Instituto Maurício de Nassau

4 de Outubro de 2010
Autor Isabel França - Postado em Eleições 2010 |

Um argumento a favor da lista aberta

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Por Roberto Santos – Cientista político e supervisor de pesquisa do Instituto Maurício de Nassau – roberto.santos@rec.mauriciodenassau.edu.br

 

Já se tornaram comuns as críticas ao sistema de eleição proporcional, sobretudo nas eleições para deputado estadual e federal. E mais ainda quando ocorre fenômeno do candidato “puxador”. Foi o que aconteceu com Enéias e agora com o palhaço Tiririca, ambos no estado de São Paulo. Pelo fato do candidato ter uma votação expressiva, os votos que excedem o coeficiente eleitoral são distribuídos para os candidatos da coligação, de forma a fazer o máximo de candidatos terem o mínimo de coeficiente eleitoral.

 

Um absurdo à representação seria transformar a eleição para a câmara em majoritária, ou seja, entrando os candidatos por ordem de votação, até que se complete o número de cadeira. Os votos dados aos parlamentares mais bem votados seriam perdidos, ao passo que na ponta inferior, vários candidatos de partidos nanicos seriam eleitos com votação inexpressiva. Então, a alternativa mais citada ao sistema atual é a votação proporcional em lista fechada. Que nada mais é do que os partidos indicarem uma lista ordenada de candidatos. Onde o eleitor vota no partido, e, a depender do quantitativo de votos do partido, os candidatos (seguindo a ordem da lista) são eleitos.

 

O argumento é que nesse sistema o eleitor tem o partido como foco, e pode observar a lista de candidatos que ele vai ajudar a eleger. Mas esse sistema impõe ao eleitor um punhado de candidatos que ele pode não se identificar. Como fazer o eleitor ter essa consciência de partido? Abandonar o voto personalista, e fazê-lo identificar-se com o programa do partido? Se os defensores da lista fechada acham que isso é possível, por que não tentar tal feito com a lista aberta? O eleitor, ao votar, sabe que os dois primeiros números de seu candidato referem-se ao partido e que os outros dois (deputado federal) ou três (deputado estadual) dizem respeito ao candidato em si. A coligação em que o partido está é amplamente divulgada. Todo eleitor sabe quais candidatos majoritários são apoiados pelo seu deputado, e vice-versa. A única diferença substancial entre a lista aberta e a fechada é a ordem de entrada dos deputados. No atual modelo, essa lista é realizada com base no desempenho eleitoral de cada candidato. E não vejo nada mais democrático, no sentido eleitoral, do que isso. Os votos excedentes vão ajudar os candidatos da mesma coligação que estiverem melhor colocados.

 

Ou seja, o sistema não é falho, nesse sentido. Uma coisa que os defensores das duas formas de eleição proporcional concordam é que o reconhecimento do papel do partido por parte do eleitor é fundamental. Se na visão da lista fechada esse é o caminho chave, na visão de lista aberta também deve ser. Sendo assim, o nosso problema não é de regra eleitoral (nesse caso específico), mas sim de educação política. Temos, a meu ver, o melhor modelo de eleição proporcional, mas com uma deficiência de compreensão. Ou seja, o problema é mais de cultura política do que normativo.

1 comentário registrado to “Um argumento a favor da lista aberta”

  1. André comentou:

    Sou de acordo com a análise. Eu não quero perder meu direito de ordenar os candidatos da coligação que eu voto. Isso tem que ser uma prerrogativa do eleitor. Nenhuma diretoria de partido pode impor isso aos cidadãos.

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