Você faria um teste de inteligência em seus filhos?

O teste mais famoso (o de Quociente de Inteligência – QI) teve sua origem com Alfred Binet em 1905, na França. O objetivo de suas pesquisas para este governo era “fornecer um ensino adequado a todos, acreditava ser preciso diferenciar aqueles com dificuldade de aprendizagem”. O resultado mostrava se as habilidades da criança estavam de acordo com o esperado para sua idade, ou seja, se ela era “normal ou retardada”. Nasciam assim, há 100 anos, as bases do teste de QI. Essa idéia logo foi difundida nos Estados Unidos, tornando-se uma das principais ferramentas para avaliar deficiências na aprendizagem, selecionar candidatos e estudar as habilidades mentais do ser humano. Logicamente estes testes foram acusados de preconceituosos, constrangedores, ineficientes e tortuosos, pois partiam do pressuposto básico que a inteligência seria algo hereditário, por isso sendo imutável. Cabe salientar que empresas ditas “especializadas em medir inteligências” oferecem vários tipos de testes, desde os gratuitos até “pacotes especiais” para seleção de funcionários de grandes corporações. É a indústria do teste de QI! Algo que diante da lei trabalhista configura-se como um constrangimento ao trabalhador, podendo ocasionar uma ação por danos morais contra o empregador e a empresa ranqueadora de inteligências, solidariamente.
A inteligência pode ser medida?
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Fiscais de imposto - 108;·
Celebridades - 102;·
Músicos - 100;
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Atletas - 95;
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Mecânicos - 92;
Felizmente, até o final da década de 1920, a maioria dos pesquisadores compreendeu que os testes haviam se tornado um meio de exclusão social. Vários pesquisadores acabaram revisando suas teorias e admitiram seus erros.
Qual a teoria mais aceita na atualidade sobre inteligências?
Acreditamos que a de Howard Gardner, psicólogo da Universidade de Hervard. Para ele todos os indivíduos normais são capazes de uma atuação em pelo menos sete diferentes e, até certo ponto, independentes áreas intelectuais. Ele sugere que não existem habilidades gerais, duvida da possibilidade de se medir a inteligência através de testes de papel e lápis e dá grande importância a diferentes atuações valorizadas em culturas diversas. Ele lançou, há cerca de 20 anos, a chamada teoria das Inteligências Múltiplas, que propõe a existência de inteligências independentes entre si. Inicialmente ele propôs 7 habilidades:
1. Lingüística: sensibilidade para a língua escrita e falada;
2. Lógico-matemática: capacidade de analisar problemas, operações matemáticas e questões científicas;
3. Musical: habilidade para tocar, compor e apreciar padrões musicais;
4. Físico-cinestésica: potencial de usar o corpo para dança, esportes;
5. Espacial: capacidade de compreender o mundo visual de modo minucioso;
6. Interpessoal: habilidade de entender as intenções, motivações e desejos dos outros;
7. Intrapessoal: capacidade de se conhecer.
Conclusão…
Não podemos classificar as pessoas por castas de inteligência. Em um mundo tão desigual seria uma tragédia acreditar que a inteligência humana é algo mensurável sem considerar a diversidade do nosso planeta, das culturas de cada país e da própria humanidade. Rubens Alves, em Cenas da Vida, disse:
“As inteligências dormem. Inúteis são todas as tentativas de acordá-las por meio da força e das ameaças. As inteligências só entendem os argumentos do desejo: elas são ferramentas e brinquedos do desejo”.



24 Junho 2009 às 16:06
Há muito tempo a teoria das inteligências múltiplas revolucionou a ideologia acerca da superdotação, mas ainda é grande o número de pessoas que desconhecem o tema. É preciso propagar que a idéia de inteligência lógico-matemática é apenas uma das facetas do desenvolvimento cerebral…parabéns pela iniciativa de escrever sobre o tema!
14 Junho 2010 às 23:23
muito bom artigo!
Em breve será publicado no New York Times. Por enquanto vou publicando no jornal da nossa Igreja.
Um grande abraço!
Leonardo Silva