Instituto Maurício de Nassau

24 de Agosto de 2011
Autor talita.vasques - Postado em Economia, Pesquisa |

Recifenses não estão dispostos a adquirir mais bens duráveis nos próximos meses

Os moradores da cidade do Recife estão preocupados com a crise econômica internacional e aproveitaram para seguir o conselho da presidente Dilma Rousseff de consumir com parcimônia. O novo cenário econômico mundial, com grandes oscilações na bolsa e aperto no crédito, se traduz na confiança do consumidor recifense, que pretende colocar o pé no freio do consumo. Foi isso que comprovou a Pesquisa Mensal de Expectativa de Consumo, realizada pelo Instituto de Pesquisa da Faculdade Maurício de Nassau, neste mês de junho.

De acordo com os dados, a intenção de compra de bens de consumo duráveis do consumidor recifense voltou a cair após a recuperação registrada em julho. No mês passado, o índice estava em 14,7% contra 13,72% de junho. Este mês, o índice caiu para o seu pior percentual nos últimos dez meses, atingindo o valor de apenas 9,66% de intenção de compras.

A baixa confiança do consumidor recifense que acumula uma queda de 12,3 pontos no ano segundo o ICC-IPMN indica preocupação do consumidor em relação à economia e pode explicar a tendência de queda no consumo de bens de consumo duráveis em agosto. Segundo os entrevistados, 91,8% disseram não ter interesse em adquirir nenhum eletrodoméstico este mês, contra apenas 8,2% que disseram que irão as compras, valor 37,4% menor do que julho passado.

A mesma situação se reflete no interesse em comprar produtos eletrônicos (celular, TV, som). Nesse caso, 87,3% dos consumidores locais disseram que não pretendem adquirir nenhum desses produtos, contra 12,7% que disseram sim às compras, valor 33,5% inferior ao mês passado. O setor de informática é o possui a menor demanda, pois 94% dos entrevistados revelaram que não vão adquirir nenhum bem dessa categoria. Apenas 6% se mostraram interessados em comprar bens de informática, tal segmento apresenta uma retração de 18,3% em comparação a julho.

Segundo Djalma Guimarães, economista responsável pela pesquisa, a inflação possui o efeito imediato na redução do poder de compra dos indivíduos, bem como as políticas de combate a inflação, geralmente tem impacto no encarecimento do crédito, ou seja, maior dificuldade para o consumidor realizar seus desejos de consumo. “na atual conjuntura uma trajetória de crescimento para os próximos meses depende dos desdobramentos da Crise americana e da Zona do Euro e seu impacto na economia brasileira e conseqüentemente no emprego e na renda dos recifenses”, lembra.

Na avaliação do economista, esse dado da pesquisa também pode ser avaliada da seguinte forma: os consumidores podem estar postergando suas compras a espera do décimo terceiro salário e de melhores condições de compra no final de ano; e alguns consumidores podem estar aguardando melhores condições de compras trazidas por uma possível política econômica de combate a crise econômica. Pois caso a política seja semelhante a utilizada na crise econômica de 2008-2009, a redução de impostos e facilidade de crédito, devem tornar o consumo de duráveis mais atraente.

PESQUISA – A pesquisa foi realizada nos dias 04 e 05 de agosto, num universo de 807 moradores do Recife. O número de entrevistas foi estabelecido com base em uma amostragem aleatória simples com um nível estimado de 95% de confiança e uma margem de erro estimada de 3,5%. A amostra foi selecionada a partir de um plano de amostragem estratificada de conglomerados em dois estágios. No primeiro estágio foram sorteados os setores censitários e em seguida é selecionado um número fixo de pessoas segundo cotas amostrais das variáveis sexo e faixa etária.

Dentro dessa amostragem de 807 pessoas, 45,1% foram do sexo masculino e 54,9% do sexo feminino, com faixa etária entre 16 até mais de 60 anos. Desse total, 39,1% tem renda individual até dois salários mínimos. Sendo que 32,5% se declararam funcionários com carteira assinada e 19,2% autônomos, 15,6% empregados sem carteira assinada, e 13,5% aposentados. A pesquisa entrevistou pessoas de todas as classes sociais, sendo que 68,8% se concentram nas classes C e D.

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