em uma mesma escola, professores e alunos. Pasmem: existe nível de professor bem pior do que o nível dos alunos, principalmente no comprativo entre escola pública e privada. Sabatine-se um aluno que estudou o segundo grau em uma escola privada e faz curso superior em universidade pública e um professor que estudou em escola pública e ensina em uma universidade privada. Há enorme diferença. Mais: Sabatine-se um ex-estudante de uma escola privada dos anos 50/60/70, que parou os estudos no segundo grau, com um universitário de hoje. Há enorme diferença. O que falta? Só melhoria de salário e condições? Não, acho que não! As escolas de hoje têrm tudo à disposição laboratórios, biblotecas virtuais ou não, etc e etc.) e a internet, em casa, que ajuda bastante. Gostaria de conhecer a opinião do professor Janguiê Diniz sobre esse assunto, pois a minha preocupação é com o futuro dos jovens. O que realmente vem acontecendo com a qualidade de ensino?

    Por outro lado queor parabenizar o professor pela lúcida matéria e oportuna matéria sobre o pré-sal. O exemplo do acidente do Golfo do México deve servir de lição e de preocupação, também. Utilizando da linguagem popular pergunto: O Brasil está preparado para “tapar o buraco”. O que se fazer em situação idêntica? Os presidenciáveis dizem que não se deveria discutir o pré-sal em ano eleitoral.
    Concordo com o professor Janguiê Diniz, o que não se deve discutir é sobre a ‘divisão de royalties entre os estados e municipios’. Mas sobre o que é o pré-sal, a sua importância na economia e no social do contexto interno e externo da vida nacional, além das possobilidades de grandes acidentes, isso sim, deveria ser discutido. Jurandir Carmelo - Advogado e jornalista matuto - (Pesqueira/PE)

  2. Janguiê Diniz comentou:

    Caro Jurandir,
    Concordo com vc.
    A diferença é que os melhores alunos das Escolas Privadas estão nas Faculdades Públicas. Pesquisa nos prova que 88% dos alunos de medicina das Universidades Federais e 80% de odontologia são provenientes das classes A ou B. Ou seja, podem pagar. O que o Brasil deveria fazer era acabar com a gratuidade nas Universidades Federais para aqueles que podem pagar e manter para os que não podem.
    Grande abraço
    Janguiê Diniz.

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