Instituto Maurício de Nassau

25 de Fevereiro de 2010
Autor Isabel França - Postado em Artigos |

Valorização da cultura indígena e afro

Por Isaltino Nascimento*

 
O Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas da Universidade Católica de Pernambuco (Neabi) começou a funcionar oficialmente na última terça-feira (23), coroando o trabalho louvável que a instituição vem realizando nos últimos anos no incentivo à promoção da igualdade racial.

 
O Neabi, que funcionará sob a coordenação do padre Jorge Cabral e resulta de parceria da Unicap com o Comitê Estadual de Promoção da Igualdade Étnicorracial (Cepir), certamente servirá de exemplo para outras instituições de ensino superior, públicas e privadas do nosso Estado.

 
Pois nasce com a missão de ajudar na promoção de políticas públicas para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afrobrasileira”, o que está previsto na lei federal 10.639, de 9 de janeiro de 2003.

 
Esse trabalho soma-se a uma série de outros projetos que vêm sendo tocados pela instituição sob a coordenação padre Pedro Rubens, reitor da Unicap, no sentido de sanar uma “dívida de reparação” com os povos indígenas e negros. Como, por exemplo, manter um mestrado em Ciências da Religião, cursos para integrantes de religiões de matriz africana e abrir espaço de debates sobre a questão racial no país.

 
É importante ressaltar este trabalho da Unicap – da qual fui aluno do curso de Ciências Contábeis entre os anos de 85 a 90 –, pois nos tempos em que fui aluno não era possível vivenciar experiências desta natureza. E hoje o que se vê é todo um corpo de professores e alunos com uma visão ampliada sobre a temática, que deixou de ser tabu.

 
Prestigiaram a inauguração do Neabi o ministro da Igualdade Edson Santos e secretário executivo do Cepir, Jorge Arruda, além de representantes do movimento negro, religiões de matrizes africanas e um grande número de pessoas abertas ao diálogo sobre igualdade racial.

 
Com destaque para a presença de figuras emblemáticas das religiões afrobrasileiras no Recife, como é o caso de seu Valfrido, 96 anos, Ogã (uma espécie de sacerdote) do Sítio Paredão, uma das casas de candomblé mais antigas do Brasil, localizada no bairro de Água Fria, e a yalorixá Tia Zeza, 80 anos.

 
 
O padre Pedro Rubens foi muito feliz em sua palestra, na qual tratou sobre a importância do novo núcleo do ponto de vista do ensino, pesquisa e extensão na universidade. O que certamente será um grande diferencial. E não apenas na formação dos alunos da instituição, mas na contribuição para o fomento de um debate de qualidade sobre igualdade racial num Estado que demonstra – tanto por meio do poder público quanto da iniciativa privadas – preocupação com um tema de tamanha pertinência.

 

*Isaltino Nascimento (www.isaltinopt.com.br / twitter/isaltinopt), deputado estadual pelo PT e líder do governo na Assembléia Legislativa, escreve para o Blog todas às quartas-feiras.

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