Instituto Maurício de Nassau

21 de Novembro de 2008
Autor Inácio Feitosa - Postado em Educação |

Sou a favor das cotas sociais, mas condicionadas à renda familiar e a qualidade do aluno

Explico. O país possui uma dívida histórica com os negros e os indígenas. As partes são desiguais, por isso devem ser tratadas desigualmente. Assim, chegaremos à igualdade de fato, já dizia Rui Barbosa. As Universidades públicas devem desempenhar um papel de inclusão social efetivo. Hoje, isso não acontece. As Universidades públicas não são para os alunos carentes. São para aqueles que tiveram condições de gastar mais com cursinhos e aprenderam os “macetes” dos vestibulares das federais, para saírem na frente da concorrência. As cotas não devem ser por prazo indeterminado e deveriam ser acompanhadas de um planejamento educacional específico. As cotas deveriam seguir o raciocínio do Prouni: alunos comprovadamente carentes e com uma nota mínima de 45 pontos no Enem. O negro e o indígena, ricos, não devem ser beneficiados pelas cotas. Da mesma forma, é preciso uma bagagem pedagógica mínima para ter acesso ao ensino superior. Os alunos do Prouni são reconhecidamente bons, inclusive com ótimos resultados no Enade. Essa preocupação, hoje, é inexistente. As vítimas da ditadura militar estão sendo indenizadas pelo estado. Por analogia, os negros e os indígenas também possuem esse direito. Precisamos analisar essa questão pelo prisma dos negros e dos indígenas, não apenas pelo olhar dos brancos. Muitas vezes eivados de preconceitos!Deveriam criar uma lei obrigando os filhos de nossos políticos a estudarem nas escolas públicas, como defende Cristovam Buarque. Queria ver se a qualidade delas não mudaria.

 

2 comentário registrados to “Sou a favor das cotas sociais, mas condicionadas à renda familiar e a qualidade do aluno”

  1. Reinaldo comentou:

    Esse pensamento só pode advim de alguém completamente ignorante socialmente. Que não diferencia aspectos históricos dos aspectos sociais.
    Para além dos dilemas econômicos brasileiros, temos um problema histórico. É simples! Vamos pagar os dados apenas dos pobres (ou qualquer eufemismo que o valha), e neste segmento fazermos uma classificação étnica.
    Os negros pobres sofrem de uma deficiência social exponencial superior ao do pobre branco.
    É uma hipocrisia descabida afirmar que o problema brasileiro é de ordem econômica apenas.
    Só, com o perdão da infeliz comparação, os cegos entendem que a deficiência social, de origem escravocrata, não é uma variável interveniente no processo de políticas de ações afirmativas nacionais.
    Lamentável essa colocação…

  2. José Maria Nóbrega comentou:

    Impressiona a falta de respeito das pessoas quando suas opiniões não são contempladas. Reinaldo, respeite as pessoas. Existe todo um debate em torno das politicas de ação afirmativa. Liberalismo x multiculturalismo. Defensores das ações em torno de políticas específicas a grupos específicos e aqueles que acreditam que as políticas devem ser cegas às diferenças. Quem está certo? Só o debate respeitoso e de alto nível pode ajudar nesse dilema. A ignorância é a falta de debate. Congratulações.

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